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Plano de saúde individual pode subir 16%, a maior alta em 23 anos

·3 min de leitura
*** FOTO DE ARQUIVO *** São Paulo, SP, Brasil, 08-02-2019: Still Mercado. Calculadora de celular. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
*** FOTO DE ARQUIVO *** São Paulo, SP, Brasil, 08-02-2019: Still Mercado. Calculadora de celular. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Os planos de saúde individuais devem ficar quase 16% mais caros, segundo estimativas do setor. O reajuste oficial referente ao período de maio de 2022 a abril de 2023 ainda não foi divulgado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), mas deve ser anunciado até junho.

Se confirmada, essa seria a maior alta desde 2000, quando entrou em vigor o modelo atual de reajuste. O percentual mais alto autorizado pela ANS até hoje foi de 13,57% em 2016.

Em 2021, pela primeira vez, os planos individuais tiveram reajuste negativo (-8,19%). Isso aconteceu principalmente devido à queda na utilização dos serviços da saúde suplementar e a consequente redução das despesas assistenciais em 2020 em virtude da pandemia.

Para determinar o reajuste anual, a ANS leva em conta a variação das despesas com atendimento aos beneficiários de planos de saúde (com peso de 80% sobre o cálculo) e a inflação acumulada no ciclo anterior (com peso de 20%).

Uma vez anunciado o percentual máximo de reajuste, as operadoras poderão subir os preços dos planos individuais a partir data de aniversário do contrato --isto é, no mês de contratação do plano. A alta poderá acontecer até abril de 2023.

O reajuste divulgado pela ANS não vale para planos coletivos empresariais e por adesão. Segundo a agência reguladora, 8,9 milhões de pessoas têm planos individuais de saúde no Brasil.

A Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde) estima que o reajuste para 2022 será de 15,8%.

"Em 2021, as despesas superaram e muito as de 2020, como resultado da elevada taxa de ocupação hospitalar ocasionada por dois principais motivos: a retomada dos atendimentos adiados no ano anterior e a segunda onda da Covid-19, muito maior do que a primeira", afirma a associação.

Segundo a Abramge, a inflação mundial de insumos (materiais, equipamentos e medicamentos) e a alta do dólar também impactaram o setor.

A FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar) projeta um reajuste de 15,7%, com base na atual metodologia de cálculo e nas informações das operadoras até o quarto trimestre de 2021.

"O aumento de itens diversos, como o preço de medicamentos e insumos médicos, a forte retomada dos procedimentos eletivos, o impacto de tratamentos de Covid longa e a incorporação de novas coberturas obrigatórias aos planos de saúde, como medicamentos e procedimentos, impactam diretamente no reajuste", diz.

A FenaSaúde afirma ainda que, se confirmada a projeção, o reajuste total nos dois últimos anos ficaria em 6,22% (considerando a queda de preços em 2021), abaixo da inflação geral acumulada no período, que passa de 16%.

*

Veja o histórico de reajustes dos planos de saúde individuais pela ANS

Ano; Reajuste

2021; -8,19%

2020; 8,14%

2019; 7,35%

2018; 10%

2017; 13,55%

2016; 13,57%

2015; 13,55%

2014; 9,65%

2013; 9,04%

2012; 7,93%

2011; 7,69%

2010; 6,73%

2009; 6,76%

2008; 5,48%

2007; 5,76%

2006; 8,89%

2005; 11,69%

2004; 11,75%

2003; 9,27%

2002; 7,69%

2001; 8,71%

2000; 5,42%

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