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Pix tem problemas pontuais em fase de testes, diz diretor do BC

ISABELA BOLZANI
·2 minuto de leitura
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 01.10.2020 - Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, posa para fotos na sala do Copom na sede da sigla, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 01.10.2020 - Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, posa para fotos na sala do Copom na sede da sigla, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O diretor de organização do sistema financeiro e resolução do Banco Central, João Manoel Pinho de Melo, afirmou nesta segunda-feira (9) que a abertura controlada para o uso do Pix é necessária para testar o sistema.

"Fazemos essa abertura porque sabemos que terão problemas. Nós não sabemos quais são, mas sabemos que problemas pontuais vão existir. Mas é difícil saber quais são e antecipá-los. Por isso tivemos duas semanas de testes com os participantes do mercado", afirmou o diretor em evento virtual promovido pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

Segundo o diretor de inovação, produtos e serviços bancários da federação, Leandro Vilain, os problemas que foram encontrados durante os testes para implementação do novo sistema do Banco Central já foram corrigidos.

"Eram problemas muito pontuais, como um banco não conseguindo ler a agência do outro porque tinha zeros à esquerda, por exemplo. Coisas que foram corrigidas em menos de 30 minutos", disse.

Só na última sexta-feira (6), o Pix registrou mais de 57 mil transações, que somaram R$ 21,1 milhões -o maior volume transacionado pelo novo sistema até agora. No final de semana, foram 19,5 mil transações, que totalizaram R$ 4,2 milhões.

"A partir de hoje começaremos a aumentar os volumes para estar tudo pronto e, no dia 16, iniciaremos tudo", disse Vilain.

O presidente da Febraban, Isaac Sidney, afirmou ainda que a entrada em operação do Pix deve ter impacto limitado nas receitas bancárias.

"Temos dados concretos de que cerca de 60% das contas transacionais já são isentas de tarifas. No restante, 40%, uma parte significativa também não paga nada, seja pelo relacionamento com o banco ou porque tem um pacote contratado que não cobra essas taxas. Não é o Pix que vai fazer com que haja uma grande perda de receita bancária", disse.

Em termos de segurança, Pinho de Melo afirma que as instituições financeiras já têm camadas para proteger tanto quem paga quanto quem recebe.

"Se uma conta for suspeita do lado recebedor, a instituição já tem um instrumento para bloquear o recebimento porque, para ela, é custoso ter que fazer todo o processo de devolução depois. E isso é comunicado automaticamente para o Banco Central, que marca aquela conta para todos os integrantes do sistema", disse.

Ele afirma ainda que é normal que o consumidor ainda tenha receio do instrumento, mas que com o tempo isso deve diminuir.

"Os procedimentos de segurança são os mesmos observados em outros meios de pagamento, como TED e DOC. O Pix também está em um ambiente controlado. Todos os cuidados que os usuários têm que tomar com os meios de pagamento atuais quando fazem uma compra online ou uma transferência, por exemplo, também terão que ser tomados com o Pix. São os cuidados normais para se evitar fraudes", afirmou Pinho de Melo.