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Polícia prende mais cinco suspeitos por morte de professor decapitado na França

Colaboradores Yahoo Notícias
·2 minutos de leitura

A polícia da França prendeu mais cinco suspeitos de participação no assassinato do professor Samuel Paty, decapitado por mostrar caricaturas de Maomé a seus alunos. O número de detidos até a manhã deste sábado (17) chegou a nove.

Entre os novos presos, estão dois pais de alunos do instituto onde o professor de 47 anos trabalhava. De acordo com a investigação, eles discutiram com o educador por causa da caricatura de Maomé exibida em sala de aula. Os muçulmanos acreditam que qualquer representação do profeta é uma blasfêmia.

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Também foram presas três pessoas próximas ao agressor e quatro familiares dele, incluindo um menor de idade. O homem apontado como o responsável por decapitar a vítima foi morto pela polícia.

O caso aconteceu na sexta, por volta das 17h locais (12h de Brasília), perto da escola onde o professor lecionava em Conflans-Sainte-Honorine, uma pequena cidade 35 mil habitantes a 50 quilômetros de Paris.

Segundo a polícia francesa, o homem que cometeu o crime era um russo de origem chechena, de 18 anos. Os agentes afirmam que tentaram prendê-lo após o ataque, mas ele estava agressivo e, por isso, foi necessário matá-lo.

O agressor era refugiado e pediu a alunos da escola que mostrassem a ele quem era o professor, informou Jean-François Ricard, promotor da Procuradoria Nacional Antiterrorista da França.

Uma foto do corpo do professor foi descoberta no telefone do agressor, que chegou a postá-la no Twitter, com a seguinte mensagem: “Em nome de Alá, o mais gracioso, o mais misericordioso, ... ao Macron, líder dos infiéis, executei um de seus cães infernais que ousou depreciar Mohammad”.

A postagem foi removida rapidamente pelo Twitter, que disse ter suspendido a conta por violar a política da empresa.

O presidente da França, Emmanuel Macron, visitou o local da ocorrência e a considerou um atentado terrorista islamista.

“Um de nossos compatriotas foi assassinado porque ele ensinava seus alunos sobre liberdade expressão, liberdade de crer ou de não crer”, afirmou Macron. “Não é por acaso que foi um professor que esse terrorista matou. Porque ele queria matar a república nos seus valores, as luzes, a possibilidade de fazer nossas crianças cidadãs livres.”

A Procuradoria Nacional Antiterrorista da França abriu uma investigação por “assassinato em conexão com uma empreitada terrorista” e “associação criminosa terrorista”.

Segundo as investigações, um dos pais de alunos detidos gravou vídeos nos quais chamava Paty de “bandido” e pedia sua demissão. Em um deles, ele instou outros a “unir forças” e pedir: “Pare, não toque em nossos filhos”. O material foi compartilhado nas redes sociais. Uma meia-irmã do suspeito ingressou no Estado Islâmico, na Síria, em 2014. Não se sabe ainda se o agressor o conhecia.