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PIB só avança em dois estados em 2020, ano inicial da pandemia

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 29.05.2020 - Movimento na região da 25 de março, em SP, na fase inicial da pandemia, marcada por restrições. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 29.05.2020 - Movimento na região da 25 de março, em SP, na fase inicial da pandemia, marcada por restrições. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O PIB (Produto Interno Bruto) caiu em 24 das 27 unidades da federação em 2020, o ano inicial da pandemia de Covid-19. É o que indicam dados divulgados nesta quarta-feira (16) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Somente dois estados registraram variações positivas no mesmo período: Mato Grosso do Sul (0,2%) e Roraima (0,1%).

Mato Grosso (0%), por sua vez, foi o único a mostrar estabilidade. Houve influência da produção agropecuária nesses três locais, apontou o IBGE.

O ano de 2020 foi marcado por boas condições de safra em estados produtores, com exceção do Rio Grande do Sul, e preços elevados de commodities agrícolas como soja e milho. Assim, o desempenho do campo atenuou efeitos negativos da pandemia sobre a atividade econômica nas cidades.

Conforme o IBGE, 12 estados amargaram baixas mais intensas do que o recuo do PIB na média nacional (-3,3%). O Rio Grande do Sul teve a maior retração (-7,2%).

Ceará (-5,7%), Rio Grande do Norte (-5%), Espírito Santo (-4,4%), Rondônia (-4,4%) e Bahia (-4,4%) vieram na sequência.

Alagoas (-4,2%), Acre (-4,2%), Pernambuco (-4,1%), Paraíba (-4%), Piauí (-3,5%) e São Paulo (-3,5%) também caíram mais do que a média brasileira.

Ao longo de 2020, a crise sanitária forçou a adoção de medidas de isolamento social em centros urbanos.

A baixa circulação de pessoas derrubou setores dependentes da interação direta com consumidores. Foi o caso de parte dos serviços, o principal segmento da economia nacional sob a ótica da oferta. Entram nessa lista bares, hotéis, restaurantes, escolas e comércios.

No caso do Rio Grande do Sul, a queda em 2020 foi intensificada pela agricultura, devido a uma estiagem, sinalizou o IBGE. A falta de chuva castigou as lavouras gaúchas. O desempenho negativo da indústria de transformação, impactada pela preparação de couros, também pesou no resultado local.

São Paulo respondeu por 31,2% do PIB nacional em 2020, ante 31,8% em 2019. Apesar da redução de 0,6 ponto percentual, associada a perdas nas atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados e em alojamento e alimentação, o estado continuou com a maior participação do país.

Rio de Janeiro (9,9%) e Minas Gerais (9%) vieram na sequência. O Paraná (6,4%), por sua vez, avançou do quinto para o quarto lugar em razão do ganho relativo na agropecuária nacional. Assim, deixou o Rio Grande do Sul (6,2%) para trás.

DF TEM MAIOR PIB PER CAPITA, E RJ PERDE POSIÇÕES

O PIB per capita do Brasil foi de R$ 35.935,74 em 2020, uma alta de 2,2% ante 2019. O indicador é a divisão do PIB pelo número de habitantes.

O Distrito Federal manteve o maior PIB per capita (R$ 87.016,16) entre as unidades da federação. O indicador local foi 2,4 vezes maior do que o do país. São Paulo (R$ 51.364,73) ocupa a segunda posição desse ranking.

O IBGE também destacou o comportamento do Rio de Janeiro. De 2002 a 2019, o estado ocupou o terceiro lugar. Porém, em 2020, caiu três colocações. Foi ultrapassado por Mato Grosso, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Alessandra Poça, gerente de Contas Regionais do IBGE, associou o quadro a uma combinação de fatores. Ela lembrou que o Rio é um dos estados com grande peso do setor de serviços, castigado pelas restrições na pandemia.

A economia fluminense também é dependente da produção de petróleo, outra atividade prejudicada pelas restrições à mobilidade. "O Rio fica muito a mercê do que acontece com o petróleo", apontou a pesquisadora.

Além disso, o estado não conta com o mesmo impulso que a agropecuária tem em regiões como o Centro-Oeste.