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Por que ex-marido de magnata desaparecida na China está arriscando a vida

·2 minuto de leitura
Desmond Shum in Oxford, England, Sept. 12, 2021. Andrew Testa—The New York Times/Redux
Desmond Shum in Oxford, England, Sept. 12, 2021. Andrew Testa—The New York Times/Redux
  • Whitney Duan desapareceu em Pequim há quase 4 anos atrás;

  • Desaparecimento estava registrado na obra Roleta Vermelha: Uma História de Riqueza, Poder, Corrupção e Vingança na China de Hoje;

  • Negócios obscuros envolvendo algumas das principais figuras do Partido Comunista Chinês também são relatados no livro.

Após o desaparecimento da bilionária chinesa Whitney Duan em 2017, seus ex-marido, o escritor Desmond Shum, contou a história da esposa e de negócios obscuros da riqueza envolvendo figuras do Partido Comunista Chinês no livro Roleta Vermelha: Uma História de Riqueza, Poder, Corrupção e Vingança na China de Hoje. O sumiço de Duan foi considerado político. 

Duan e Shum estiveram profundamente envolvidos em vários empreendimentos transformadores e extremamente lucrativos na capital chinesa, incluindo o Terminal de Carga do Aeroporto de Pequim e o Bulgari Hotel, e estavam intimamente ligados às elites chinesas, especialmente a esposa do ex-premier, Wen Jiabao. O marido teria recebido ligações da ex-esposa pedindo que abandonasse a publicação do livro.

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Preocupado com a virada autoritária que a China estava assumindo sob Xi, Shum decidiu deixar o país em 2015. Ele não voltou para a China continental desde o desaparecimento de Duan. 

Shum - que nasceu em Xangai, mudou-se para Hong Kong quando criança e cursou a faculdade nos EUA - fala à TIME do exílio sobre o livro, sua terra natal distante e a tentativa de reunir Whitney com seu filho pequeno. Esta entrevista foi editada para maior clareza e extensão.

'Não consigo nem tocar o chão em Hong Kong', diz escritor

De acordo com entrevista de Shum para a Time, a ex-esposa não teve notícias do mundo exterior nos últimos quatro anos. "Ela disse, ‘eles foram tolerantes comigo, eles não me trataram tão mal’. Então ela me pediu para interromper o lançamento do livro", contou. A segurança dela e do filho foram os principais argumentos. 

Exilado e morando no Reino Unido, o escrito diz que 'com certeza eles não vão deixá-la (Duan) sair da China. Não consigo nem tocar o chão em Hong Kong, esqueça a China [continental]'. 

"Sou um indivíduo que está lutando contra um estado como a China. Se eles decidirem fazer algo, a pequena resistência que posso suportar não vai significar nada, na verdade. Eu separei minha vida quando decidi publicar este livro", desabafou em entrevista. 

No livro, o autor escreve muito sobre o fluxo de dinheiro dos grandes bancos americanos e fundos de investimento vinculados ao governo durante o boom das décadas de 1990 e 2000. "Existem dois lados disso. Por um lado, todos somos culpados de ingenuidade e ilusão, porque muitos lugares na Europa Oriental e também na Ásia - Coréia, Indonésia, Taiwan - se tornam mais democráticos quando a sociedade fica mais rica. Portanto, há muitos precedentes históricos para demonstrar isso", defendeu. 

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