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Por que as mulheres norte-americanas estão deixando seus trabalhos?

·5 min de leitura
MIAMI, FLORIDA - OCTOBER 08: A 'now hiring' sign outside of a business on October 08, 2021 in Miami, Florida. According to the Bureau of Labor Statistics in September job growth fell well short of expectations in September. The labor force shrank by 183,000 from August. (Photo by Joe Raedle/Getty Images)
MIAMI, FLORIDA - OCTOBER 08: A 'now hiring' sign outside of a business on October 08, 2021 in Miami, Florida. According to the Bureau of Labor Statistics in September job growth fell well short of expectations in September. The labor force shrank by 183,000 from August. (Photo by Joe Raedle/Getty Images)
  • Mais de 300 mil mulheres deixaram o mercado de trabalho norte-americano; 

  • Entre as razões, estão reflexos da pandemia e do momento de crise vivido;

  • Participação das mulheres na força de trabalho na economia americana é a mais baixa em 34 anos;

No último mês nos Estados Unidos, quase 200.000 empregos foram adicionados à economia norte-americana. Porém, um dado preocupante: todos eles ocupados por homens, um sinal claro do "momento de crise" que muitas mulheres estão enfrentando sob o peso dos problemas com as creches no país ​​em meio as suas obrigações profissionais, enquanto a pandemia de coronavírus segue no país.

A análise do National Women's Law Center (NWLC) mostrou que 309 mil mulheres também deixaram de trabalhar em setembro, marcando a maior queda desde setembro anterior. Essa queda livre também fez com que a participação das mulheres na força de trabalho dos Estados Unidos caísse de 57,4% em agosto para 57,1% em setembro, bem abaixo da participação dos níveis pré-pandêmicos de 59,2% em fevereiro de 2020.

“A participação das mulheres na força de trabalho caiu para sua taxa mais baixa desde 1988”, Emily Martin, vice-presidente de Justiça no Local de Trabalho da NWLC, disse ao The Independent . 

Um número surpreendente de quatro em cada 10 empregos perdidos no ano entre fevereiro de 2020 e fevereiro de 2021 foram na indústria de lazer e hotelaria, de acordo com dados revelados pelo The Independent. Mulheres negras foram especialmente afetadas, descobriu a análise do NWLC. Um total de 7,3% das mulheres negras estavam desempregadas no mês passado, em comparação com 3,7% das mulheres brancas.

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Historicamente, as mulheres negras também têm empregos de baixa remuneração e demoraram mais para se recuperar de outras recessões do passado do que outros grupos demográficos. As mulheres, especialmente negras, também trabalhavam em funções que foram designadas como essenciais durante a pandemia, desde funcionárias de supermercados e farmácias, a enfermeiras tratando pacientes de Covid-19 em hospitais do país.

Uma análise do New York Times sobre empregos em abril de 2020 revelou que um em cada três empregos ocupados por mulheres foi considerado essencial. Nos cuidados essenciais de saúde, por exemplo, 77% dos trabalhadores eram mulheres. Isso os colocou na linha de frente da pandemia, sem o luxo de fazer seu trabalho na segurança de suas casas.

Apesar dos esforços para reduzir a divisão, "as mulheres ainda são muito mais prováveis ​​de serem responsáveis ​​pelos cuidados infantis e tarefas domésticas do que os homens", disse Rachel Thomas, co-fundadora e executiva-chefe da Lean In, ao The Independent. E com as escolas fechadas durante grande parte do ano durante o auge da pandemia, "muitas mulheres se tornaram profissionais em tempo integral e, até certo ponto, professoras de seus filhos", ressaltou.

E embora fosse um grande desafio para todas as mães trabalhadoras conciliar o trabalho com a creche e a escola, as trabalhadoras essenciais enfrentavam a impossibilidade adicional de não poderem ficar em casa com os filhos. A questão das creches se tornou ainda mais problemática com as unidades fechadas por conta da pandemia.

Os pais de uma criança de dois anos esperam pagar em média US$ 1.100 por mês com creches na iniciativa privada. Enquanto isso, o governo dos EUA gasta em média apenas US$ 500 por ano com uma criança. Segundo Emily Martin na entrevista ao Independent, com "creches fechadas, em setembro, a indústria havia perdido 10 por cento de todos os empregos desde o início da pandemia, tornando os acordos limitados e inacessíveis de creches ainda mais inacessíveis”, completou.

As mulheres norte-americanas têm reclamado de exaustão. A pesquisa Mulheres no Local de Trabalho da Lean In e da McKinsey&Co feita em setembro, descobriu que 42% das mulheres dizem que estão esgotadas. Isso é comparado a 35% dos homens, com a disparidade aumentando entre os dois gêneros em relação ao último ano. Em setembro de 2020, 32% das mulheres e 28% dos homens relataram estar exaustos.

O grande número de questões exacerbadas para as mulheres pela pandemia parece ter deixado muitas delas ponderando uma questão crucial levantada pela longa reportagem do The Independent sobre o assunto: vale a pena trabalhar? Segundo Reshma Saujani, fundadora da ONG Girls Who Code, “Estamos quase no aniversário de dois anos da Covid-19 e não mudou muito”, disse. “As escolas ainda estão abrindo e fechando, milhares de pessoas não foram vacinadas, muitos empregos não voltaram e não houve reciclagem para levar as pessoas dessas indústrias a outros empregos", completou. 

Todo esse contexto ocorre em meio a "Grande Renúncia", em que houve um recorde de 4,3 milhões de trabalhadores norte-americanos demitiram-se de seus empregos em agosto, de acordo com dados do Departamento de Trabalho do governo norte-americano, com um número que chega a 20 milhões de trabalhadores, se medido até abril.

A tendência fez vários grandes empregadores nas indústrias de serviços, como Walmart e Costco anunciarem aumentos de seus salários mínimos recentemente. Christian Nunes declarou ao Independent que a questão é dupla: "as mulheres estão sendo forçadas a deixar o trabalho devido à perda de empregos em suas indústrias e à falta de licença remunerada e assistência aos filhos, e as mulheres também estão optando por não assumir funções que são mal pagas", completou.

“Algumas mulheres estão optando por deixar o mercado de trabalho e outras não têm escolha”, diz ela. E sem grandes mudanças legislativas e investimentos, Nunes adverte que os eventos do ano passado podem prejudicar o papel das mulheres no mercado de trabalho e na economia em geral no futuro. Na reportagem do Independent, Christian pediu um enfoque em várias políticas para ajudar as mulheres a permanecerem na força de trabalho: aumento do salário mínimo, investimento em creches, licença familiar remunerada, melhor remuneração e proteção contra assédio sexual.

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