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Pimentas e abraços: as inspirações dos vencedores do Prêmio Nobel de Medicina

·3 minuto de leitura
Ardem Patapoutian e David Julius, ambos vencedores do Prêmio Nobel de Medicina de 2021 (AFP/Handout, Noah Berger)

David Julius caminhava por um corredor de supermercado cheio de molhos de pimenta quando virou para a esposa, também cientista, e disse que achava que era hora de finalmente descobrir como certos produtos químicos causam a sensação de calor.

"Bem, então você deve começar a trabalhar", foi a resposta dela.

Enquanto isso, Ardem Patapoutian há algum tempo buscava descobrir os esquecidos mistérios do tato, que governam tudo, desde como discriminamos objetos e como nos sentimos quando abraçamos outra pessoa, até como nossos corpos intuitivamente "sabem" onde estão nossas membros, sem olhar para eles.

Os dois biólogos moleculares americanos ganharam o Prêmio Nobel de Medicina por seus avanços revolucionários, feitos de forma independente no final dos anos 1990 e 2000, e agora são usados no desenvolvimento de tratamentos, especialmente para a dor.

Julius, da Universidade da Califórnia, em San Francisco, disse a repórteres que sempre foi fascinado pela forma como as pessoas interagem com produtos naturais em seu ambiente e como certas plantas contêm irritantes químicos, como as especiarias.

Pesquisas anteriores haviam mostrado que a capsaicina é um ativador importante dos neurônios envolvidos na dor, mas o mecanismo subjacente não estava claro.

Julius descobriu em 1997 a proteína específica na ponta externa dos nervos sensoriais, responsável pela sensação de queimação provocada pela pimenta malagueta, e descobriu que ela também respondia a altas temperaturas.

Ele então se voltou para compostos de mentol e hortelã para identificar "receptores" semelhantes responsáveis pelo frio e usou moléculas de wasabi para aprender sobre a dor inflamatória.

“Gosto de fazer ciência experimental porque você pode trabalhar com as mãos enquanto também está pensando, e isso lhe dá a oportunidade de realmente aproveitar o que está fazendo no dia a dia, quase como um hobby”, explicou.

"Há um momento em que você faz uma descoberta, em que você é a única pessoa no planeta, ou pelo menos pensa que é a única pessoa no planeta que sabe a resposta para uma determinada pergunta, e esse é um momento realmente emocionante".

Vários medicamentos candidatos estão sendo desenvolvidos para amenizar a dor crônica, mas até agora enfrentam efeitos colaterais desafiadores.

"É preciso caminhar nessa linha de querer inibir a dor que é crônica (...) mas não eliminar a sensação de dor protetora ou aguda", disse Julius.

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Patapoutian, da Scripps Research, também fez descobertas relacionadas à temperatura, mas sua pesquisa sobre pressão ganhou maior destaque.

Especificamente, o cientista encontrou dois genes responsáveis por converter pressão em sinais elétricos por meio de testes em células cultivadas em laboratório.

Foi um progresso árduo feito com a exclusão de um gene após o outro. "Depois de trabalhar nisso por um ano inteiro e obter um resultado negativo após o outro, o 72º candidato ... eliminou essa capacidade", disse ele em um evento para a imprensa.

Patapoutian, de ascendência armênia e que cresceu no Líbano devastado pela guerra e veio para os Estados Unidos aos 18 anos, reconheceu que era difícil para ele imaginar que um dia ganharia um Nobel.

Quando o comitê do Nobel tentou ligar para ele às 2h00 da manhã na Califórnia, seu telefone estava silenciado. "De alguma forma, eles entraram em contato com meu pai de 94 anos que mora em Los Angeles, e acho que mesmo que você tenha o telefone em 'Não perturbe', seus contatos favoritos podem ligar para você", explicou, acrescentando que foi "um momento muito especial."

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