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Por que a China limitou o TikTok a 40 minutos diários para crianças?

·6 minuto de leitura

A ByteDance, proprietária do TikTok e da sua versão chinesa chamada Douyin, lançou um novo modo específico voltado para crianças e adolescentes menores de 14 anos. Em uma postagem publicada no blog oficial, a companhia afirma limitar o uso do seu aplicativo por apenas 40 minutos por dia para esse público, além de impedir o acesso entre 22h e 6h.

O objetivo é evitar a exposição excessiva dos jovens e coibir práticas como o assédio, o bullying e a exploração sexual. O "Modo Jovem" será automaticamente aplicado a usuários atrelados a um sistema de autenticação do governo da China, que passou a exigir a verificação desde o ano passado. As crianças que ainda não concluíram o cadastro no TikTok precisarão fazê-lo para serem submetidas às novas regras ou terão a conta suspensa.

Para reduzir o impacto sobre crianças e adolescentes, o governo chinês tomou medida drástica (Imagem: Not Enough Nelsons/YouTube)
Para reduzir o impacto sobre crianças e adolescentes, o governo chinês tomou medida drástica (Imagem: Not Enough Nelsons/YouTube)

Essa anúncio não chega a surpreender, afinal autoridades chineses tem intensificado a repressão ao uso da tecnologia pelo público mais jovem. Com leis mais rígidas, o governo de Pequim restringiu os menores de 18 anos de jogar videogame durante a semana — eles só podem desfrutar de uma hora nas sextas-feiras e nos finais de semana ou feriados.

Impactos na saúde mental

Para entender o impacto dessa medida, o Canaltech conversou com especialistas em educação infantil e em saúde mental. O psicanalista e doutor em Psicologia pela USP Leonardo Goldberg explica que o fenômeno das redes sociais gera um "colapso" entre o público e o privado porque exige da pessoa atenção, engajamento, produção de conteúdo e exposição. "O efeito disso são sujeitos acelerados, com receio de exposição e com certa "preguiça" de tudo que não concerne ao próximo espetáculo ou escândalo das redes", analisa o especialista.

A psicóloga infantil Alessandra Araújo acredita ser necessário comedimento no uso de tecnologias para crianças, seja nas redes sociais ou em meios mais tradicionais como televisão e celulares."Tudo que estimule o cérebro acarreta um certo desgaste mental, ativando comportamentos inadequados e também possibilitando a ocorrência de algumas patologias", explica.

Crianças muito novas tendem a ser mais afetadas pelas redes sociais (Imagem: Reprodução/Pixabay)
Crianças muito novas tendem a ser mais afetadas pelas redes sociais (Imagem: Reprodução/Pixabay)

Para Araújo, se usada na dosagem correta, as tecnologias ajudam a aguçar área cerebrais específicas responsáveis pelo desenvolvimento da inteligência, o que ajuda no raciocínio lógico, na interpretação de textos, resolução de problemas e até na aprendizagem de uma segunda língua. "Assim como ir para sala de aula, a estimulação das telas também requer descanso para absorver conteúdos", pondera a especialista.

Já no aspecto negativo, a psicóloga aponta a elevada liberação do hormônio dopamina no cérebro das crianças, o que as levam a ser extremamente compatitivas e a se comparar a todo o momento com o outro, o que gera frustração quando não se alcança o resultado esperado. "Crianças e adolescentes que ficam muito na frente das telas se tonam pessoas mais depressivas, ansiosas, apáticas, sofrem distúrbios alimentares, queda no desenvolvimento escolar e social (antissocial), se tornam pessoas mais vulneráveis", sentencia.

Segundo Goldberg, a popularidade do TikTok se deve a um modelo radical de repetição que lembra os caça-níquéis, igualmente viciantes para os mais velhos. "O sujeito faz o mesmo movimento, consome conteúdos parecidos entre si e de certa forma busca novidades em um modelo que, pela própria estrutura, não conseguiria comportar. A tiktokização é justamente a transmissão da informação em unidades mínimas, através de um formato que não demanda tanta atenção nem atividade do espectador", explica.

