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Por que a Marvel está explorando tanto seu multiverso nas HQs e no MCU?

A Fase 4 do Universo Cinematográfico Marvel Entertainment (MCU) vem se dedicando para expandir a mitologia dos quadrinhos da Casa das Ideias na tv e nos cinemas. E assim como tudo que vem acontecendo entre o Marvel Studios e a Marvel Comics, os quadrinhos absorvem a influência dos roteiros das telas para criar mais coisas e retroalimentar todo o ecossistema.

O que aconteceu com Kang e a explicação sobre as linhas temporais e realidades alternativas da Marvel na série Loki, por exemplo, gerou uma minissérie em quadrinhos que explica melhor toda sua zoada história de origem e suas diversas variantes. O mesmo aconteceu com o livro sombrio Darkhold, citado em WandaVision e que teve muita importância em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura.

Enquanto Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa estreava nos cinemas, no final do ano passado, a Marvel Comics colocava nas bancas um novo arco na revista mensal Avengers, que estão enfrentando a ameaça do Conselho Vermelho, formado por vários Mefisto de realidades alternativas — o que nos traz diversas versões de personagens clássicos, como o novo Motoqueiro Fantasma samurai.

Kang teve sua história recontada por conta da reformulação do multiverso da Marvel (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)
Kang teve sua história recontada por conta da reformulação do multiverso da Marvel (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Antes mesmo disso, a Marvel também já tinha apresentado uma versão de Frank Castle que se tornou o interessante e divertido Motoqueiro Fantasma Cósmico. Atualmente, a Marvel Comics também vem trazendo de volta o universo 2099, com uma equipe de Vingadores do futuro liderada pelo Homem-Aranha 2099. E acaba de chegar às lojas gringas mais uma edição de Avengers Forever, título que reúne um grupo multiversal dos Maiores Heróis do Mundo contra as variantes de vilões de várias Terras — tem até HQ com vários Steve Rogers, incluindo um que é uma fusão do Wolverine com o vilão Bazuca.

Mas por que a Marvel vem insistindo bastante nesse tema ultimamente? Abaixo estão alguns pontos que o Canaltech elencou para você compreender melhor.

A Marvel não tinha um multiverso decente

O conceito de multiverso já existe na literatura científica há bastante tempo, mas foi a DC Comics que popularizou-o, com a trama “Flash de Dois Mundos”, lançada em setembro de 1961. Desde então, a DC investe bastante em tramas multiversais, a exemplo de megassagas como Crise nas Infinitas Terras e Noites de Trevas: Death Metal.

Mesmo com revista como What If…? e sagas como Era do Apocalipse ou Guerras Secretas, a Marvel nunca explorou a fundo suas Terras paralelas e realidades alternativas. Então, o momento mais propício para dar mais estofo a isso é agora, quando as revistam ganham impulso das atrações da Fase 4 do MCU.

Fica mais fácil lidar com a Sony (e com o histórico da Fox e da Universal)

Como muita gente sabe, a Marvel vendeu os direitos vários personagens clássicos para a Sony, a Fox e a Universal no final dos anos 1990, para conseguir superar um pedido de concordata. Com isso, mesmo com um MCU conectando todas os filmes, séries e personagens, ficamos bastante tempo sem ver o Homem-Aranha, e ainda não vimos o Quarteto Fantástico e os X-Men nesse universo multimídia.

A expansão das Terras alternativas da Marvel facilita a conexão do que foi lançado nos outros estúdios, já que isso pode ter acontecido facilmente em uma realidade alternativa da Casa das Ideias. Foi o que aconteceu em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, que trouxe o Professor Xavier da Fox; e com Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, na reunião de Tobey Maguire, Andrew Garfield e Tom Holland.

E o relacionamento entre a Marvel e a Sony, que ainda detém os direitos sobre o Homem-Aranha, ficou, digamos, mais pacífico, já que personagens interconectados em tramas e conceitos tão diferentes entre os dois estúdios agora são separadas justamente pelo multiverso — tudo o que acontece na Sony é em uma Terra paralela da Marvel.

