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Polêmicas, dinheiro e crimes: quem foi John McAfee, pioneiro do antivírus

·6 minuto de leitura

Morreu nesta quarta-feira (23) o pioneiro da segurança digital John McAfee. Conhecido pelo antivírus que carrega seu sobrenome, cuja marca hoje pertence à Intel, ele teve uma vida conturbada, em especial na última década.

A saga de McAfee é a história de um homem que conquistou fortuna no disputado mercado de software no Vale do Silício, mas sempre demonstrou sinais de instabilidade, o que resultou em várias acusações criminais, incluindo fraudes e até mesmo suspeitas de homicídio.

Ascensão

Desde jovem, McAfee mostrou aptidão para a tecnologia. Com formação em matemática, ele foi contratado aos 23 anos para trabalhar como programador no Instituto de Estudos Espaciais da NASA.

Sua carreira então o levou a várias empresas, sempre para trabalhar diretamente com tecnologia: Univac, Xerox e CSC.

Nos anos 1980, quando computadores pessoais começaram a se tornar mais acessíveis no mundo, McAfee se destacou pela criação de um software capaz de desabilitar o Pakistani Brain, a primeira ameaça virtual conhecida.

Logo na sequência, em 1987, ele deu início à sua empreitada de maior sucesso, a empresa de segurança digital McAfee, conhecida pelo seu antivírus para o Windows, que rapidamente se provou um sucesso e se tornou uma das maiores companhias de segurança digital do mundo.

A liderança de John McAfee, no entanto, não durou muito. Em 1994, aparentemente cansado da vida corporativa, o então CEO se desfez de todas as ações da empresa por um valor estimado de US$ 100 milhões. Desde então, não houve mais nenhum vínculo entre a companhia e o fundador, além do nome em comum.

No longo prazo, a decisão pode ter custado alguns bilhões a John McAfee. Em 2010, a Intel adquiriu a empresa por US$ 7,7 bilhões, o que renderia quantias muito maiores.

Negócios pós-McAfee

Depois de deixar a empresa que levava seu nome, John McAfee participou de uma série de empreendimentos, mas nenhum com o mesmo impacto que seu antivírus.

Ele também foi um dos pioneiros dos aplicativos de mensagens instantâneas, com a fundação, em 1994, da Tribal Voice, desenvolvedora do PowWow. McAfee também voltou a atuar em segurança com a participação na Zone Labs, empresa que criou o firewall ZoneAlarm e foi adquirida pela Check Point em 2003.

Boa parte das iniciativas de que fez parte foram dedicadas à privacidade. Em 2013, à luz das revelações de Edward Snowden, ele anunciou a D-Central, um produto da Future Tense Central, com a promessa de permitir navegação anônima e irrastreável.

Já em 2014, anunciou o aplicativo Cognizant, renomeado para DCentral 1, que visava monitorar permissões de aplicativos no celular, algo que passou a ser um ponto central das versões mais recentes do Android e do iOS.

Já em 2015, tornou-se evangelista da Everykey, empresa que desenvolve um produto que funciona como uma chave física que substitui as senhas na realização de login.

McAfee também tentou carreira na política, mas não teve sucesso. Ele foi pré-candidato pelo Partido Libertário nos Estados Unidos, mas não passou das primárias; também anunciou que se candidataria em 2020, mas não chegou a cumprir a promessa.

Uma vida de crimes?

Apesar de nunca ter deixado de empreender, McAfee tornou-se infame não pelos seus negócios de sucesso, mas pelas declarações e ações que, em muitas vezes, cruzaram o limite da criminalidade.

A história mais cabeluda de sua trajetória de vida acontece em Belize, na América Central, onde ele se tornou suspeito de assassinato e fugiu do país sem responder pela acusação. Seus problemas geraram até mesmo o documentário Gringo: A Perigosa Vida de John McAfee.

O filme relata que ele contratou um assassino por US$ 5 mil para torturar e matar Greg Faull, seu vizinho por supostamente ter matado seus cachorros, além de sequestrar e mutilar com facas e tasers David Middleton, um homem local que havia roubado a sua casa e que viria a morrer no hospital pouco tempo depois com seis ferimentos com faca. McAfee fugiu de Belize antes de ser interrogado sobre o crime.

Outros problemas legais que ele acumulou durante sua vida incluíram prisão por porte de armas de alto calibre em um iate na República Dominicana e por dirigir e portar armas sob efeito de entorpecentes nos Estados Unidos. Ainda em Belize, sua casa foi invadida em uma operação policial sob suspeita de produção irregular de drogas e, novamente, por porte ilegal de armas de fogo.

McAfee também se envolveu em uma série de problemas fiscais ao longo da sua vida, que viriam a culminar em sua prisão em Barcelona, que seria o cenário de sua morte. Ele era acusado de fraude e sonegação de impostos nos EUA, com uma dívida de US$ 4,2 milhões que o colocou na lista de procurados da Interpol.

Também foi acusado de praticar esquemas de pump-and-dump com criptomoedas. A prática consiste em promover e incentivar que outros adquiram algum bem financeiro, como ações ou Bitcoins, apenas com o objetivo de valorizá-lo para vendê-lo na alta, o que normalmente vem seguido de uma forte baixa no valor e grandes prejuízos para quem foi influenciado.

Ele ainda teve tempo de se envolver em uma polêmica boba em 2020, relacionada à COVID-19. Em agosto de 2020, ele afirmou que tinha sido preso na Noruega por usar uma calcinha no rosto no lugar de uma máscara facial. No entanto, ele sequer esteve no país escandinavo; McAfee entrou na Alemanha em voo vindo da Califórnia, o que o obrigaria a realizar quarentena no país. Em vez disso, ele preferiu seguir para a Bielorrússia, onde não havia tal exigência, mas ele precisou ser escoltado por um policial. Ele aproveitou o momento para tirar sarro da imprensa por não checar os fatos e noticiar sua afirmação como se fosse verdade.

A última grande piada de John McAfee: uma calcinha na cara. (Imagem: Divulgação/John McAfee)
A última grande piada de John McAfee: uma calcinha na cara. (Imagem: Divulgação/John McAfee)

Morte

Aos 75 anos, John McAfee foi encontrado morto em sua cela, e as autoridades espanholas afirmam que tudo indica se tratar de um suicídio.

A morte ocorreu poucas horas após uma audiência que aprovou a sua extradição aos Estados Unidos, o que coloca mais peso sobre a hipótese de que ele tenha tirado sua vida para não encarar a prisão em seu país de origem.

No entanto, como tudo na vida de McAfee, sua morte também serviu para levantar polêmica. Foram recuperados vários de seus tuítes após o fato, em que ele afirma que, se fosse encontrado morto na prisão, ele teria sido assassinado, e não se suicidado.

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Fonte: Canaltech

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