Formato da rede também influencia

É importante ressaltar que o formato das redes sociais tem influência direta sobre a forma de posicionamento dos usuários. O Twitter e o Instagram são territórios ideais para o "cancelamento" o comportamento mais tóxico, enquanto o Pinterest e o LinkedIn são redes muito mais amigáveis.

O TikTok, por ser um fenômeno mais recente, ainda fica no meio do caminho, mas é usado por pedófilos e aliciadores por reunir um público muito jovem — foram mais de sete milhões de contas excluídas só no primeiro semestre por não apresentar idade mínima de 12 anos. Porém, a rede usa a imagem das pessoas em excesso, inclusive de crianças, o que pode gerar ataques a atributos físicos e comentários maldosos.

O ato de arrastar para cima é passivo e coloca as crianças em uma zona de conforto (Imagem: twenty20photos/envato)
O ato de arrastar para cima é passivo e coloca as crianças em uma zona de conforto (Imagem: twenty20photos/envato)

Além disso, há o problema da passividade diante do conteúdo, o que pode desencadear problemas nas crianças, segundo Alessandra. Na visão da especialista, o momento atual de distanciamento social fez com que os seres humanos adotassem a passividade para ficar na "zona de conforto". "Para aquelas pessoas que já têm uma certa timidez, [o TikTok] reforça a necessidade de não desenvolver suas habilidades sociais, pois eu posso me divertir sem precisar interagir", conclui.

Não é a toa que a plataforma social chinesa investe em ferramentas para coibir atitudes tóxicas, como ataques sucessivos de um só usuário ou investidas em massa contra a imagem de alguém. A rede também passou a exibir um aviso para que o usuário reconsidere um post impróprio, com palavrões ou que possa ser considerado rude.

A ByteDance lançou recentemente seu terceiro aplicativo de vídeo: o "Xiaoquxing", voltado para educação e um público jovem. Com vídeos curtos, a ideia é permitir que os mais novinhos possam expandir seus horizontes, descobrir interesses, ganhar conhecimento e explorar o mundo de uma forma divertida.

Proibir não é a solução

Se tem algo que os especialistas concordam é que apenas proibir ou restringir o uso não traz efeitos concretos na mudança de postura da criança ou do jovem. O uso de telas é desaconselhado para crianças menores de dois anos e deve ser restrito a duas ou três horas para adolescentes com idades entre 11 e 18 anos, conforme a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

"Mais do que convencimento, é preciso que o adulto realmente se interesse pelo mundo da criança: seu universo de aprendizagem, seus círculos sociais, suas historietas, frustrações, alegrias. Essa disponibilidade de escuta interessada é mais importante que qualquer interdição de tempo ou proibição", ressalta Goldberg.

O TikTok também investiu em ferramentas para aprimorar a experiência de adolescentes na plataforma (Imagem: Shingi Rice/Unsplash)
O TikTok também investiu em ferramentas para aprimorar a experiência de adolescentes na plataforma (Imagem: Shingi Rice/Unsplash)

Apesar de parecer atrativa na China, essa ideia de restrição não deve ser expandida para outros países. Leonardo Goldberg acredita que esse tipo de privação não encontraria espaço em terreno ocidental, principalmente em razão do caráter político das sociedades livres. O especialista acredita que a questão é bem mais sensível do que uma mera resposta legal ou proibitiva.

"Por que as crianças estão se interessando mais por imagens pululando de forma repetitiva do que pela contação de histórias, as brincadeiras em família, os rituais de passagem, esportes coletivos ou a escuta interessada dos pais dos enroscos de seus universos infantis? Será que no cotidiano acelerado de uma sociedade cansada há espaço para isso? Eu acho que é com essa questão que devemos lidar" conclui.

Você é a favor ou contra a medida do governo chinês? Deixe sua opinião nos comentários e debata com civilidade.

Fonte: Canaltech

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