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Por que não pega bem usar "roupas de casa", como o moletom, em chamadas do Zoom

Finanças Internacional
·4 minuto de leitura
Laptop screen webcam view different ethnicity and age people engaged in group videocall. Video conference lead by african businessman leader. Modern technology, easy convenient on-line meeting concept
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Muitas pessoas ainda estão trabalhando em casa devido às recomendações de distanciamento social em vigor. Com dias cada vez mais quentes, é bastante tentador ficar de pijama ou vestir algo mais fresco o dia todo em vez de escolher uma roupa menos informal.

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Com a popularização do home office, a "roupa de ficar em casa" acabou virando o uniforme de muita gente. Como essa situação vem se estendendo há meses, algumas pessoas começaram a participar de videoconferências de trabalho de pijama ou sem muita preocupação com a parte da roupa que não aparece na câmera.

Em uma pesquisa da uSwitch feita com mais de 2 mil britânicos, 4 em cada 10 trabalhadores remotos afirmaram que se arrumam antes das videoconferências, mas um quinto dos entrevistados já participaram desse tipo de reunião de pijama, sem ligar a câmera. Afinal, será que ficar de pijama o dia inteiro é mesmo uma boa ideia?

O trabalho remoto provavelmente continuará sendo o padrão no futuro próximo, e é normal ficar com preguiça de se arrumar de vez em quando. No entanto, ficar de pijama o tempo todo pode prejudicar a produtividade, a saúde mental e até a carreira das pessoas, especialmente de quem precisa participar de reuniões no Zoom.

Empregadores e colegas de trabalho provavelmente não têm ideia do que funcionários que trabalham em casa vestem ao longo do dia. No entanto, ao participar de videoconferências, o vestuário pode ser um problema. Mesmo que virtualmente, uma aparência despreparada pode não ser bem-vista pela gerência, ainda mais se houver clientes na reunião.

Ainda que a produtividade não seja afetada, as roupas podem transmitir uma má impressão sobre a dedicação e a motivação do funcionário. Ele pode estar trabalhando duro desde as 7h, mas quando entra em uma reunião de pijama, parece que acabou de sair da cama. Essa reprovação pode até ser injusta, afinal de contas, todos estão se adaptando ao novo formato de trabalho, especialmente quem tem filhos, mas não vale a pena arriscar perder o emprego neste momento tão delicado da economia.

Outro problema de trabalhar de pijama é que o cérebro cria associações entre o que fazemos, as roupas que vestimos e onde estamos. Embora alguns trabalhadores possam trabalhar em casa de roupão, pesquisas sugerem que a roupa adequada pode influenciar na mentalidade de trabalho e aumentar a produtividade.

Um estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology sugere que o desempenho dos profissionais melhora quando eles vestem roupas "simbólicas". Os pesquisadores da Northwestern University concluíram que os médicos, por exemplo, ficavam mais concentrados e apresentavam melhor desempenho no trabalho ao vestir jalecos.

"Criamos o termo 'cognição de vestuário' para descrever a influência sistemática das roupas sobre os processos psicológicos. Três experimentos demonstraram que vestir um jaleco de laboratório aumenta os níveis de atenção, e isso não aconteceu sem o uso do jaleco ou quando ele foi associado ao uniforme de um pintor", explicam os autores.

Trocar de roupa também pode contribuir para a melhoria da saúde mental. Embora trabalhar de pijama pareça um luxo, vestir "roupas de sair" pode melhorar a autoestima e a relação com o trabalho. Uma pesquisa de Joy V. Peluchette e Katherine Karl, publicada em 2007, identificou uma conexão nítida entre a roupa usada para trabalhar e a autopercepção.

Segundo os pesquisadores, "os participantes da pesquisa se sentiram mais competentes, confiáveis e respeitáveis com roupas de trabalho formais, e mais amigáveis com roupas de trabalho mais casuais".

Finalmente, trocar de roupa indica a conclusão de uma etapa do dia de trabalho. Para quem trabalha na cama, pode ser bem mais difícil se desligar do trabalho e conseguir descansar à noite, porque o cérebro entende que esse é um ambiente profissional. Isso também vale para as roupas.

Não é preciso vestir um terno para trabalhar na cozinha de casa, mas é bom pelo menos se arrumar um pouco da cintura para cima. Isso já é suficiente para demonstrar um visual apresentável nas reuniões, mesmo ao vestir uma calça de moletom.

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