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Pilotos da Gol marcam protesto por reajuste e compensação salarial

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O sindicato que representa os comandantes, copilotos e comissários de voo brasileiros convocou uma manifestação após a Gol implementar uma política de compensação de salários com valores diferentes dos apresentados pelos trabalhadores.

O protesto está marcado para esta segunda-feira (1º), às 13h, na sede do SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas).

Procurada, a Gol não respondeu até a publicação desta reportagem.

A decisão que motivou os protestos foi anunciada na última terça-feira (26) pelo presidente-executivo da Gol, Celso Ferrer. Em vídeo, ele afirma que a empresa vai pagar, pelos próximos quatro meses, valores para recompor os salários, além de criar um fórum de "otimização de custos" que contará com 12 tripulantes convidados.

Segundo o sindicato, o valor mensal dessa recomposição vai de aproximadamente R$ 450, para comissários, até R$ 2.300, para comandantes. A proposta do sindicato era um reajuste salarial de 8,5% e uma verba indenizatória mensal semelhante à apresentada pela empresa, porém por 12 meses, não quatro.

"Para muitos tripulantes parece um grande cala a boca", afirma o presidente do sindicato, Henrique Hacklaender. "A Gol implementou um gerenciamento de crise sem nenhuma aprovação da categoria e sem mensurar se isso estaria a contento."

Por meio de seu site, o SNA afirmou que a compensação implementada pela Gol "não atende à pauta de reivindicação" da categoria. A entidade também não concorda com a criação de um fórum com tripulantes para discutir cortes de despesas.

A convocação do protesto é mais um capítulo do descontentamento dos funcionários da companhia aérea desde o início da pandemia.

O setor foi um dos mais afetados pela paralisação da economia. Segundo levantamento da CNI (Confederação Nacional de Indústrias), em maio de 2020 o país registrou 588 mil passageiros pagantes, número 93% menor em relação ao mesmo mês do ano anterior. Segundo dados da Iata (associação internacional das empresas aéreas), as companhias perderam, em média, US$ 230 milhões por dia nos primeiros seis meses da crise.

Nesse contexto, as aéreas negociaram com os sindicatos redução de salários em troca de manutenção dos empregos --acordo que foi mantido até dezembro do ano passado pela Gol.

Mesmo com a volta do salário integral, Hacklaender afirma que, em relação a 2019, a remuneração dos tripulantes da Gol caiu pelo menos 20%. Isso porque metade desse valor é variável e depende da quantidade de voos, que a empresa ainda não retomou no ritmo anterior à crise do coronavírus.

"Durante a pandemia, muitas pessoas gastaram tudo o que tinham das suas reservas para tentar se manter", afirma o piloto.

No video divulgado nesta semana, o presidente-executivo da Gol diz que a empresa trabalha para normalizar as horas de voo dos funcionários até dezembro deste ano.

O setor aéreo segue sendo um dos mais combalidos da crise sanitária, embora dê sinais de recuperação. Em julho deste ano, foram 7,3 milhões de passageiros pagantes transportados, 160% mais do que no mesmo período de 2021.

Nesta quinta-feira (28), a Gol divulgou que teve um prejuízo líquido de R$ 2,85 bilhões no segundo trimestre, contra um lucro de R$ 658 milhões no mesmo período do ano anterior.

Já a receita operacional líquida no período saltou 215,3%, para R$ 3,24 bilhões, o que não foi suficiente para animar os investidores: as ações da empresa chegaram a recuar 6% na tarde desta quinta.

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