Para corrigir tretas cronológicas

Tanto a DC como a Marvel fazem há décadas um esforço mensal para trazer um universo conectado de histórias nas revistas. E com tantos autores reescrevendo constantemente as mitologias das editoras, uma hora é claro que algumas tramas acabam se tornando desconexas ou cronologicamente inviáveis.

As tramas multiversais ajudam a corrigir isso. Crise nas Infinitas Terras, por exemplo, classificou as versões divergentes que tínhamos do mesmo Superman ao longo de 50 anos. E as mais recentes Guerras Secretas fundiram, destruíram e reconstruíram o multiverso sem as incongruências do passado — ou pelo menos com explicações mais decentes sobre as inconsistências, a exemplo que aconteceu com reformulação recente da origem de Kang.

Pela diversidade e pelo legado

Outra coisa que sempre foi mais forte na DC e que a Marvel vem apostando mais no momento é o legado. A DC sempre teve vários Flash, Lanternas Verdes, a Batfamília e o cantinho do Superman. Já a Marvel vem fazendo isso mais recentemente, principalmente com os personagens que se conectam em Jovens Vingadores.

E como a editora vem trabalhando bastante nos últimos anos para ampliar a diversidade de seus personagens, a melhor forma que ela tem encontrado para habitar melhor esse lado é apostando no legado. Assim, temos uma adolescente poderosa que é muçulmana e marrom, um escalador de paredes preto, um jovem bruxo gay, e por aí vai — todos carregando a tocha da geração anterior para personagens que representam melhor o complexo mundo atual.

Substituição de atores e diretores

Se por um lado é superdivertido vermos os mesmos atores encarnando os personagens ao longo de 10 anos, para o Marvel Studios isso é uma verdadeira dor-de-cabeça. Manter cada astro com o contrato em dia, alinhando bases salariais e exigências criativas, já encerrou muitos acordos entre o Marvel Studios e os diretores e atores.

Somente agora a Marvel parece estar mais madura, ajustando os papeis do elenco, mantendo claro suas participações e bases salariais. A expansão do multiverso ajuda também no lado corporativo, já que uma equipe que não estiver se ajustando com a empresa agora pode ser demitida a qualquer momento, pois fica bem mais fácil de encontrar uma justificativa para a troca com outras versões paralelas.

Pela disputa com a DC

É difícil compreender por que a Warner Bros esperou tanto tempo e somente pensou em um filme da Liga da Justiça quando a "galinha dos ovos de ouro" para o público infatojuvenil Harry Potter acabou. Paralelamente, nesta época a concorrente Marvel Studios lançava, mesmo sem todos os seus direitos autorais nas mãos, o primeiro grande longa de um grupo de super-heróis, os Vingadores. Se a DC tinha como fazer isso com todos esses personagens, por que não lançaram antes, não?

O chefão da Marvel Entertainment, Kevin Feige, tem uma competitividade muito grande com a DC. E levar para os cinemas o multiverso antes que o filme do Flash é mais uma vitória pessoal dele contra a rival. As múltiplas Terras da DC já foram apresentadas nos desenhos animados e nas séries da CW. Mas elas nunca foram mostradas em um filme da DC nos cinemas.

Porque é divertido quando bem executado

Se você quer realmente ter uma referência de como o multiverso pode ser algo divertido, basta assistir às diversas animações de super-heróis lançadas pela Warner Bros para o público adulto. Ali você vai ver adaptações de tramas que acontecem em Terras paralelas, como Batman - O Cavaleiro das Trevas e Grandes Astros: Superman.

Basta ver como o roteiro valoriza o que tornaram esses personagens em clássicos e atualiza seus conceitos para uma nova geração de leitores, abraçando o legado e recontando histórias de sucesso para a próxima leva de fãs.

Por grana, claro

Bem, não precisa ser matemático ou especialista em mercado para saber que, para vender mais e atender uma ampla parcela de consumidores, basta você aumentar seu estoque e variedade de produtos, certo?

Ter mais possibilidade de histórias e ampliar as versões de personagens clássicos trazem mais filmes, séries, brinquedos, camisetas, entre outras coisas que aumentam bastante a grana no bolso da Marvel.

Fonte: Canaltech

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