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Por que evento de banqueiros no velho oeste dos EUA afeta o seu bolso

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Diante de uma paisagem de montanhas rochosas do velho oeste americano, banqueiros centrais e autoridades em finanças começam a discutir nesta quinta-feira (25) medidas com impacto em preços, financiamentos e salários em todo o mundo.

Organizado anualmente desde 1978 pelo departamento do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) de Kansas City, o Simpósio de Política Econômica de Jackson Hole, no estado do Wyoming, tem fama de antecipar tendências que podem sacudir a economia global.

Foi no encontro de 2007 no hotel à beira do lago Jackson, cujo nome é compartilhado com o vale onde o evento é realizado, que houve o alerta para problemas nos financiamentos imobiliários dos Estados Unidos, cujo estouro da bolha em 2008 provocou uma crise econômica mundial.

Nos anos 1980, a conferência antecipou uma alta histórica dos juros nos Estados Unidos, que teve entre seus efeitos colaterais uma grave crise da dívida pública na América do Sul.

Na época, a dívida do Brasil e de seus vizinhos era majoritariamente atrelada à moeda americana, cuja cotação internacional disparou. Dólares ficam escassos e, portanto, caros em países em desenvolvimento quando os juros nos Estados Unidos atraem investidores para a renda fixa americana.

Há similaridades entre o cenário econômico atual e o da década de 1980, o que faz crescer a importância do evento neste ano e, principalmente, o pronunciamento do presidente do Fed, Jerome Powell, marcado para esta sexta-feira (26).

Powell não deverá falar exatamente se os juros irão subir ou não no próximo mês, mas, por estar entre chefes de bancos centrais como ele, espera-se que o presidente do Fed comente de forma mais detalhada a estratégia para encontrar o equilíbrio entre uma taxa capaz de aplacar a maior inflação no país em 40 anos, mas sem que isso arraste o mundo para a recessão.

"A grande questão hoje é saber se os Estados Unidos farão o que a gente chama de pouso suave", afirma Ricardo Hammoud, professor de macroeconomia no Ibmec-SP.

Hammoud reforça que o custo do crédito no Brasil depende consideravelmente das decisões do Fed sobre a taxa americana. "Os juros no Brasil são a soma da taxa dos Estados Unidos, mais o risco brasileiro", diz.

Os juros do Fed estão atualmente na casa dos 2,5% e, considerando um cenário de elevações agressivas até o fim do ano, podem chegar perto dos 4%. No Brasil, a taxa básica Selic está em 13,75% ao ano.

O Banco Central do Brasil estará representado por Fernanda Guardado, diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos.

Por que os juros nos EUA importam tanto Juros e inflação da principal economia do planeta têm impacto na flutuação do câmbio e nos preços das ações negociadas nas Bolsas de Valores de todo o mundo. Também afetam investimentos públicos e privados e a geração de empregos no mundo.

O grupo responsável por discutir esses temas nos Estados Unidos é chamado de Fomc, sigla em inglês para Comitê Federal de Mercado Aberto.

Esses conselheiros debatem a meta de juros dos fundos federais em oito reuniões ao longo do ano. A tarefa é semelhante à do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central do Brasil.

A taxa das operações de mercado do Fed influencia os juros cobrados nos empréstimos que os bancos privados realizam entre si, um instrumento importante para o ajuste de caixa realizado todos os dias pelas instituições financeiras.

Os juros das operações entre os bancos são refletidos no custo do crédito em geral, como nos empréstimos pessoais, financiamentos imobiliários e outros.

Controlar o crédito é uma forma de regular a quantidade de dinheiro em circulação e, consequentemente, de manter a inflação em níveis aceitáveis. É o que os economistas chamam de política monetária. Essa é a missão básica dos bancos centrais.

Quando os juros estão baixos, o crédito fica mais acessível. O baixo custo do empréstimo estimula pessoas a comprar bens e a consumir. Empresas colocam projetos em curso e geram mais empregos.

Por isso o Fomc rebaixou a sua meta de juros para zero quando a pandemia de Covid paralisou atividades econômicas globais em março de 2020. A ideia era colocar mais dinheiro em circulação através do crédito frouxo e, assim, evitar uma explosão de demissões.

Em tempos de dinheiro abundante e barato, grandes investidores ficam mais dispostos a comprar ações de empresas de países de economia emergente, como é o caso do Brasil, um tipo de aplicação considerada arriscada devido à instabilidade desses mercados. Os recursos permitem o crescimento de negócios e a geração de trabalho e renda.

Em situação oposta à oferta generosa de crédito barato, o aperto da política monetária (elevação dos juros) nos Estados Unidos prejudica o Brasil e outros emergentes porque, simplesmente, há menos capital disponível para investimentos.

Ao aumentar os juros, o Fed eleva a recompensa para quem aplica no Tesouro americano, cujo risco de perdas devido a um calote é considerado inexistente.

Com uma opção segura pagando mais, os investidores ficam mais seletivos. Muitos desistem das ações de empresas, principalmente as mais arriscadas.

Outros bancos centrais são forçados a elevar juros para convencer investidores de que o retorno oferecido por seus títulos soberanos compensa o risco que eles correm ao não levarem seus dólares para os EUA.

Se os dólares voltam para a renda fixa americana em larga escala, a taxa de câmbio dispara e os custos de importação sobem. Matérias-primas, cujos preços são dolarizados, também ficam mais caras. A inflação é certa.