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Pode faltar insulina para os diabéticos até 2030, diz estudo recente

Apesar de existir há quase 100 anos, a insulina segue custando muito, principalmente para os cidadãos de países que enfrentam dificuldades financeiras (Pixabay)

Um dos medicamentos mais utilizados do mundo pode ficar mais escasso nos próximos anos, trazendo consequências grandes à população mundial. Um estudo publicado no periódico Lancet Diabetes and Endocrinology na última semana prevê que os pacientes diabéticos podem ficar sem insulina até 2030. Atualmente, 400 milhões de pessoas com idade entre 20 e 79 ano sofrem da diabetes de tipo 2, a forma mais comum da doença, mas acredita-se que em 12 anos esse número pode chegar a 500 milhões, causando escassez da substância.

“O acesso (à insulina) é definido como a combinação da disponibilidade do produto e se ele é acessível, Além da questão dos preços, também deve existir uma cadeia de abastecimento que consiga distribuir de forma segura uma droga refrigerada e tudo aquilo que a acompanha – como agulhas esterilizadas e seringas”, explica o médico Sanjay Basu, da Universidade de Stanford, nos EUA, à BBC.

Problemas

Apesar de existir há quase 100 anos, a insulina segue custando muito, principalmente para os cidadãos de países que enfrentam dificuldades financeiras. Apesar de mais de 90 países não cobrarem tarifas no medicamento, o valor segue alto. De acordo com os responsáveis pelo estudo, o preço do frasco nos Estados Unidos passou de US$ 40 para US$ 130 em 10 anos.

Segundo os pesquisadores, apenas três empresas dominam 96% do mercado mundial e 99% do valor obtido em vendas, o que contribui para a vulnerabilidade dos países, que possuem poucas opções de fornecedores. Atualmente, a insulina tem estoque baixo em seis países: Brasil, Bangladesh, Malauí, Nepal, Paquistão e Sri Lanka.

Qual é a solução?

“Em todo o mundo, problemas como a disponibilidade do produto e se ele é acessível ameaçam a vida e desafiam o direito à saúde”, conta David Henri Beran, dos Hospitais Universitários de Genebra e da Universidade de Genebra. Para os pesquisadores, os governos precisam trabalhar para aumentar o número de fornecedores e o preço do medicamento.  “Poucas coisas precisam ocorrer, incluindo o preço e a infraestrutura de distribuição”, detalha Basu.