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Polícia vai usar scanner 3D para reconstituir acidente que matou 41 no interior de SP

ALFREDO HENRIQUE
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil de Avaré (267 km de SP) vai usar um scanner 3D para auxiliar na perícia do local onde 41 pessoas morreram, após o ônibus em que estavam colidir com um caminhão, por volta das 6h30 de quarta-feira (25), na rodovia Alfredo de Oliveira Camargo, região de Taquarituba (328 km de SP). A informação foi dada nesta sexta-feira (27) pela delegada Camila Rosa Alves, titular da seccional de Taquarituba e responsável pelas investigações. A tecnologia é a mesma que foi usada pela Polícia Técnico-Científica para recriar a favela de Paraisópolis em 3D, reconstituindo a ação de policiais militares que resultou na morte de nove pessoas, em dezembro do ano passado, na zona sul da capital paulista. Em nota enviada nesta sexta-feira, a PM afirma que o inquérito policial militar instaurado à época foi arquivado, "sem surgimento de motivos subsequentes para o desarquivamento." A delegada Camila Rosa Alves afirmou à reportagem que uma nova perícia será feita na próxima semana no km 171 da via, onde houve o acidente. "Faremos uma varredura em 360 graus, que irá auxiliar na montagem de imagens para reconstituir a dinâmica fatos, junto com outras informações obtidas no dia [da colisão]. Poderemos saber se houve frenagem ou não", afirmou a policial, por telefone, referindo-se ao fato de o motorista do ônibus alegar, em depoimento, que o freio do veículo falhou instantes antes da colisão. A polícia aguarda o resultado de outros laudos periciais, como dos tacógrafos dos veículos envolvidos no acidente, para constatar se estavam em alta velocidade. Até o momento, as investigações estão voltadas para uma suposta falha humana como causa da colisão. Além do scanner 3D, a polícia também colhe o depoimento de testemunhas e pessoas envolvidas direta e indiretamente no caso. Nesta sexta também foram ouvidos representantes da Stattus Jeans Indústria e Comércio, de Taguaí (347 km de SP), onde as 41 vítimas mortas no acidente trabalhavam. A reportagem tentou durante toda sexta falar com a empresa, sem sucesso. "Eles [representantes da empresa] pediram um prazo para apresentar documentações", afirmou a delegada, sem entrar em detalhes sobre quais documentos seriam. Ela acrescentou também que a perícia no ônibus em que as vítimas estavam foi concluída. Os laudos periciais serão fundamentais para as investigações pois, ainda de acordo com a delegada titular, alguns testemunhos dados à polícia "não estão fidedignos." O scanner 3D que será usado pela Polícia Civil realiza uma "captura de realidade", criando digitalmente o ambiente em que é usado, disse o engenheiro agrimensor Marcelo Benevenuto. Ele explicou que o equipamento usa o Lidar [sigla em ingês para Detecção de Luz e Alcance] que funciona como um radar, podendo reproduzir digitalmente ambientes. "Isso na ciência é usado em diversas aplicações. Neste caso [da polícia], vai ajudar a reconstituir o local do acidente", afirmou o engenheiro, que também é cartógrafo da Geotech Brasil Benevenuto disse ainda que o scanner também fotografa em 3D, recurso que poderá facilitar o trabalho investigativo da polícia. "Tendo as imagens em 3D, a polícia não precisará retornar ao local [do acidente] para realizar análises", exemplificou. O resgate dos 41 corpos no local do acidente no interior paulista levou quase seis horas para ser realizado. A capitão Aline Camargo, porta-voz da PM, afirmou à reportagem na ocasião que o último corpo foi retirado do ônibus por volta das 12h. Eles foram transportados em um caminhão frigorífico, ainda conforme a oficial disse à reportagem. Segundo a porta-voz da PM, a pista onde ocorreu o acidente conta com uma faixa contínua simples. A Polícia Civil está convicta de que ônibus invadiu a pista oposta, provocando o acidente com um caminhão. As circunstâncias em que isso aconteceu ainda não foram esclarecidas. O coletivo levava trabalhadores de Taquarituba até a indústria têxtil de Taguaí (347 km de SP). Os Primeiros corpos de acidente no interior de SP foram enterrados às pressas na madrugada do dia anterior ao acidente.