O pior da inflação de alimentos passou, diz Sekular

A aceleração do grupo Alimentação no âmbito do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro surpreendeu o economista-chefe da Mauá Sekular, Rodrigo Melo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os preços dos alimentos subiram 1,36% no mês passado, contra 1,26% em setembro. A alta ficou acima da esperada pela Mauá, que era de 1,27%. A estimativa da instituição para o IPCA, contudo, era de um aumento de 0,56%, enquanto o IBGE informou que houve elevação de 0,59% no índice cheio em outubro. "O pior momento da inflação de alimentos aparentemente passou", disse há pouco, em entrevista à Agência Estado.

De acordo com Melo, tanto as pesquisas semanais como o índice de preços das commodities reforçam sua análise de que o ápice de alta dos alimentos ficou para trás. O economista, contudo, ressalta que os próximos meses reservam uma sazonalidade "ruim", quando a demanda tende a aumentar em razão do Natal, o que pode incomodar a inflação. A dúvida, disse, é se haverá aumento nos preços das carnes, mas, por enquanto, as coletas não sugerem pressão de alta.

"A priori, em dezembro a inflação é mais elevada do que em novembro, mas a tendência é de que seja menor do que a de outubro", afirmou, acrescentando que ainda não calculou o IPCA de novembro, mas que o índice poderá ficar próximo a 0,50%. Para o fim de 2012, a taxa poderá fechar em torno de 5,30%, conforme a Mauá.

Além da expectativa de menor influência dos itens alimentícios sobre o IPCA dos próximos meses, o grupo Vestuário também poderá permitir um índice cheio um pouco menor ante outubro, disse Melo.

Segundo ele, o avanço do grupo Alimentação no mês passado se deu, em parte, pelo aumento do item refeição fora do domicílio (0,70%), que foi reflexo do aumento dos itens alimentícios nos últimos meses. "Tem também um componente que foi a inflação de serviços", completou.

Do lado oposto, Melo não contava com uma deflação em energia elétrica, de 0,24%, contra elevação de 0,83% em setembro. "Isso mais ou menos compensa o que teve a mais de inflação, principalmente da gasolina (de -0,13% para +0,75%)", avaliou.

Mesmo com a aceleração do IPCA na passagem de setembro para outubro (de 0,57% para 0,59%), o economista mantém a expectativa de estabilidade na taxa de juro básica (Selic) nos próximos meses, em 7,25% ao ano.

Ele também acrescentou que o quadro para a política monetária não deve mudar, apesar das dúvidas relacionadas ao impacto da desoneração nas tarifas de energia elétrica na inflação em 2013. Pelas suas estimativas, a inflação de 2013 deverá ser menor do que a de 2012, ficando um pouco acima de 5,00%. "Não (será) grave o suficiente para reverter o cenário", disse.

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