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Polícia fecha fazenda de criptomoedas com 3,8 mil PlayStation 4

·3 minuto de leitura

O Serviço Secreto da Ucrânia fechou, na última semana, uma fazenda clandestina de mineração de criptomoedas que contava com mais de 3,8 mil PlayStation 4. Os consoles foram encontrados em grandes racks, conectados à internet, e funcionando ao lado de 500 placas de vídeo e mais de 50 processadores, indicando serem as máquinas centrais da operação de processamento financeiro.

A operação aconteceu na cidade de Vinnytsia, depois que as autoridades localizaram um altíssimo consumo de eletricidade em um galpão desativado da JSC Vinnytsiaoblenerho, a empresa de distribuição de energia local. Na batida, as autoridades apreenderam mais de cinco mil dispositivos de hardware, já que além dos consoles, GPUs e processadores, notebooks e smartphones usados pelos responsáveis também foram obtidos.

A mineração de criptomoedas não é uma atividade ilegal na Ucrânia, que inclusive, costuma ser um destino interessante para os interessados, devido às temperaturas frias e o baixo custo energético. Entretanto, foram justamente os indicadores de furto de eletricidade que levaram as autoridades a fechar o local e apreenderem os dispositivos; segundo o governo, os responsáveis pela operação usavam medidores falsos, expostos aos funcionários da fornecedora de energia, enquanto roubavam das linhas oficiais.

<em>Racks cheios de PS4 eram usados em mineradora clandestina de criptomoedas na Ucrânia; polícia apreendeu mais de 3,8 mil consoles (Imagem: Divulgação/SSU)</em>
Racks cheios de PS4 eram usados em mineradora clandestina de criptomoedas na Ucrânia; polícia apreendeu mais de 3,8 mil consoles (Imagem: Divulgação/SSU)

Os prejuízos por conta da atividade, de acordo com a divulgação oficial, são de aproximadamente US$ 256 mil. O relato sobre a operação, entretanto, não fala em prisões nem indiciados, mas cita que a operação também envolveu batidas nos endereços dos operadores do esquema, com a obtenção de documentos que podem ser usados nas acusações contra eles. As investigações continuam, já que, de acordo com as autoridades, existem indícios de que funcionários da fornecedora de energia elétrica também podem estar envolvidos no esquema.

Minerando em vídeo games

O caso chamou a atenção do noticiário internacional de tecnologia não apenas pelo tamanho da operação, mas também, pela presença massiva do PlayStation 4. A quantidade de aparelhos indica, como dito, que os consoles da Sony eram o hardware central das operações de mineração de criptomoedas, ao contrário dos racks cheios de placas de vídeo que normalmente são vistos em locais desse tipo.

Seria a primeira vez que o uso efetivo do aparelho em um trabalho desse tipo é usado, apesar de apreensões policiais anteriores em países como a China, por exemplo, já terem indicado o uso do PS4 como unidade de mineração. Os consoles, porém, estavam longe de ser a peça central dos esquemas, enquanto especialistas apontam que não existem formas eficazes de realizar esse processamento nos vídeo games.

Em março, também surgiram na internet imagens de um PlayStation 5 supostamente usado na mineração de criptomoedas. Entretanto, as cenas logo foram comprovadas como falsas, em uma trollagem que fez muitos veículos internacionais de tecnologia noticiarem um suposto desbloqueio do console de nova geração como real.

Teoricamente, um PlayStation 4 Pro, a versão mais potente do vídeo game, teria um poder de mineração um pouco abaixo da placa de vídeo Radeon RX 580, da AMD. Restam dúvidas, entretanto, sobre a eficiência desse tipo de atividade, assim como os passos necessários para que o console fosse desbloqueado para rodar os softwares necessários. Eram elementos que, até agora, se acreditavam inexistentes, mas a apreensão na Ucrânia prova que a possibilidade pode se tornar real.

É uma má notícia para os jogadores. A indústria de games ainda sente fortemente os reflexos da escassez de GPUs motivada pela pandemia e, depois, pelo surto das criptomoedas; caso a possibilidade de realizar esse trabalho em consoles se torne popular, é mais um ponto negativo para uma história já bem triste, que envolve preços absurdos em GPUs e uma falta de aparelhos de nova geração nas prateleiras de todo o mundo.

Fonte: Canaltech

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