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Por que forçar as pessoas a ligar a câmera no Zoom não é uma prática inclusiva

Finanças Internacional
·5 minutos de leitura
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Durante a pandemia, muitas pessoas que trabalham remotamente estão fazendo malabarismo para cuidar das crianças, estudar e trabalhar em casa, tudo ao mesmo tempo. Os pais e mães ficam exaustos, e a arrumação da casa deixa de ser uma prioridade.

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Muitas pessoas que trabalham remotamente se comunicam com os colegas pelo Zoom. Pode acontecer que, durante uma reunião feita às pressas, enquanto a cozinha parece um cenário de guerra, um gerente peça para ligar a câmera. Assim, de repente, a casa, cheia de pilhas de roupas, louças e brinquedos espalhados, fica exposta para o chefe e os colegas de trabalho.

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Os aplicativos de videoconferência, como o Zoom e o Hangouts, são uma tábua de salvação para muitas empresas durante a pandemia de COVID-19, pois permitem que as equipes permaneçam conectadas. Com redes remotas, Slack e outras ferramentas que possibilitam o trabalho remoto, as pessoas podem colaborar e ser produtivas, mesmo sem estar presentes em locais de trabalho.

No entanto, para muitas pessoas, as videoconferências confundiram os limites entre o trabalho e a vida pessoal. Permitimos o acesso a partes das nossas vidas que muitas vezes são mantidas em sigilo. Separar a vida profissional e a intimidade ficou muito mais difícil, as discriminações de gênero e de classe se fortaleceram e os trabalhadores que têm filhos pequenos ficaram em desvantagem.

No escritório, é mais fácil expor apenas o lado profissional. Ninguém sabe se a casa dos colegas está uma bagunça ou se a pia está cheia de louça. No entanto, nas videoconferências, todos os aspectos ficam à mostra. As casas de todos os participantes podem ser avaliadas e julgadas pelos colegas de trabalho e gerentes. Até a decoração e os animais de estimação que aparecem no fundo podem gerar suposições sobre a ética de trabalho de alguém.

Porém, quando julgamos uma pessoa pela aparência da casa, esquecemos que a pandemia de coronavírus não afetou a todos igualmente. No início deste ano, o Instituto de Estudos Fiscais (IFS) e o instituto de educação da UCL entrevistaram 3.500 famílias formadas por pais de gêneros opostos. Os resultados mostraram que as mães na Inglaterra tinham mais probabilidade do que os pais de perder seus empregos durante o lockdown. Além disso, foi comprovado que elas cuidavam mais dos filhos e da casa.

O estudo feito em parceria entre o IFS e a UCL mostrou que a probabilidade das mães perderem o emprego, de forma temporária ou permanente, é 23% maior do que a dos pais durante a crise atual. Entre aqueles que tinham trabalho remunerado antes do lockdown, a probabilidade das mães perderem o emprego definitivamente ou pedirem demissão é 47% maior que a dos pais. Provavelmente, essas mães estejam ocupadas demais trabalhando, cuidando das crianças e simplesmente tentando manter o equilíbrio, por isso não conseguem se concentrar em outras coisas, como a arrumação da casa.

Para muitas pessoas, o trabalho remoto significa vestir uma camiseta e uma calça de moletom e depois ler e-mails, fazer videoconferências e iniciar projetos. Com tanta coisa acontecendo, é compreensível que a roupa de trabalho tenha perdido a importância. No entanto, quando é preciso ligar a câmera, os colegas acabam analisando a aparência uns dos outros, e dados consistentes evidenciam que as mulheres são os principais alvos dessas análises.

Em uma pesquisa com 2.000 pessoas feita pelo escritório de advocacia trabalhista Slater and Gordon, 35% das mulheres disseram ter recebido pelo menos um comentário sexista no ambiente de trabalho desde que o lockdown começou, em março.

Os comentários mais recebidos pelas mulheres foram as roupas, por exemplo, "é melhor você se arrumar mais" e "coloque uma roupinha melhor para agradar o cliente". Cerca de 34% das mulheres disseram que foram aconselhadas a usar mais maquiagem ou mudar o cabelo, e aproximadamente 27% foram orientadas a "se vestir de forma mais sexy ou provocante".

Quase 40% das mulheres disseram que esses pedidos eram direcionados a elas ou a outras mulheres das equipes, e não aos colegas de trabalho do sexo masculino, gerando uma sensação de objetificação, constrangimento e desmoralização. As videoconferências sobrecarregam as mulheres não só com os cuidados em geral e as tarefas domésticas, mas também com a exigência de manter o cabelo e a maquiagem sempre impecáveis.

Em um ambiente corporativo, os colegas não sabem exatamente a situação financeira uns dos outros. É possível supor que os funcionários que ocupam cargos de chefia ganham mais, mas, em geral, a situação real de cada um é pessoal. Porém, quando o chefe pede para ligar a câmera durante o trabalho remoto, as diferenças de classe e renda ficam mais óbvias. Alguns sortudos podem ter o próprio escritório para trabalhar, mas os colegas que dividem um apartamento com outras três pessoas ou moram em lugares pequenos podem precisar trabalhar no quarto.

Já é óbvio que estamos vivendo e trabalhando em tempos estressantes. Então, se alguém não quiser ligar a câmera durante uma videoconferência, é bom pensar com cuidado sobre os motivos dessa pessoa.

Lydia Smith

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