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PM ameaça moradores da Cidade de Deus após morte de marmorista Marcelo Guimarães

Redação Notícias
·4 minuto de leitura
People are seen demonstrating against a military police of the state of Rio de Janeiro, Brazil, on January 4, 2021 in the neighborhood of Cidade de Deus, west zone of the city of Rio de Janeiro, act occurred due to the death of an identified resident like Marcelo Guimarães, 38 years old, who passed by motorcycle at the moment when police and drug dealers were in the conflict, this morning. (Photo by Allan Carvalho/NurPhoto via Getty Images)
Manifestação contra a PM após a morte de Marcelo Guimarães. (Foto de Allan Carvalho / NurPhoto via Getty Images)

Um policial militar do 18º BPM (Batalhão da Polícia Militar), localizado em Jacarepaguá, postou nas redes sociais uma ameaça aos moradores da Cidade de Deus após a morte do marmorista Marcelo Guimarães, de 38 anos.

Marcelo foi baleado e morto em um dos acessos à comunidade, em um viaduto embaixo da Linha Amarela, na zona Oeste do Rio de Janeiro, na manhã de segunda-feira (4). Moradores e testemunhas acusam policiais militares que estavam em um Caveirão de efetuar o único disparo que matou o marmorista.

Em nota, a PM apresentou uma versão de que informou a vítima foi atingida durante um confronto com criminosos, na Avenida Edgard Werneck, em Jacarepaguá.

Postagem do PM com ameaça moradores após morte de marmorista. (Foto: Reprodução)
Postagem do PM com ameaça moradores após morte de marmorista. (Foto: Reprodução)

“Vocês que estão achando que foi a PM que matou o rapaz embaixo da linha amarela (...) não foi nenhum dos meus. Já estou com dois Caveirões e trinta e oito policiais na base, Se sair para fazer gracinha, vão se machucar!”, escreveu o PM.

A postagem foi feita por um PM que afirmava estar de “fiscal de dia” do batalhão — uma espécie de autoridade do destacamento — e defende a tropa. A postagem foi apagada depois. À TV Globo, a PM afirmou que convocou o militar para depor e que um procedimento foi aberto.

INQUÉRITO ABERTO E PERÍCIAS

A Polícia Civil instaurou inquérito na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) para apurar a morte de Marcelo Guimarães. Em nota, a PM informou que, além das investigações da DHC, serái aberto um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias da morte de Marcelo.

“Não houve operação da PM no local. Marginais rechaçaram com disparos nosso blindado, que vem sendo posicionado no local para dissuadir possíveis investidas. Nesse contexto foi atingido um motociclista que vinha saindo da comunidade e, pela posição dos disparos, é improvável que tenha sido vitimado pelas guarnições da PM”, disse o coronel André Silveira, comandante do 18º BPM.

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Em depoimento, um dos policiais confessou que atirou de dentro do blindado porque queria dar cobertura para que outro policial, do lado de fora, conseguisse se abrigar dentro do veículo.

O blindado da PM que estava nas proximidades quando Marcelo foi baleado passou por uma perícia na DHC, na manhã desta terça. Parentes da vítima estão na especializada.

Dois fuzis que estavam com agentes do 18º BPM foram apreendidos e enviados para a perícia. Um projétil será comparado a essas armas. As armas, de calibre 7,62, serão confrontadas com a munição do cartucho encontrado no local. Uma irmã de Marcelo alegou ter encontrado um cartucho do mesmo calibre próximo do corpo dele.

O governador em exercício Cláudio Castro prestou, nesta terça-feira, em seu perfil no Twitter, solidariedade à família de Marcelo.

Ele disse que é seu "compromisso estar perto do cidadão nesse momento de dor" e que determinou que a Subsecretaria de Vitimados acompanhe os familiares e amigos do Marcelo. Acrescentou que "todas as circunstâncias em que este crime ocorreu estão sendo apuradas, e os envolvidos serão punidos".

A MORTE DE MARCELO GUIMARÃES

Marcelo Guimarães seguia de sob um viaduto da Linha Amarela quando foi atingido por um tiro. Ele morreu na hora. O marmorista voltava para casa após deixar seu filho de 5 anos em sua primeira aula na escolinha de futebol.

A família de Marcelo nega ter havido confronto e afirma que o tiro que o matou foi disparado de dentro do Caveirão.

Uma pessoa contou à polícia que viu quando o marmorista foi atingido. Segundo a testemunha, o disparo foi a curta distância e partiu do blindado da PM que estava parado sob um viaduto da Linha Amarela.

People are seen demonstrating against a military police of the state of Rio de Janeiro, Brazil, on January 4, 2021 in the neighborhood of Cidade de Deus, west zone of the city of Rio de Janeiro, act occurred due to the death of an identified resident like Marcelo Guimarães, 38 years old, who passed by motorcycle at the moment when police and drug dealers were in the conflict, this morning. (Photo by Allan Carvalho/NurPhoto via Getty Images)
O caso culminou numa manifestação que chegou a interromper o trânsito na Linha Amarela. Para esta terça-feira, foi marcado um protesto às 17h no local da morte de Marcelo. (Foto de Allan Carvalho / NurPhoto via Getty Images)

“Dois policiais entraram no caveirão segundos antes de o Marcelo passar de motocicleta. Eu vi o momento em que o cano de uma arma saiu (de uma das portilhas do veículo) e o disparo foi feito. Acertou em cheio o peito do rapaz.”

Após a morte, a Linha Amarela foi fechada no sentido Fundão e demais bairros da Zona Norte do Rio no início da tarde. Os manifestantes colocaram pedaços de madeira e de móveis na Estrada do Gabinal, que dá acesso à Avenida Ayrton Senna.

O enterro acontecerá no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte, nesta terça-feira (5). Marcelo era casado há 21 anos e tinha dois filhos — o caçula, de 5 anos, ainda não sabia da morte do pai até a manhã desta terça e perguntou por ele.