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Por que enrolar um pouco na internet no horário de trabalho não é tão ruim

Finanças Internacional
·4 minutos de leitura
Foto: Getty Images
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No meio da tarde, bate aquele cansaço depois do almoço. No computador, dezenas de e-mails para responder, uma aba do Google Docs com um projeto chato e está quase no horário de uma reunião. Nessas horas, todo mundo sabe que deveria trabalhar, mas é difícil manter a concentração. De repente, sem pensar, a gente abre o Facebook e começa a descer a tela.

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Muitas pessoas se distraem ao longo do dia de trabalho e conferem as redes sociais, fazem compras e cuidam de outras questões pessoais online. Mais de um quarto dos trabalhadores do Reino Unido passam três meses por ano procurando conteúdos online que não têm nada a ver com o trabalho, de acordo com uma pesquisa.

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Outra pesquisa constatou que 60% dos trabalhadores não conseguem passar o dia sem conferir as redes sociais, e 86% dos entrevistados afirmaram que o Facebook é a principal distração no trabalho. Ou seja, o fato é que muita gente pratica essa "enrolação digital".

Durante muito tempo, o uso pessoal da internet no horário de trabalho foi considerado um problema que poderia prejudicar os negócios, e é fácil entender a razão. Ninguém consegue se concentrar nas obrigações enquanto confere as redes sociais, responde e-mails pessoais ou conversa com os amigos; além disso, a produtividade também diminui.

No entanto, uma pesquisa mais recente sugere que essa prática pode ter benefícios. No ano passado, um grupo de pesquisadores publicou um estudo que sugeria que essa enrolação no trabalho poderia servir como um pequeno intervalo durante o dia, ajudando os funcionários a reduzir o estresse.

Para testar essa hipótese, 258 estudantes universitários que também trabalhavam pelo menos 20 horas por semana preencheram um questionário online sobre o trabalho. Eles precisaram indicar quanto tempo dedicavam a compras online e outras atividades não relacionadas ao trabalho, o nível de satisfação com o emprego, a vontade de pedir demissão e se já tinham sido maltratados no trabalho.

O resultado não foi surpreendente: os entrevistados que disseram ter sofrido maus-tratos no trabalho apresentaram índices menores de satisfação e maior probabilidade de pedir demissão. No entanto, os pesquisadores também constataram que o uso pessoal da internet no trabalho aumentou a satisfação com o emprego entre os trabalhadores que sofreram maus-tratos, além de diminuir a vontade de pedir demissão.

"Portanto, o uso pessoal da internet no ambiente de trabalho é mais complexo do que pensávamos. Essa atividade pode ajudar a reduzir o estresse dos funcionários quando sofrem assédio moral, por exemplo", escreveram os pesquisadores.

O impacto das micropausas

Em certa medida, usar a internet no trabalho para resolver questões pessoais pode ser similar a fazer uma pequena pausa, e isso pode ter um efeito positivo sobre a forma como as pessoas se sentem e trabalham. As micropausas se baseiam na teoria de que a possibilidade de se desligar do trabalho, mesmo que por um curto período, pode ajudar na recuperação física e psicológica.

Mudar o foco para algo não relacionado ao trabalho reduz as demandas que geram cansaço, além de aumentar a felicidade, a concentração e a satisfação.

No entanto, é importante ressaltar que, embora um pouco de distração no ambiente de trabalho seja bom, o excesso pode causar problemas. De acordo com o estudo sobre o tema, os funcionários dedicam cerca de duas horas por dia a atividades sem relação com o trabalho, gerando um prejuízo de aproximadamente US$ 85 bilhões em perda de produtividade para as empresas.

Restrição do acesso a redes sociais

O que os empregadores podem fazer nessa situação? Uma solução é restringir o acesso a redes sociais, mas algumas pesquisas sugerem que essa medida pode acabar tendo efeitos indesejados. Muitos funcionários usam as redes sociais para trabalhar, então nem sempre essa solução é possível. Além disso, os funcionários podem encontrar brechas e usar redes alternativas, ou podem usar o celular para acessar as redes sociais. Bloquear o acesso a determinados sites e a essas redes pode fazer as pessoas se sentirem oprimidas e afetar a relação de confiança, reduzindo o ânimo, a motivação e a satisfação com o emprego.

As redes sociais também podem ser uma boa ferramenta de comunicação entre os funcionários. De acordo com uma pesquisa de Lorenzo Bizzi, professor adjunto de administração na California State University, os funcionários que interagem com colegas de trabalho nas redes sociais "costumam ser mais motivados e ter ideias mais inovadoras".

Se a equipe está passando muito tempo em atividades não relacionadas ao trabalho, é importante descobrir por que isso ocorre para resolver os problemas subjacentes. Uma pesquisa da Wisconsin School of Business sugeriu um vínculo com o descontentamento, pois as pessoas que consideram que não recebem um tratamento justo no trabalho costumam passar mais tempo enrolando na internet. Talvez os funcionários estejam entediados, desmotivados ou frustrados com o trabalho, e esses problemas não são resolvidos com um simples bloqueio de acesso ao Facebook.

Lydia Smith

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