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‘Por favor, não me dá a vacina’: agente atacada em posto contou que agressora queria só o comprovante

·4 minuto de leitura

Dois dias depois, Carla (cujo nome verdadeiro foi preservado) ainda se queixa de dores perto do olho e conta que, por causa delas, mal consegue encaixar uma máscara no rosto. O novo obstáculo se soma aos outros incontáveis desafios da rotina de quem trabalha na campanha de vacinação contra a Covid-19 — e, em muitos casos, como o de Carla, sem ganhar um centavo por isso. No último sábado, a jovem de 23 anos, estudante do 9º do curso de Enfermagem e voluntária da Secretaria muncipal de Saúde (SMS), foi agredida no posto onde atua, em Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio, por uma mulher que roubou o cartão de vacinação sem se vacinar. Este foi um dos cinco casos de furto de comprovantes de imunização já ocorridos desde o anúncio do “passaporte da vacina” no Rio, segundo a prefeitura.

Após declarar seu nome e CPF a uma outra atendente do posto, a mulher chegou a se posicionar em frente a Carla para receber a vacina, conta a estagiária. Mas a senhora se voltou contra a injeção antes que pudesse tomá-la, repetindo que só precisava da caderneta de vacinação preenchida e sugerindo que o imunizante lhe traria algum malefício oculto.

— Ela virou para mim e disse que não queria “fazer” a vacina. Eu até brinquei e perguntei se ela estava com medo, porque isso é muito comum. Com os olhos cheios de lágrimas, ela disse só que não queria se vacinar. Fiquei sem entender, já que ela já tinha dado o nome, feito o cartão. Ela respondeu que precisava do comprovante, porque agora estavam exigindo. Não sei por que ela queria, mas ela disse que precisava. E me perguntou se era possível eu não “fazer” a vacina, eu expliquei que não podia, que era minha carreira em risco e que isso não era certo. Expliquei a ela que precisamos prestar contas de todas as doses que a gente “faz”. Mas ela não queria “fazer” de jeito nenhum — narra Carla. — Ela pediu para eu “não fazer”, ela falou: “por favor, não faz, não quero tomar”.

Quando a mulher percebeu que Carla não cederia, mudou de atitude, “fechou a cara” e “começou a ser rude”, conta a estagiária. Ainda segundo Carla, a mulher tentou se justificar com um argumento diferente do que relatou ao EXTRA em entrevista neste domingo (o medo de agulha):

— Ela não chegou a falar nada de agulha. Depois que ela viu que eu não atenderia ao pedido dela, ela chegou com um discurso assim: “Eu sei o que essa vacina vai fazer”, ou “(Eu sei) o que vocês fazem”, alguma coisa assim. Não tinha entendido muito bem, achei que ela estava falando de alguma questão burocrática (em relação ao uso da vacina). Aí eu falei: “Não, mas a gente não reutiliza a vacina”, enfim. Daí, ela respondeu dando a entender que se referia à reação da vacina no corpo: “Eu sei o que acontece”. Aí eu virei e falei: “A senhora vai ficar imunizada”. Então ela respondeu: “Não, não é isso” — conta a funcionária. — Ela disse que não ia se vacinar e também não ia entregar o papel. Foi nessa hora que gritei para o auxiliar de segurança dizendo que ela queria fugir com o cartão sem se vacinar. Aí ela correu, eu fui em direção a ela e, nessa hora, ela me bateu com um chaveiro na mão e saiu correndo.

Carla conta que conseguiu chegar para trás ao ver que a mulher avançaria sobre ela. O reflexo impediu que as chaves acertassem seu olho, afirma. Ela e a equipe do posto abriram um boletim de ocorrência no mesmo dia.

— Infelizmente, a gente, que trabalha na área da Saúde, está exposto a todo tipo de coisa. De verdade, eu não esperava esse tipo de reação dela. Pensei só que ela talvez corresse, tanto que gritei para o segurança do posto para que não deixasse ela ir embora. Mas não esperava a agressão. Fiquei bastante abalada, muito nervosa, tremendo durante um tempo. A gente não espera isso, mas infelizmente aconteceu.

Apesar do episódio, Carla está convicta de que não abrirá mão da tarefa a que se propôs.

— Conversei com a gerência do posto. A princípio, era para eu ficar só até agosto, mas gostei tanto de trabalhar na campanha que pedi para ficar mais. E vou ficar. Me disseram: “não se deixe abater”, e eu não vou — diz.

Com a vigência do "passaporte da vacina" na cidade do Rio, que estabelece a exigência de comprovante de vacinação contra a Covid-19 para entrada em locais como academias e cinemas, multiplicam-se casos de tentativa de fraude protagonizados por pessoas que rejeitam a vacina. Profissionais de saúde da prefeitura já relataram ao menos oito tentativas de furto do comprovante de vacinação nos postos, cinco delas consumadas. Até agora, porém, só em Marechal Hermes houve registro de agressão a funcionário da prefeitura.

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