Piora externa leva Bovespa ao 4º dia de queda

A piora do cenário internacional, somada a questões internas que têm castigado a Bovespa nos últimos dias, levaram o Ibovespa a encerrar no vermelho pela quarta sessão seguida. No ambiente corporativo, a queda do dólar ante o real penalizou as empresas exportadoras de matérias-primas, sobretudo a Vale, que recuou quase 3%. A pressão vendedora nesta quinta-feira também foi motivada por um fator técnico: a proximidade do vencimento de índice Bovespa futuro, na quarta-feira (13) após o feriado de carnaval. Com isso, o principal índice da Bolsa renovou a pontuação mínima de 2013 e se aproximou dos 58 mil pontos. A queda das ações das companhias foi generalizada, sendo que apenas 13 das 69 companhias do Ibovespa terminaram no azul.

O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira em declínio de 0,98%, aos 58.372,46 pontos, no menor nível desde 3 de dezembro do ano passado (58.202,35 pontos). Durante a manhã, a Bovespa chegou a ensaiar um pregão de recuperação técnica, quando marcou a máxima de 59.435 pontos (+0,82%).

No entanto, a abertura das bolsas de Nova York no vermelho e o comunicado do Banco Central Europeu (BCE), após sua reunião de política monetária, fizeram a Bolsa brasileira inverter a tendência de valorização e bater a mínima do dia, com recuo de 1,42%, aos 58.116 pontos. O giro financeiro somou R$ 8,104 bilhões (dado preliminar). No mês de fevereiro, a Bovespa acumula queda de 2,32% e, no ano, desvalorização de 4,23%.

"A perspectiva geral da economia não está boa e, internamente, há vários fatores que deixam o investidor reticente em relação ao mercado doméstico, como a tão citada ingerência do governo", avalia o gerente da mesa de renda variável da H. Commcor, Ari Santos. Segundo o profissional, é preciso estar atento às bolsas norte-americanas, que têm batido máximas e, portanto, é normal que sofram alguma realização de lucro no futuro. "Se Nova York realizar e nos pegar fragilizados, podemos cair mais", observa.

O profissional acrescenta que o vencimento de índice Bovespa futuro, na quarta-feira após o feriado, é um fator adicional de pressão e volatilidade sobre a Bolsa na sessão desta quinta. "O estrangeiro está bem vendido no mercado futuro, o que favorece a rolagem. Hoje e amanhã os investidores vão fazer rolagem para destravar a aposta no índice futuro", prevê.

A Petrobras continua sendo castigada por seus resultados financeiros, divulgados no início da semana, e pela deterioração das expectativas para a produção da estatal no ano. As ações ON e PN fecharam em queda de 1,77% e 0,57%, respectivamente.

A Vale, que na quarta-feira (06) subiu e ajudou a amenizar a queda da Bolsa, nesta quinta voltou a pressionar o índice, penalizada pela desvalorização da moeda norte-americana. As ações ON registraram perda de 2,79%, enquanto as PNA cederam 2,70%.

A queda acelerada do dólar, após o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, mostrar-se preocupado com o cenário de inflação no Brasil, também prejudicou outras exportadoras que integram a carteira teórica do Ibovespa, como Suzano PNA, que liderou as perdas do dia ao recuar 5,42%, e Fibria ON, com declínio de 3,26%.

Por outro lado, se sobressaíram as empresas que divulgaram resultados: ALL ON (+4,41%), que apresentou sua prévia operacional, e Cosan ON (+3,17%). Outros destaques de valorização do dia foram Natura ON (+2,72%), OGX ON (+1,89%) e Oi PN (+1,66%).

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