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Pobreza no sul da Itália impacta eleições de domingo

O restaurante para pobres de Salerno, no sul da Itália, serve 140 refeições quentes todos os dias e, com os preços altos e a pobreza do sul da Itália, quase não dá para todos.

Caso se cumpra a promessa de abolir um dos programas de ajuda aos pobres, feita pela líder de extrema-direita Giorgia Meloni, cujo partido está entre os favoritos nas eleições legislativas de domingo, a situação pode piorar.

"Uma enxurrada de pessoas vai aparecer aqui", avisa Mario Conte, enquanto distribui comida não muito longe do Calçadão de Salerno, ao sul de Nápoles.

Como seus vizinhos europeus, a terceira maior economia da zona do euro enfrenta uma queda drástica do poder aquisitivo, mas as regiões do sul, com pobreza crônica e alto desemprego, são as mais afetadas.

"Tenho uma pensão muito baixa, pago aluguel e conta de luz. Não sobra nada para comer. Essa é a minha situação", resume Antonio Mela, de 60 anos, um ex-barista que mora com o irmão e sobrevive com uma pensão de 500 euros.

O custo da energia é a maior preocupação, já que o país depende do gás russo, principalmente da região da Campânia, onde os custos dos serviços públicos aumentaram.

Rocco Papa, porta-voz da organização humanitária católica Caritas, que ajuda Mario Conte, reconhece que a situação se agravou.

- Renda cidadã -

Este é um fenômeno que se espalha por toda Europa, mas a Itália, com uma população pouco qualificada e que envelhece rapidamente, é particularmente vulnerável.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a península é o único país da União Europeia (UE) onde os salários indexados à inflação caíram entre 1990 e 2020.

É também um dos seis países da UE sem salário mínimo nacional, mesmo que a Itália tenha implementado, desde 2019, a chamada "renda da cidadania", um salário mínimo para os mais pobres.

Cerca de 2,5 milhões de pessoas se beneficiam deste subsídio, o que representa uma média de 550 euros por mês. Em 2022, este dispositivo custou ao Estado em torno de 8,3 bilhões de euros (quase o mesmo valor em dólares).

A maioria dos beneficiários - 1,7 milhão de pessoas - vive no sul do país, incluindo Sicília e Sardenha, onde 10% das famílias vivem em pobreza absoluta.

Muito criticada, a "renda da cidadania" tem sido alvo de inúmeras fraudes, e alguns empresários reclamam que não conseguem encontrar funcionários, porque os jovens preferem esse reembolso ao trabalho.

A campanha eleitoral se apoderou do tema, e os Fratelli d'Italia (Irmãos da Itália), de extrema direita, partido de Meloni, prometeram aboli-la, sem mais nem menos.

- Salário mínimo -

“A renda da cidadania foi uma grande ajuda”, defende Mario Conte, de 70 anos, que acredita que, graças a isso, algumas pessoas deixaram de ir ao restaurante popular. O aumento dos preços dos alimentos duplicou nos últimos meses, porém, o número de pessoas que frequentam os refeitórios de Salerno.

A renda cidadã foi instituída pelo Movimento 5 Estrelas (M5S, antissistema), partido que chegou ao poder em 2018, após obter uma vitória eleitoral arrebatadora e inesperada no sul. Nesta campanha eleitoral, o movimento prometeu manter seus benefícios sociais e reforçar o salário mínimo.

Pesquisas mostram que o M5S perdeu força após quatro anos no poder.

A defesa dessa medida está se tornando chave para a votação de domingo nesta região do país. O Partido Democrático (PD, centro-esquerda) também quer mantê-lo, mas propõe reformá-lo, enquanto Meloni considera que não representa uma solução eficaz.

A pobreza "é combatida promovendo o crescimento e o emprego", declarou Meloni em uma manifestação recente.

Em vez disso, a líder pós-fascista oferece programas para pessoas em maior risco, com deficiência, idosos e famílias com crianças pequenas em dificuldades.

Sua coalizão - que reúne a Liga (anti-imigração), de Matteo Salvini, e o partido conservador Forza Italia, de Silvio Berlusconi - também prometeu cortes de impostos para estimular o crescimento.

el/kv/mb/tt