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PIB mostra queda recorde de 4,5% do setor de serviços e retração de 3,5% da indústria

EDUARDO CUCOLO E FÁBIO PUPO
·4 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A pandemia do novo coronavírus teve efeitos desiguais em 2020 sobre os três grandes setores que compõem o PIB (Produto Interno Bruto), com retração em serviços e indústria e avanço na agropecuária. Principal motor da atividade econômica brasileira e maior empregador do país, o setor de serviços amargou queda de 4,5% em 2020. Foi o maior recuo da série histórica, iniciada em 1996, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O pior resultado anterior da série foi em 2015 (-2,7%). O setor é responsável por 75% do cálculo do PIB e seu desempenho é fundamental para a recuperação da crise. Também responde por quase 50% do emprego no país. O impacto foi maior nos segmentos que mais necessitam de atendimento presencial, como alimentação, hospedagem e lazer. O subsetor Outras atividades de serviços, onde elas se encaixam, teve queda de 12,1% –a maior do setor. De acordo com o IBGE, os serviços prestados às famílias foram os mais afetados negativamente pelas restrições de funcionamento. A segunda maior queda ocorreu nos transportes, armazenagem e correio (queda de 9,2%), principalmente o transporte de passageiros, atividade econômica também muito afetada pela pandemia. A retomada desses segmentos tem como obstáculos as restrições ao funcionamento de parte dos estabelecimentos —restaurantes com capacidade reduzida e cinemas e teatros fechados, por exemplo—, o elevado desemprego, que reduz o poder de compra da população, e o próprio temor de contaminação, que leva muitas pessoas a evitarem o risco de aglomeração. Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, afirma que a queda de serviços é atípica para momentos de crise, o que reforça a particularidade da retração de 2020. "Não é comum os serviços caírem [em recessões], foi algo bem característico dessa crise", disse. Tiveram queda também no setor de serviços as atividades de administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-4,7%) e comércio (-3,1%), além de informação e comunicação (-0,2%). Por outro lado, algumas atividades do setor cresceram e figuraram nas posições de maior avanço na economia. É o caso dos serviços financeiros (avanço de 4% contra 2019, um movimento justificado pelas maiores operações de crédito) e das atividades mobiliárias (crescimento de 2,5%). Já a indústria registrou recuou 3,5% ante 2019. Dentro do grupo, houve queda nos segmentos de construção (-7%), puxada por menor atividade em obras de infraestrutura, indústria de transformação (-4,3%), além de produção e distribuição de eletricidade, gás e água (-0,4%). Esta última é afetada pelo desempenho da própria economia. Na indústria da transformação, que tem o maior peso na indústria, houve menor atividade no segmento automotivo, bem como em outros equipamentos de transporte, metalurgia, vestuário e acessórios, e máquinas e equipamentos. Já os destaques positivos foram indústria de alimentos, industria farmacêutica, papel e celulose, produtos de fumo e material de limpeza. Palis afirma que os movimentos estão ligados ao comportamento da economia durante a crise, com menos transporte de passageiros, maior consumo de alimentos (impulsionado pelo auxílio emergencial) e maior despesa com medicamentos e materiais de limpeza decorrente das preocupações com a Covid-19. "Teve menos transporte de passageiros, e isso acaba afetando a indústria do setor. Obviamente as coisas estão relacionadas", disse. "Na indústria farmacêutica, muita gente consumiu mais medicamentos, tanto de prevenção como efetivos", afirmou. Já o agronegócio mostrou crescimento de 2% no ano, impulsionado pelas safras de soja, café e milho. Com isso, a agropecuária aumentou sua participação no PIB de 5,1% em 2019 para 6,8% em 2020. Indústria diminuiu sua fatia de 21,4% para 20,4% e serviços, de 73,5% para 72,8%. No quarto trimestre, na comparação com os três meses anteriores, os resultados dos três grandes setores foram de altas de 2,7% nos serviços e de 1,9% na indústria, e recuo de 0,5% na agropecuária. A indústria mostra sinais mistos no quarto trimestre. A construção caiu 0,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior, por exemplo, mas a indústria de transformação mostrou avanço significativo de 4,9%. "A indústria de transformação já teve um crescimento bastante expressivo no quarto trimestre. O que ainda não está crescendo é a construção e essa parte de eletricidade e a extrativa mineral, porque teve paradas para manutenção de plataformas bastante concentradas no quarto trimestre", disse Palis. São entraves para a indústria, por outro lado, a demora na entrega de insumos e a alta de preços de materiais. Isso vem obrigando empresas de diversos setores a colocar o pé no freio e conter o ritmo de produção, como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, sendo que em alguns casos a estratégia visa aguardar um reequilíbrio da cadeia produtiva. O cálculo do PIB, sob a ótica da produção, considera o valor adicionado à economia por esses três setores mais os impostos sobre produtos.