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Planeta pode ter sido descoberto por observação direta na estrela Alpha Centauri

Daniele Cavalcante
·5 minuto de leitura

Uma equipe de astrônomos do projeto Breakthrough Watch anunciou a observação de um candidato a exoplaneta (ou seja, um mundo que orbita outra estrela que não o Sol) no sistema Alpha Centauri. Embora a possível descoberta de um novo planeta seja sempre interessante, o que realmente chama a atenção nessa notícia é que este pode ser o primeiro mundo na zona habitável de uma estrela a ser observado diretamente.

Atualmente, existem dois principais métodos para detectar novos candidatos a planetas: o método doppler e o método de trânsito planetário — sendo este último o mais eficaz após o lançamento de instrumentos como os observatórios Kepler e Hubble. Nesses métodos, os astrônomos observam dados obtidos de uma estrela e verificam se eles denunciam a presença de um mundo em sua órbita, ou seja, trata-se de uma observação indireta.

No caso da descoberta da equipe do Breakthrough Watch, pode ser que eles tenham obtido uma observação direta, ou seja, uma imagem real de um planeta na órbita da estrela Alpha Centauri A, que faz parte do sistema Alpha Centauri. Já faz algum tempo que estudos têm sido realizados para se determinar a possibilidade de existir um planeta ao redor dessa estrela, mas as dificuldades técnicas impediram o sucesso das pesquisas. Qual teria sido, então, o “truque” dos autores do novo estudo para encontrar um candidato a planeta?

Alpha e Beta Centauri são as duas estrelas brilhantes à esquerda. A olho nu, a Alpha Centauri é vista como uma única estrela, mas trata-se de uma dupla (Imagem: Reprodução/Roberto Mura)
Alpha e Beta Centauri são as duas estrelas brilhantes à esquerda. A olho nu, a Alpha Centauri é vista como uma única estrela, mas trata-se de uma dupla (Imagem: Reprodução/Roberto Mura)

Bem, em grande parte, o mérito vai para a organização Breakthrough Initiatives, que financia alguns projetos relacionados ao sistema Alpha Centauri. Através de uma parceria internacional, eles construíram um instrumento chamado NEAR (New Earths in the AlphaCen Region), que opera no Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO). Trata-se de um equipamento especialmente dedicado a observar esse sistema estelar, que é o mais próximo do Sol. Embora não seja um resultado conclusivo, o estudo foi publicado nesta quarta-feira (10) na revista Nature.

O sistema Alpha Centauri é formado pela dupla Alpha Centauri A e Alpha Centauri B — que são vistas no céu noturno como um único objeto, resultando na terceira estrela mais brilhante — e uma anã vermelha pequena, um pouco mais afastada, chamada Proxima Centauri. Existe um grande interesse em observar esse sistema porque ele é o mais próximo de nós, o que significa que as chances de encontrar algo por observação direta são grandes. Além disso, há algumas iniciativas, como a própria Breakthrough, dispostas a enviar sondas em direção a esse trio de estrelas.

Essa busca tem sido promissora. A existência de um exoplaneta na órbita da Proxima Centauri, chamado Proxima b, já foi confirmada, e atualmente os astrônomos tentam comprovar a presença de um segundo mundo nessa mesma estrela. Pete Klupar, engenheiro-chefe da Breakthrough Initiatives, explica que, embora sejam as estrelas mais próximas de nós, elas também são de difícil observação. “É como procurar uma agulha no palheiro, e é por isso que ninguém nunca fez isso antes”, disse. Por isso, o NEAR foi construído, e ele já demonstrou sua capacidade de obter imagens diretas do que há na órbita dessas estrelas.

É um planeta?

A dupla Alpha Centauri A e Alpha Centauri B (Imagem: Reprodução/ESO/L. Calçada/Nick Risinger)
A dupla Alpha Centauri A e Alpha Centauri B (Imagem: Reprodução/ESO/L. Calçada/Nick Risinger)

Para conseguir este resultado, a equipe precisou de 100 horas de observações, em um total de 10 noites em meados de 2019. Em junho daquele ano, a equipe examinou essas observações e encontrou um pequeno ponto luminoso, emitindo um brilho muito acima do ruído de fundo captado pelo NEAR. A equipe do Breakthrough Watch estima que, se for de fato um planeta, teria o tamanho entre Netuno e Saturno, e, portanto, gasoso. E melhor ainda, estava na zona habitável (uma determinada distância da estrela onde a água em estado líquido poderia existir) da Alpha Centauri A.

Contudo, a suspeita não pode ser tratada como uma descoberta real. Para se certificar de que existe mesmo um planeta por ali, os astrônomos precisariam de mais observações e eliminar outras possibilidades, como estrelas ao fundo, outros tipos de objetos cósmicos, ou mesmo um ruído anormal. Além de descartar todas essas probabilidades, é necessário observar uma órbita completa do candidato a planeta, ou seja, esperar que o suposto objeto apareça de novo no mesmo lugar, indicando que ele gira ao redor da estrela. Às vezes, os astrônomos descobrem planetas que completam uma órbita em poucos dias, mas há mundos que levam décadas para completar uma volta ao redor da estrela.

Pois bem, a equipe do Breakthrough Watch estava disposta a esperar para confirmar que se trata mesmo de um planeta, antes de anunciar qualquer coisa. Só que houve um problema: a pandemia de COVID-19 fez com que os observatórios tivessem que fechar as portas por tempo indeterminado. A equipe solicitou mais tempo para usar o NEAR no VLT, mas a proposta ainda não foi aprovada. Isso significa que pode levar algum tempo para que a existência desse planeta seja comprovada — ou não. Aliás, Kevin Wagner, principal autor do artigo, prefere que o resultado seja negativo, porque ele gostaria que o planeta na zona habitável da estrela seja um mundo rochoso, e não algo gasoso semelhante a Netuno, que é a estimativa de acordo com os dados coletados.

Este início de ano seria o momento perfeito para observar novamente em busca de um sinal que confirme o movimento ao redor do Sol, considerando que ele esteja na zona habitável da Alpha Centauri A. Se este planeta for confirmado, mesmo que nos próximos meses, será a primeira descoberta de um mundo na zona habitável de uma estrela através do método de observação direta, e essa seria uma ótima notícia para a equipe do Breakthrough Watch — e para os investidores do projeto.

Seja como for, os pesquisadores já estão felizes de poder demonstrar as capacidades do NEAR de obter imagens tão detalhadas do sistema vizinho. Na verdade, ele é o único coronógrafo (instrumento que mede a corona estelar) capaz de obter imagens dos planetas de Alpha Centauri, já que foi construído justamente para isso. Esse já é um grande avanço que pode trazer grandes notícias no futuro.

Fonte: Canaltech

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