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Polícia Civil conclui que 'faraó dos bitcoins' encomendou morte de investidor em Cabo Frio

·5 min de leitura

A 126ª DP (Cabo Frio) concluiu que Glaidson Acácio dos Santos, o "Faraó dos bitcoins", foi o mentor intelectual do atentado contra Nilson Alves da Silva, de 44 anos, que também atua no ramo de investimentos com criptomoedas. Segundo a investigação, comandanda pelo delegado Carlos Eduardo Almeida, o ex-garçom encomendou a morte depois que a vítima "espalhou a notícia" de que ele seria preso pela Polícia Federal (PF), aconselhando clientes a retirarem valores aportados junto à GAS Consultoria, empresa de Glaidson.

Nilson, porém, sobreviveu ao ataque, ocorrido no dia 20 de março de 2021, por volta das 11h30 da manhã. Conhecido na cidade como Nilsinho, ele passava de carro pela Rua Maestro Braz Guimarães, no bairro Braga, em Cabo Frio, na Região dos Lagos, quando, ao parar em um sinal, a BMW X6 que ele ocupava, e que pode custar mais de R$ 600 mil, foi atingida por vários disparos vindos de um carro que emparelhou, ocupado por homens encapuzados.

Baleada no pescoço, a vítima foi socorrida para o Hospital Central de Emergência (HCE) e, depois, transferida para uma unidade particular, onde chegou a passar vários dias em estado grave na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Em decorrência dos ferimentos, Nilsinho ficou cego e paraplégico.

De acordo com a Polícia Civil, Glaidson — que encontra-se atrás das grades e é réu, ao lado de outros 16 comparsas, por crimes contra o sistema financeiro nacional, entre outros delitos — determinou que Thiago de Paula Reis, "pessoa de sua extrema confiança", contratasse os executores do crime. A proximidade entre os dois é reforçada por uma visita feita por Thiago ao ex-garçom na cadeia, poucos dias após a prisão.

Thiago, então, contratou Rodrigo Silva Moreira, Fabio Natan do Nascimento, Chingler Lopes Lima e Rafael Marques Gonçalves Gregório para que cometessem o assassinato. Para dificultar a investigação, o quartetou utilizou um veículo clonado para fazer o cerco a Nilson e abrir fogo contra ele. Apenas Chingler e o próprio Glaidson estão presos. Os outros cinco indiciados pela Polícia Civil encontram-se foragidos. O EXTRA ainda não conseguiu contato com os advogados dos acusados.

Câmeras de segurança no entorno do local em que Nilsinho foi baleado flagraram a movimentação dos criminosos e também a aproximação ao carro da vítima. Em uma dessas imagens, registrada pouco depois do crime, Fabio e Chingler aparecem deixando o Honda Civic branco utilizado no ataque. Chingles, de camisa preta, desce do banco do carona segurando o que parecem ser duas raquetes de tênis. Cerca de dois minutos depois, ele retorna ao veículo, entra por alguns segundos e deixa o local novamente, enquanto fala ao telefone.

O Honda Civic permaneceu estacionado no mesmo ponto até a noite do mesmo dia. Só pouco após as 22h, um outro comparsa é filmado pela mesma câmera entrando no carro pela porta do motorista e guiando o automóvel na mesma direção pela qual ele havia chegado quase 12 horas mais cedo.

Dois dos envolvidos com o crime, Fabio e Chingler, também são acusados pela morte do investidor Wesley Pessano Santarém, em agosto, na cidade vizinha de São Pedro da Aldeia, também na Região dos Lagos. O rapaz, de 19 anos, foi executado em um Porsche avaliado em R$ 440 mil. Segundo a Polícia Civil, as investigações prosseguem para identificar se Glaidson também foi o mandante do assassinato de Pessano, que se apresentava nas redes sociais como investidor de criptomoedas.

A apuração sobre a morte de Wesley está a cargo da 125ª DP (São Pedro da Aldeia). Na última quinta-feira, foi preso o sétimo suspeito de envolvimento com o crime. Luiz Fillipe Vieira Cherfan Tavares, conhecido como Branquinho ou Playboy, foi encontrado pelos agentes na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, onde estava escondido. Ghingler, acusado agora pela tentativa de homicídio de Nilsinho, também já está atrás das grades, assim como Roberto Silva Campanha e Edson da Costa Marinho, localizados na semana seguinte ao crime, e Bruno Louzardo Sabajes, Thiago Galdino e Valder Janilson Chaves dos Santos, detidos no início de setembro.

O último suspeito foragido pela morte de Pessano é justamente Fabio Natan do Nascimento, o FB. Ele é apontado como o responsável por arquitetar o plano, colocando os outros participantes do crime no circuito. Um dos acusados chegou a afirmar em depoimento que foram prometidos R$ 40 mil como pagamento pela execução, dos quais recebeu R$ 20 mil.

Nesta terça-feira, Glaidson e outros dois membros de sua organização, Felipe Silva Novais e de Michael de Souza Magno, tiveram pedidos de habeas corpus negados, por 2 votos a 1, pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Em fente à sede do tribunal, no Centro do Rio, manifestantes chegaram a comemorar uma suposta liberdade concedida a Glaidson, mas era apenas o voto divergente, do desembargador federal William Douglas. Votaram contra o habeas corpus Flávio Lucas, relator do caso, e Marcelo Granado. Vestidos de branco, os investidores chegaram em ônibus fretados e fizeram um protesto pacífico desde o início da tarde, ainda antes do início do julgamento. A notícia equivocada sobre a soltura também gerou queimas de fogos em Cabo Frio.

Em vídeos que circularam em grupos de investidores e nas redes sociais, é possível ver a comemoração diante do TRF-2 após circular a informação equivocada sobre a soltura. "A vitória é nossa, deu tudo certo", grita um dos manifestantes, emocionado. "Obrigado, Senhor", continua. Em seguida, ele canta: "Eu sou GAS com muito orgulho e com muito amor". Ele chega a citar o placar de 2 a 1 como se fosse favorável a Glaidson. "Valeu a pena esperar", desabafa. Em coro, dezenas de pessoas também entoavam o grito "Uh, é GAS", acompanhados de buzinas e festejos esfuziantes.

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