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Por que o excesso de trabalho é tão glamourizado?

Finanças Internacional
·4 minuto de leitura
Woman in office stress vector illustration of cartoon girl manager working on computer with disheveled messy hair and documents piles. Overwork and deadline office work concept
Woman in office stress vector illustration of cartoon girl manager working on computer with disheveled messy hair and documents piles. Overwork and deadline office work concept

Por Lydia Smith

O Twitter está repleto de posts de pessoas reclamando por estarem muito ocupadas, como a clássica foto de um café com a legenda: “não deu tempo de comer mais nada o dia todo”.

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Uma das vantagens de trabalhar em casa é poder aproveitar as sobras do dia anterior para preparar almoços elaborados. No entanto, as redes sociais passam a impressão de que todo mundo está ocupado demais para fazer isso.

Parece até que ter tempo para comer significa falta de dedicação ou problemas com o trabalho. Desse jeito, nem dá vontade de almoçar.

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Antigamente, quem era mais rico trabalhava menos, e a riqueza era medida pelos hobbies e viagens que ocupavam o tempo livre dessas pessoas. Por outro lado, os menos privilegiados precisavam trabalhar mais e, portanto, tinham menos tempo livre.

No entanto, as coisas foram mudando ao longo dos anos. Hoje em dia, as pessoas mais ocupadas são consideradas as mais bem-sucedidas. Não ter tempo para nada deixou de ser um problema e virou símbolo de status, de que as habilidades dessa pessoa ocupadíssima têm grande valor para o mercado de trabalho.

Em uma série de estudos publicados pelo Journal of Consumer Research em 2017, os pesquisadores criaram um perfil fictício no Facebook e pediram que alguns voluntários analisassem os posts. Quando o assunto das publicações era trabalhar 24h por dia, os voluntários acreditavam que a pessoa tinha mais status e dinheiro do que quando mencionavam atividades de lazer.

Os pesquisadores também analisaram tuítes com ostentação disfarçada de reclamação e descobriram que vários eram relacionados ao excesso de horas de trabalho e à falta de tempo para descansar.

“Filmes, revistas e programas de TV populares, como os que revelam o estilo de vida dos ricos e famosos, destacam todo o dinheiro e o tempo livre que essas pessoas têm de sobra”, descreve Silvia Bellezza, professora de marketing na Columbia Business School, com a colaboração de Neeru Paharia, da Universidade de Georgetown, e Anat Keinan, da Universidade de Harvard.

“Esse estilo de vida de pura diversão geralmente era mostrado na publicidade de produtos inspiradores. No entanto, nos últimos anos, os anúncios com pessoas ricas relaxando na piscina ou em um iate, jogando tênis ou polo, esquiando e caçando (como as campanhas da Cadillac na década de 1990) vêm sendo substituídos por propagandas de pessoas ocupadas, que estão sempre trabalhando e não têm tempo livre para descansar ou se divertir”, explica a professora.

A ideia de que não ter tempo para nada além de trabalhar se tornou um símbolo de status faz cair por terra a teoria de consumo notável da “classe ociosa”, desenvolvida por Thorstein Veblen em 1899. A teoria afirmava que não trabalhar e ostentar o lazer e a riqueza com compras fúteis era o símbolo definitivo de status. Porém, hoje em dia, o valor não parece estar nas compras em si, mas no trabalho duro, ou pelo menos em divulgar todo esse trabalho.

De acordo com a pesquisa de Silvia, “a imagem positiva da ocupação e da falta de lazer como símbolos de status vem da percepção de que uma pessoa ocupada possui as características de capital humano mais desejadas e escassas no mercado de trabalho (como competência e ambição). A pesquisa revela outro tipo de consumo notável, que muda o foco da raridade e escassez de bens para a raridade e escassez de pessoas”.

Segundo Clara Wilcox, fundadora do The Balance Collective e coach de negócios e carreira, culturalmente, as pessoas costumam ser recompensadas por ações industriais, ou seja, por produzir coisas físicas que podem ser vistas e tocadas.

“Muitos dizem que essa ideia começa na escola. Os talentos e interesses de cada aluno são resumidos em notas, usadas para criar categorias e prever o potencial de cada um. Isso se transforma em uma cultura de presenteísmo na vida profissional, que recompensa quem passa mais tempo trabalhando. O sono é visto como algo flexível, não como uma atividade necessária para crescer, aprender e recarregar as energias”, explica Clara.

Clara comenta que rotinas matinais também são motivo de admiração. Executivos do Vale do Silício, como Jack Dorsey, CEO do Twitter, são conhecidos pelos banhos gelados, as meditações e os exercícios, para os quais de alguma forma encontram tempo de manhã antes de um dia cheio de trabalho. Essas agendas lotadas chegam a parecer atraentes, mesmo sendo tão extremas. No entanto, para quem não é um bilionário da tecnologia, a glamurização do excesso de trabalho traz riscos sérios e tangíveis para a saúde e o bem-estar.

“A valorização da ideia de estar sempre ocupado está aumentando os casos de esgotamento e de problemas de saúde mental, principalmente ansiedade e estresse”, menciona Clara.

“Nos últimos meses, com a imposição do home office e de um ritmo de vida mais lento, ficou claro que essa cultura de linha de produção não é necessária. Se continuarmos nesse caminho, priorizando os resultados e não o tempo dedicado ao trabalho, será possível criar um ambiente profissional mais saudável, criativo e produtivo”, ela conclui.

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