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Polêmica na UE sobre vacina da Astra pode fragilizar bloco

Ian Wishart, Ania Nussbaum e Milda Seputyte
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A União Europeia se orgulha de normalmente sair mais forte das crises. Mas a distribuição caótica de vacinas no bloco pode ser exceção à regra.

A decisão de vários países de suspender a vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca por preocupações sobre segurança - contra a recomendação do regulador do bloco - expõe falhas no sistema que ameaçam enfraquecer a UE política e economicamente.

Segundo várias autoridades europeias, as decisões tomadas nas capitais não tiveram qualquer coordenação entre si ou com o executivo da UE em Bruxelas. Itália e França indicaram na terça-feira que avaliam reverter a suspensão. Mas o resultado parece ser um vale-tudo unilateral que pode prejudicar ainda mais a retomada da saúde econômica e a reputação do bloco.

“Parece uma decisão bastante descoordenada e espontânea, talvez por nervosismo político”, disse Guntram Wolff, diretor do think tank Bruegel, em Bruxelas, em entrevista à Bloomberg Television na terça-feira, referindo-se às suspensões originais. Ele disse que tais medidas foram “devastadoras” para a implementação rápida de vacinas.

O bloco de 27 países foi lento para iniciar a vacinação de seus 450 milhões de habitantes, especialmente em comparação com o Reino Unido pós-Brexit. A velocidade relativa com que o governo britânico imunizou a população, oferecendo a perspectiva de reabrir o varejo, empresas e até mesmo viagens ao exterior, tem sido a principal força por trás da recuperação da libra este ano. A libra esterlina atingiu a maior cotação em um ano em relação ao euro em fevereiro, o que pode criar a incômoda imagem de britânicos passando férias no continente e a um preço mais baixo.

A sensação de desorientação e pânico na UE aumentou esta semana, quando alguns países suspenderam o uso da vacina da AstraZeneca para examinar os possíveis efeitos colaterais, conforme surgiam casos de coágulos sanguíneos após a vacinação. A Agência Europeia de Medicamentos insistiu que o imunizante é seguro e disse que a medida arrisca minar a confiança nas vacinas. A agência deve divulgar uma orientação definitiva na quinta-feira.

A vacinação lenta terá um preço alto por manter negócios sob restrições por mais tempo, de acordo com Maeva Cousin, economista da Bloomberg Economics, que estima a perda econômica para cada semana de restrições em cerca de 3% do PIB. Isso quando a UE corre o risco de ser deixada para trás pelo enorme estímulo de US$ 1,9 trilhão do presidente dos EUA, Joe Biden, que pretende dar continuidade ao plano com um programa de infraestrutura.

Com as mortes de Covid em ascensão novamente e governos prolongando ou reforçando os lockdowns, as ramificações políticas da desordem em que a Europa se encontra são profundas.

O partido União Democrata Cristã da chanceler alemã, Angela Merkel, que deixará o cargo este ano após 16 anos no comando da maior economia da Europa, sofreu derrota histórica nas eleições estaduais no domingo, que foram um teste dos eleitores antes da votação federal de setembro. O apoio para sua coalizão despencou segundo pesquisa nacional semanal divulgada na quarta-feira em meio à lenta vacinação, e Merkel enfrenta pressão da oposição para demitir o ministro da Saúde após a suspensão do imunizante da AstraZeneca.

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