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Conheça 7 esquemas de pirâmide financeiras que entraram para a história

Charles Ponzi, o mentor do primeiro grande esquema de pirâmide financeira (The Boston Globe via Getty Images)

Diz a sabedoria popular que sete é conta de mentiroso. E iludidas por promessas de lucros fáceis, milhões foram enganados por meia dúzia de vigaristas. Ou melhor, sete deles. O esquema de pirâmide financeira traz a ideia falsa de ganhar dinheiro fácil e é proibido no Brasil. Confira os principais esquemas que levaram empresas e milhões a perderem muito dinheiro.

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Ponzi, o pioneiro

Parecia um investimento promissor em 1920: 50% de rendimento em 45 dias e 100% em 3 meses. Assim o ítalo-americano Charles Ponzi convenceu milhares de norte-americanos a comprar cupons postais estrangeiros e trocar por selos dos EUA a valores maiores. Só que o dinheiro vinha dos depósitos de novos membros e não dos cupons. O esquema ruiu em seis meses, Ponzi foi preso e deportado para a Itália antes de mudar para o Brasil e morrer na pobreza, em 1949. O sobrenome Ponzi virou sinônimo de esquema de pirâmide.

Bernie Madoff, o maior de todos

Bernie Madoff comandou a maior fraude financeira da história, com prejuízos estimados em até US$ 65 bilhões (REUTERS/Brendan McDermid/ARQUIVO)

Por pelo menos 16 anos, Bernie Madoff “cuidou” do dinheiro de famosos do show business, do mercado financeiro e de instituições com promessas de rendimento mensal de 1%. O resultado? Prejuízos acumulados de US$ 65 bilhões, prisão de Bernie Madoff em 2008, pena de 150 anos e suicídio do seu filho, Mark, em 2010. Em 2017, sua história foi contada no filme 'O Mago das ‘Mentiras’, no qual foi interpretado por Robert De Niro.

Paulo Roberto Andrade, o “engordador”

Nos intervalos de ‘O Rei do Gado’, sucesso em meados da década de 1990, o ator e protagonista Antônio Fagundes se tornava garoto-propaganda das Fazendas Reunidas Boi Gordo. Prometendo rendimentos de 42% em 18 meses a partir da comercialização de bezerros para engorda, ele faturava mesmo era com a entrada de novos investidores e lesou 30 mil pessoas em cerca de US$ 4 bilhões. Paulo Roberto Andrade, mentor do esquema, foi multado em R$ 20 milhões e proibido de administrar companhias abertas por 20 anos.

Jerson Maciel Da Silva, o mestre avestruz

No início do século XXI, mais de 40 mil pessoas - a maioria de Goiás - decidiram investir na criação de avestruzes. A empresa Avestruz Master, que intermediava a compra de aves e prometia adquiri-las dos investidores em até 18 meses, com lucro garantido. Com forte campanha publicitária, teria vendido 600 mil aves quando na verdade tinha apenas R$ 38 mil. A Avestruz Master faliu em 2005 e foram presos o presidente Jerson Maciel da Silva, sua esposa, seu genro e dois filhos, além de indenizar as vítimas em R$ 100 milhões.

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James Matthew Merrill, a voz da culpa da TelexFree

Em tempos pré-whatsapp, a TelexFree oferecia o Voip (Voice Over IP), que permitia ligações telefônicas via internet. A empresa brasileira Ympactus Comercial se apresentava como filial da TelexFree americana, tão suspeita que nem sede física tinha. James Matthew Merrill admitiu a fraude à justiça de Massachusetts em 2016. No Brasil, a TelexFree chegou a patrocinar a equipe de futebol do Botafogo em 2014 e estima-se que deva mais de R$ 3 bilhões aos investidores. Em 2019, a “filial” brasileira teve a falência decretada.

Dona Branca, a “Banqueira do Povo” que enganou milhares de portugueses

De origem pobre e sem formação básica, Maria Branca dos Santos desenvolveu um esquema que funcionava a partir do recrutamento de investidores no qual quem indicava tinha 10% do valor investido pelo novo membro, além de empréstimos a juros altíssimos. Iniciado na década de 1970, o esquema chegou ao ápice no início da década de 1980 até desmoronar. Dona Branca foi presa em 1984 e condenada a 10 anos de cadeia, mas a pena foi reduzida por conta da saúde debilitada. Morreu em 1992, cega e na miséria.

Ioan Stoica, o grande golpista do Leste Europeu

Até onde vai a capacidade de enganar tanta gente de uma só vez? Em 1992, no frescor do desmoronamento dos regimes comunistas do Leste Europeu, Ioan Stoica surfou na onda da “conversão” para o capitalismo e convenceu entre um décimo e um terço (ou até metade, segundo algumas estimativas) da população romena a entrar na Caritas, pirâmide que prometia multiplicar oito vezes a quantia aplicada em apenas três meses. Estima-se que até US$ 5 bilhões circularam na pirâmide antes do esquema ruir.