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Planos de Wall Street para Brexit paralisados por vírus

Viren Vaghela, Stefania Spezzati e Silla Brush

(Bloomberg) -- Gigantes do setor bancário dos Estados Unidos ainda precisam entregar um plano do Brexit para transferir funcionários pelo Canal da Mancha, antes que uma segunda possível onda da Covid-19 obrigue a Europa a fechar as portas novamente.JPMorgan Chase, Morgan Stanley e Goldman Sachs perderam meses preciosos durante as quarentenas da pandemia, quando poderiam ter transferido funcionários para centros financeiros da União Europeia. Com as negociações do Brexit em um impasse e o tempo se esgotando para o prazo que acaba no fim do ano, empresas finalmente retomam os antigos planos para transferir equipes em Londres, mas agora percebem que não podem agir rápido o suficiente.“Realocar funcionários durante um segundo pico é uma preocupação”, disse Peter Bevan, sócio do escritório de advocacia Linklaters. “Durante os bloqueios, algumas pessoas ficaram presas no lugar errado e reguladores entendem isso, mas se você estiver falando de uma equipe inteira presa no local e que reguladores querem que seja transferida, isso tornará a conversa mais difícil.”

Bancos estrangeiros administram quase metade de todos os ativos bancários no Reino Unido, de acordo com dados de 2015 da Prudential Regulation Authority. No entanto, o êxodo de Londres para o continente foi muito menor do que o esperado após a votação do Brexit. As empresas haviam transferido cerca de mil pessoas até setembro passado, em comparação com previsão de 7 mil da consultoria EY.

Representantes do JPMorgan, Morgan Stanley e Goldman não comentaram.

A BaFin, agência reguladora do setor financeiro na Alemanha, disse à Bloomberg que pouco havia mudado desde fevereiro. O presidente da agência, Felix Hufeld, disse que os bancos haviam completado mais de 80% do processo necessário para lidar com o Brexit do ponto de vista jurídico e técnico. Mas, quando se trata de transferir negócios de clientes para centros da UE, os bancos completaram, em média, menos de 30% do processo, disse.

Alguns funcionários do setor financeiro que vão trabalhar nas subsidiárias do Brexit na Europa ainda estão fisicamente em Londres, mas possuem contratos de trabalho europeus, já que o surto de coronavírus paralisou os planos de mudança, disseram pessoas com conhecimento dos planos dos bancos.

Políticos evitaram um Brexit duro no ano passado e ainda podem fechar um acordo comercial. Nas últimas 24 horas, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tentaram retomar as conversas. Mas, nos bastidores, autoridades de Bruxelas e Londres dizem que estão focadas em chegar a um acordo entre meados de agosto e uma cúpula de líderes da UE prevista para meados de outubro.

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