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Por que o bitcoin e as altcoins estão em alta novamente

Finanças Internacional
·4 minutos de leitura
Foto: Nicolas Economou/NurPhoto via Getty Images
Foto: Nicolas Economou/NurPhoto via Getty Images

Para quem opera no mercado de criptomoedas, parece que voltamos a 2017. O bitcoin registrou uma alta de 35% desde maio e 133% desde 15 de março, quando foi determinado o fechamento geral de escolas e empresas nos Estados Unidos, o que ajudou na recuperação de 64% do bitcoin neste ano até o momento, após despencar em março, acompanhando o movimento das ações.

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Essa alta é mais que o dobro dos ganhos da Nasdaq, que valorizou 26% no ano, enquanto o S&P 500 avançou apenas 5% no ano e o Dow ainda está negativo (queda de 1,2%) em 2020. O bitcoin fechou próximo de US$ 6.500 em 24 de março, e, cinco meses depois, a cotação é de cerca de US$ 12.000.

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A valorização das chamadas "altcoins" tem sido ainda mais impressionante, ou alarmante, para alguns. O Ether, token da rede Ethereum e segunda maior criptomoeda em valor de mercado, subiu 210% em 2020. O Lumen, token da rede Stellar, avançou 130%. A Cardano teve uma valorização de 274%, a Algorand subiu 200% e a Dogecoin, uma criptomoeda relacionada a um meme, sem fins comerciais, registra 68% de alta no ano.

Se você nunca ouviu falar de muitas dessas moedas, mesmo se costuma acompanhar o preço do bitcoin, não se preocupe. Alguns observadores do mercado temem que a disparada de moedas desconhecidas sinalize outra bolha perigosa, como a de 2017. O Cointelegraph está se referindo a esse período como a nova temporada das altcoins. Na segunda-feira, o CoinDesk chamou esse momento de "mercado de alta generalizada".

Andy Bromberg, presidente da Coinlist, empresa que avalia e lista as vendas de novos tokens, vê lampejos de 2017, mas acredita que este período pode ser diferente. O Near, um novo token que teve sua oferta pública inicial lançada pela Coinlist, teve tanta demanda que o site ficou fora do ar.

"Tem muitas coisas incríveis acontecendo, eventos empolgantes que trouxeram perspectivas de longo prazo legítimas, mas também há muitas pessoas que só veem uma oportunidade de fazer dinheiro", afirma Bromberg. "É muito difícil analisar esses fatores, exatamente como aconteceu em 2017. Alguns são obviamente insensatos, todo sinal traz ruído. Por isso, um investidor desse mercado deve ter cautela, porque quanto mais são divulgadas as boas novidades, mais esquemas fraudulentos aparecem. Mas é, sim, um momento empolgante."

Mas a pergunta que não quer calar é: a valorização das criptomoedas é decorrente da pandemia de COVID-19?

Os investidores do mercado, em parte, dizem que sim. A maioria aponta as ações do Banco Central americano, o Federal Reserve, e de outros bancos centrais do mundo como o combustível do apelo renovado do bitcoin como meio de proteção no mercado, o chamado hedge (o ouro, um hedge mais usado, já apresenta uma alta de 29% em 2020).

"São muitas as incertezas em relação a essa pandemia, mas um fato praticamente indiscutível é que imprimir trilhões de dólares vai aumentar o preço do bitcoin e de outras criptomoedas", analisa Dan Morehead, CEO da Pantera Capital, empresa de investimento em criptomoedas. "O ouro vai subir, e o bitcoin também. Esses ativos são uma proteção à degradação da moeda convencional."

O fundo de ativos digitais da Pantera atingiu altas de 130% em 2020, e Morehead acredita que, no ano que vem, "as altcoins vão se valorizar mais que o bitcoin".

Seguindo essa mesma visão, a Pantera continua acreditando nas ICOs (ofertas iniciais de moeda), a venda de tokens que explodiu em 2017 e despencou, quando em 2018, a U.S. Securities and Exchange Commission (equivalente à Comissão de Valores Mobiliários no Brasil) deixou claro que entende que a maioria das ICOs são ofertas de títulos não registradas. "Temos um fundo que investe no pré-leilão das ICOs e, em vez de ler 50 artigos técnicos por semana como fazíamos no auge de 2017, investimos em uma ou duas por trimestre. O mercado ainda está aquecido, só está muito mais seletivo."

Outro fator que contribui para o bitcoin são grandes nomes de Wall Street demonstrarem publicamente apoio ao ativo. Em maio, Paul Tudor Jones surpreendeu os mais céticos quando afirmou que vê o bitcoin como uma "boa especulação" e alocou 2% do capital do seu fundo de hedge na maior criptomoeda do mundo. Essa postura contrasta com a visão convicta que Warren Buffett tem da especulação do bitcoin: "Isso não é investir".

Daniel Roberts

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