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Afinal, as mulheres sabem ou não lidar bem com dinheiro?

Finanças Internacional
·5 minuto de leitura
Portrait of nice sweet tender attractive adorable straight-haired girl wearing yellow sunglasses, opened mouth, covering half of face with fan of 100 usd, isolated over bright vivid blue background
(Foto: Getty Images)

Por Lydia Smith

O mito de que as mulheres são inerentemente incapazes de administrar dinheiro é universal. Programas de TV, filmes, anúncios e revistas transmitem uma mesma ideia sobre a vida financeira das mulheres: elas são ótimas em gastar.

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Essa imagem fica evidente na obsessão por sapatos da designer Carrie, em Sex and the City, e é a principal piada em Os Delírios de Consumo de Becky Bloom. Também é evidenciada quando uma revista apresenta um "questionário de dívida on-line" ou um "horóscopo financeiro". Os homens ganham dinheiro, e as mulheres gastam.

Pesquisas mostram grandes discrepâncias na forma de falar sobre dinheiro para homens e para mulheres, principalmente na mídia. Em 2018, pesquisadores do Starling Bank fizeram uma análise linguística de cerca de 300 artigos financeiros do Reino Unido e outros países: 65% dos direcionados a mulheres as definiam como "ostentadoras", gastadoras que tomam decisões financeiras equivocadas e que precisam "controlar" gastos e "limitar" despesas para poupar.

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Em artigos direcionados ao público feminino, planejamento financeiro e orçamento eram tratados como assuntos complexos e desgastantes, com ilustrações infantilizadas ou que induziam a ansiedade, como mulheres contando moedas ou sendo esmagadas por um enorme cartão de crédito. Já os artigos para o público masculino costumavam falar sobre carteiras de investimento e cálculo de riscos e oportunidades, com foco em força e poder.

Mas de onde veio a figura da mulher financeiramente incapaz? Quais são os impactos dessa visão na vida financeira das mulheres?

"Não faz muito tempo que as mulheres do Reino Unido não podiam fazer uma hipoteca ou ter um cartão de crédito no próprio nome. A ideia de que as mulheres não sabem cuidar do dinheiro já existe há gerações", afirma Kate Sang, professora de estudos de gênero e emprego da Heriot-Watt University.

"Historicamente, os homens eram os provedores e as mulheres não tinham acesso a finanças pessoais ou a informações sobre a situação financeira da família. Antes de 1970, era comum pagar a mulheres menos do que aos homens pelo mesmo trabalho, então, como as mulheres poderiam demonstrar habilidades financeiras se quase não tinham dinheiro para administrar?"

Há 50 anos, o primeiro cartão de crédito foi lançado — e usado — por homens. Nas décadas de 1960 e 70, os bancos viam as mulheres como um investimento de risco. Se uma mulher ganhasse mais do que seu marido ou pai, o banco ainda pediria a assinatura de um deles para a maioria dos empréstimos. Mesmo que a mulher fosse a provedora da família, o marido controlava as finanças.

"O estereótipo de que as mulheres não sabem lidar com dinheiro provavelmente está enraizado na segregação patriarcal nas finanças da família", explica Sang. "No ano passado, ouvi de uma pessoa que a suposta 'pobreza menstrual' existe porque as mulheres desequilibram o orçamento da família ao priorizar as próprias necessidades. Infelizmente, essas ideias não ficaram no passado."

A ideia de que as mulheres são menos capazes de administrar as finanças é um mito, segundo pesquisas que concluíram que os homens têm a mesma probabilidade de gastar demais. Além disso, também é prejudicial a suposição de que a inteligência financeira seria inerente aos homens, tornando-os menos propensos a acumular dívidas ou buscar assessoria. Pesquisas mostram que as mulheres são afetadas de forma desproporcional por esses estereótipos de gênero, o que prejudica suas finanças, saúde e carreira.

"Hoje as mulheres buscam menos conselhos financeiros, provavelmente por ter menos renda disponível para investir", afirma Sang. "É mais comum ver mulheres vivendo em situação de pobreza, com emprego de meio período, salário inferior e desvantagens na divisão previdenciária. Basta conhecer a geração da WASPI (Mulheres Contra a Desigualdade da Previdência Social, em tradução livre) para ver os efeitos de associar os homens à gestão financeira competente e as mulheres à vida doméstica."

Os pais podem dar diferentes orientações financeiras a seus filhos, mesmo quando muito novos, de acordo com o gênero. Em uma pesquisa com 1.000 pais e mães feita pela Giftcards.com, os participantes se mostraram mais inclinados a ensinar às filhas sobre poupança e aos filhos sobre construção de patrimônio.

É provável que essa postura se traduza nos hábitos, expectativas e conhecimentos financeiros das mulheres no futuro. No começo deste ano, uma pesquisa de um banco americano com 3.000 mulheres e homens indicou que quase metade das mulheres entrevistadas associaram emoções negativas ao planejamento financeiro e mostraram menor envolvimento com as finanças pessoais do que os homens.

Não é de surpreender, portanto, que os homens relatem ter mais confiança financeira do que as mulheres e que 56% das mulheres deixem para o parceiro as decisões de investimento.

Os estereótipos culturais sobre mulheres e dinheiro também pode ter consequências psicológicas, de acordo com um estudo de 2018 da professora assistente de psicologia e neurociência da Drake University Jill Allen. Em dois experimentos feitos com 179 colegas mulheres, os pesquisadores encontraram evidências de que ativar a visão delas sobre dinheiro e feminilidade prejudicou seu desempenho em um teste cognitivo.

Está claro que já passou da hora de repensar a forma de falar sobre dinheiro com mulheres. A falta de consciência financeira não será resolvida só extinguindo a diferença salarial ou protegendo a renda, mas também dando autonomia. "Com mais mulheres entrando no mercado de trabalho, almejando carreiras mais bem pagas e intelectualmente complexas, haverá maior demanda por planejamento financeiro direcionado às mulheres", analisou Sang.

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