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Brasileiros criam plataforma para combater coronavírus

·3 min de leitura
Foto: AP Photo/Vincent Yu
Foto: AP Photo/Vincent Yu

Por Matheus Mans

Uma das principais dificuldades enfrentadas por governos e organizações de saúde, durante a atual crise do coronavírus, é compreender melhor a doença, os sintomas, como o vírus se comporta e, principalmente, como medicar os infectados. Assim, a principal arma para combater a doença que já matou milhares na China é a informação correta e precisa.

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Vendo a dificuldade dessas instituições ao redor do mundo em avançar em conhecimento sobre o coronavírus, as startups brasileiras Livon Saúde e Raioss apostaram em uma solução digital e global. É a Coronacases, plataforma que busca opiniões médicas e científicas sobre a doença. Uma espécie de fórum para discutir suspeitas e casos reais.

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“A grande causa da mortalidade do coronavírus é a falta de conhecimento”, afirma o médico Rodrigo Tanus, CEO da startup Livon Saúde, uma das criadoras da plataforma. “Ao se deparar com um caso de coronavírus, o médico não sabe como lidar com o diagnóstico. Ele só dá um suporte ao paciente e entra numa medida de contenção. Não há uma solução”.

Como funciona

A plataforma quer atrair médicos, de todas as línguas e países, para centralizar a discussão. Para isso, os profissionais entram, fazem um cadastro e compartilham as suas informações. Do outro lado, a comunidade médica pode discutir em cima daquela história, analisar exames, compreender melhor o cenário do paciente e fornecer ajuda mútua.

Como diferencial, a Coronacases fornece, dentro da própria plataforma, o DICOM, um serviço especializado de leitura de raio-x, seguindo parâmetros internacionais -- aliás, é a especialidade da startup Raioss, que desenvolve inovação na área de radiologia. “Somos únicos no mundo e é difícil copiar essa inovação da Raioss”, afirma Rodrigo Tanus.

A plataforma entrou há menos de uma semana no ar. Agora, a batalha dos criadores -- que ressaltam não ter interesses financeiros no negócio -- é alcançar médicos, cientistas e farmacêuticos ao redor do mundo. A China, epicentro da epidemia, ainda fornece um grave complicador ao não ter uma internet aberta, sem sites como Facebook, Google e YouTube.

“Estamos em contato constante com colegas de fora do País e estamos começando a explorar as redes sociais chinesas para divulgar a plataforma. Até publicamos o nosso vídeo de apresentação no Youku, o YouTube de lá”, explica Rodrigo ao Yahoo. “As informações que eles possuem podem ajudar no tratamento em países no início da crise”.

Planejamento

Como a plataforma acabou de ser lançada, ainda não há números a serem divulgados. No entanto, a projeção de Rodrigo é otimista. Segundo ele, a ideia é alcançar 2 mil casos imputados na plataforma. Dessa forma, o médico e empreendedor acredita que o surto do coronavírus poderá ser mais brando do que o H1N1, que causou pânico na última década.

“Na época do H1N1, demoraram meses para descobrir que a causa da morte era uma infecção bacteriana secundária. Só seis meses depois que entenderam a importância de entrar com antibiótico”, explica. “Foi um total de dois anos e dez meses para a contenção da epidemia. Queremos ajudar, de alguma forma, que a informação trafegue mais rápido”.

Depois que a Coronacases servir ao seu propósito, a ideia da Livon Saúde e da Raioss é usar a plataforma para ajudar no diagnóstico de outras doenças difíceis e raras. “Não iremos parar”, afirma Rodrigo Tanus. “Podemos servir para que médicos discutam um câncer de mama específico, uma doença auto-imune. Queremos ajudar vidas e pessoas”.

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