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'Pibinho' em 2022 está sendo contratado agora, diz ex-secretário do Tesouro

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 12.12.2016: Carlos Kawall, economista. (Foto: Bruno Poletti/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 12.12.2016: Carlos Kawall, economista. (Foto: Bruno Poletti/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O que está sendo feito de errado agora na economia servirá para contratar um "pibinho" no ano que vem, avaliou o ex-secretário do Tesouro Carlos Kawall, durante evento promovido pela XP nesta quarta-feira (25).

De acordo com o mais recente boletim Focus, do Banco Central, a previsão de economistas para o PIB (Produto Interno Bruto) deste ano é de alta de 5,27%, ante 5,28% na semana passada.

Para o ano que vem, as quedas nas estimativas têm sido constantes. Agora é de aumento de 2%, ante 2,04% há uma semana e 2,1% há um mês. Alguns economistas já falam de um crescimento abaixo de 1,5% em 2022.

"O PIB do ano que vem já aponta para um crescimento perto de 1%. Não é fazendo puxadinho fiscal que a gente vai garantir um 2022 virtuoso. O que está sendo feito agora é para contratar um 'pibinho'", disse Kawall.

Para ele, o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi infeliz ao elaborar a reforma tributária, que na sua visão só complica o sistema de impostos com perda de arrecadação, e a PEC dos precatórios.

Ele também avaliou que as ações que estão sendo tomadas pelo Banco Central não são suficientes para garantir uma recuperação econômica sustentável após a pandemia, já que o governo está dando sinais preocupantes, como o estouro do teto de gastos.

O humor dos mercados vira muito rápido, avalia Kawall, que hoje é diretor da ASA Investments. "A reação negativa está sendo alimentada pelas seguidas tentativas de se buscar um alternativa no teto de gastos, com o aumento do Bolsa Família e o uso de precatórios [as dívidas do governo reconhecidas pela Justiça]."

Segundo ele, o mercado está percebendo que o compromisso fiscal deixou de ser prioritário para o governo. "Quando as coisas vão bem, a postura do governo é a de aceitar a regra do jogo. Quando ele vê que pode perder, quer mudar as regras. A dinâmica política acaba sendo perversa."

Kawall acrescenta que é preciso lembrar que houve um aumento no espaço dado para as emendas de relator no Orçamento. "Qual vai ser o tratamento no Orçamento do ano que vem para essas emendas? Os sinais até agora são todos muito ruins."

Ele também disse que, apesar de o país estar em uma fase de recuperação, com avanço no processo de vacinação e reabertura gradual do setor de serviços, as incertezas não diminuíram. "Antes, se pensava que teria uma vitória completa, com a volta à normalidade. Mas a gente vê que essa volta está sendo incerta."

Kawall ainda disse que a crise atual está jogando um peso muito elevado sobre a política fiscal e que não podemos descartar uma alta dos juros básicos (hoje em 5,25% ao ano) para 8% no começo do ano que vem. Também há muitas incertezas quanto ao desempenho de economia mundial em 2022, com a redução dos pacotes de estímulos nos países desenvolvidos.

Em outro painel do evento, Ben S. Bernanke, ex-presidente do Fed (banco central dos Estados Unidos), disse que, embora o desempenho de economias emergentes (como o Brasil) não esteja sendo tão ruim este ano quanto se antecipava, a pandemia deverá ressaltar a desigualdade entre os países nos próximos anos, muito pela diferença na velocidade de recuperação da pandemia.

Ele afirmou que há desafios pela frente, como uma desaceleração nos preços dos produtos básicos e da inflação. "Os preços das commodities estão mais estáveis agora, após um aumento expressivo. A inflação tende a ser moderada no próximo ano, mas se os problemas nas cadeias de suprimentos persistirem, a inflação também deve ser mais resistente."

O norte-americano lembrou, ainda, que as economias desenvolvidas estão vendo uma falta de mão de obra na reabertura da economia, com um aumento de remuneração para os trabalhadores menos qualificados, o que acaba por aumentar as previsões para a inflação nos Estados Unidos.

"Isso também ocorre por muitas pessoas estarem repensando suas vidas, e carreiras, com mais gente querendo continuar trabalhando de casa", disse.

Segundo Bernanke, essas mudanças devem levar um tempo e ainda não é possível afirmar se as adaptações que tiveram de ser feitas no mercado de trabalho durante a pandemia irão levar os países a um aumento ou redução de produtividade.

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