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Poluição luminosa gerada pelo crescente número de satélites preocupa astrônomos

Wyllian Torres
·3 minuto de leitura

Além dos milhares de detritos espaciais orbitando a Terra, hoje também precisamos lidar com a quantidade de satélites cruzando o céu crescendo a uma alta velocidade — e isto tem se tornado um problema para astrônomos profissionais e amadores de todo o mundo. A chamada poluição luminosa — quantidade de luz artificial em uma localidade — compromete de maneira significativa a observação do céu noturno. Agora, em um novo estudo, pesquisadores indicam um aumento além do que seria esperado dentro dos atuais parâmetros, no que diz respeito à visibilidade do céu noturno para observações astronômicas.

Em um estudo publicado no periódico científico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters, pesquisadores relatam que o número de objetos orbitando a Terra contribui para o aumento de até 10 vezes do brilho geral do céu noturno em relação aos níveis naturais de luz — ultrapassando o limite poluição luminosa estabelecido há mais de 40 anos por astrônomos. O principal autor do artigo, Miroslav Kocifaj, da Academia Eslovaca de Ciências da Universidade Comenius, diz que “nossa principal motivação foi estimar a contribuição potencial para o brilho do céu noturno de fontes externas, como objetos espaciais na órbita da Terra”.

A simulação usada na pesquisa considera o impacto geral de objetos espaciais no céu da noite, e não cada objeto de forma individual, que afetam imagens astronômicas. O modelo usou dados como as distribuições conhecidas, os tamanhos e os brilhos conhecidos desses objetos — tanto satélites em operação quanto detritos de todas as naturezas, como fragmentos de lançamentos de foguetes. Telescópios e câmeras sensíveis são capazes de identificar esses pequenos pontos de brilho percorrendo o céu. Já os nossos olhos enxergam mais o efeito geral da quantidade de luz; ou seja, quanto maior a quantidade desses pontos luminosos, mais obscurecido se torna o céu noturno.

Observação da passagem do Cometa NEOWISE, no ano passado, comprometida pela passagem da frota de satélites Starlink (Imagem: Reprodução/Daniel López)
Observação da passagem do Cometa NEOWISE, no ano passado, comprometida pela passagem da frota de satélites Starlink (Imagem: Reprodução/Daniel López)

Grandes observatórios pelo mundo estão localizados em lugares livres de poluição luminosa das cidades e também da turbulência atmosférica. O problema é que determinados satélites podem ser vistos a partir de qualquer lugar da Terra. "Ao contrário da poluição luminosa baseada no solo, este tipo de luz artificial no céu noturno pode ser visto em grande parte da superfície da Terra", explica John Barentine, diretor de políticas públicas da International Dark-Sky Association, e também coautor da pesquisa. Em outras palavras, os observatórios “fogem” da poluição luminosa, mas ela vai atrás deles.

Não é de hoje que a comunidade de astrônomos em todo mundo tem demonstrado preocupação quanto ao crescimento de objetos na órbita terrestre. Em especial, as grandes frotas de satélites de internet, como os satélites Starlink, da SpaceX. Recentemente, a empresa de Elon Musk surgiu com uma proposta de solução que tornou os satélites invisíveis a olho nu, mas não foi eficaz para telescópios e radiotelescópios sensíveis. De certa forma, não adianta diminuir o brilho se a quantidade de objetos está cada vez maior. Esta população também contribui para o aumento das chances de colisões entre satélites ou outros objetos e, com isso, mais detritos orbitando a Terra.

Objetos em órbita terrestre oficialmente catalogados pela Rede de Vigilância Espacial dos EUA, em 2019 (Imagem: Reprodução/NASA/ODPO)
Objetos em órbita terrestre oficialmente catalogados pela Rede de Vigilância Espacial dos EUA, em 2019 (Imagem: Reprodução/NASA/ODPO)

Relatórios financiados pela Fundação Nacional de Ciências dos EUA (NSF) e também pelo Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior (UNOOSA) apontam que as megaconstelações ameaçam a observação contínua da astronomia a partir do solo terrestre e também a partir da baixa órbita. Conforme estabelecido pela Royal Astronomical Society, no Reino Unido, alguns grupos de pesquisas já buscam compreender quais são os impactos desses “aglomerados” de satélites em instalações ópticas e radioastronômicas utilizados pela comunidade científica.

A equipe espera que este indicativo e novos estudos possam ampliar o diálogo contínuo entre astrônomos e os responsáveis pelo grande número de satélites. Segundo Barentine, este artigo pode mudar a natureza desta conversa, e acrescenta: “nossos resultados indicam que muito mais pessoas do que apenas astrônomos podem perder o acesso a céus noturnos imaculados".

Fonte: Canaltech

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