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Popularização da telemedicina impulsiona startups do setor e agiliza atendimento

**ARQUIVO** PORTO ALEGRE, RS, 14.06.2018 - Paciente passa por consulta oftalmológica em programa de medicina a distância em uma clínica, localizada no bairro Restinga, na zona sul de Porto Alegre. (Foto: Marcos Nagelstein/Folhapress)
**ARQUIVO** PORTO ALEGRE, RS, 14.06.2018 - Paciente passa por consulta oftalmológica em programa de medicina a distância em uma clínica, localizada no bairro Restinga, na zona sul de Porto Alegre. (Foto: Marcos Nagelstein/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O surgimento de healthtechs, startups que inovam nas formas de atendimento aos usuários, ajuda a impulsionar a saúde suplementar no Brasil. Entre 2021 e 2022, o setor cresceu 3,5%, de acordo com dados da Fenasaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar).

A plataforma Inovação Aberta, que monitora cerca de 15 mil startups no Brasil, mapeou 357 novas healthtechs em 2021, e o número já saltou para 1.023 até a metade de 2022, de acordo com relatório da plataforma de empreendedorismo Distrito.

No mundo, gigantes como Amazon, Apple e Meta também investem em healthtechs. De acordo com Caio Soares, médico e presidente da Associação Saúde Digital Brasil, em dois anos de pandemia o setor cresceu o equivalente a 20 anos.

Os investimentos das startups e das operadoras tradicionais que apostam no segmento digital saltaram de R$ 500 bilhões para R$ 900 bilhões, mesmo diante do cenário de crise.

"Os novos serviços oferecidos, de consultas a diagnósticos complexos, podem ser adquiridos por cerca de 50 milhões de usuários no segmento direto ao consumidor (B2C). Também houve expansão das healthtechs que trabalham no setor entre negócios (B2B), oferecendo tecnologia e modelos para hospitais e operadoras", diz Soares.

O uso cada vez mais frequente da telemedicina e da IA (inteligência artificial) nos diagnósticos a distância ajudam a explicar a expansão. Entre os benefícios estão redução nos custos, atendimentos mais ágeis, menores índices de internação, de consultas e exames desnecessários.

Antonio Carlos Endrigo, copresidente do Global Summit Telemedicine & Digital Health, diz que a criação de novos fundos de investimentos é o que dá suporte à expansão do setor. "A portaria de 2020 do Ministério da Saúde que regulamentou atendimentos a distância também foi fundamental. O desafio agora é não permitir a elitização do uso dessas novas tecnologias", diz.

Endrigo defende que o país avance em direção ao registro eletrônico e à implantação do prontuário único do paciente, que passaria a reunir todo o histórico de atendimento e procedimentos da pessoa, aumentando a eficiência no acompanhamento.

Carlos Pedrotti, gerente médico do Centro de Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que, mesmo com o enfraquecimento da pandemia, os números de atendimentos a distância se mantêm, chegando a 2.000 por dia. O Einstein investe na triagem automatizada, por meio da IA.

"Equidade é a palavra do futuro: tratamento semelhante para todos", diz. O hospital também participa de rodadas de investimento em startups.

A Kompa Saúde, healthtech de São Paulo, quer atrair clientes de baixa renda. A empresa cresceu três vezes ao ano, em média, nos últimos três anos. Hoje, atende cerca de 50 mil pessoas.

O uso da tecnologia própria de IA reduziu em 200% o custo das suas operações, graças à agilidade e à assertividade nos atendimentos. Por um baixo custo mensal, os usuários fazem os primeiros atendimentos com IA e só são encaminhados para os especialistas caso seja necessário.

O aspecto cultural, no entanto, é apontado por Bruno Carvalho, CEO da empresa, como um dos principais desafios para uma maior presença no varejo.

"Nos EUA, por exemplo, 70% dos idosos não se opõem ao uso do atendimento virtual como primeiro contato para um diagnóstico. No Brasil, só os mais jovens não veem problema nisso", afirma.

Usuária da Kompa, a aposentada Kátia Veríssimo, 55, de São Paulo, diz que o atendimento virtual, o primeiro de sua vida a distância, foi importante quando ela teve dor e precisou se consultar sem sair de casa. Kátia foi diagnosticada com fibromialgia.

"É muito prático. O valor mensal também é bom. Hoje, sigo fazendo atendimento a distância e, quando indicado, presencial."

Atuando no segmento B2B, a startup Laura, de Curitiba, oferece, desde 2010, o robô Laura, sua solução de IA, para a digitalização da coordenação de saúde para operadoras, hospitais e órgãos públicos, como Unimed e Secretaria da Saúde de Curitiba (PR).

CEO e cofundador da Laura, Cristian Rocha diz que a IA consegue fazer encaminhamentos adequados e diagnósticos precisos. "Também cuida da gestão dos dados, que é fundamental para todos os processos. A estimativa é que a Laura cresça entre 60% a 70% em 2023", afirma.

Outra startup, a Viziomed, de Recife (PE), também disponibiliza sua tecnologia para operadoras, hospitais e outras startups. É especializada em diagnóstico por imagem com o uso da IA.

Filipe Guerra, um dos fundadores, destaca a presença em 22 estados e a conexão com 128 clínicas. "São 2.192 requisições diárias. Começamos em 2020, quando recebemos o primeiro aporte financeiro. Para 2023, a estimativa é fechar com R$ 4 milhões de faturamento em contratos."