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PIB melhor que o esperado no 1º semestre atenua cenário de desaceleração no Brasil

Pessoas passam em frente a barracas de verduras em mercado no Rio de Janeiro

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - O forte desempenho da economia brasileira no primeiro semestre provocou revisões para cima nas expectativas para 2022 e adiou para o segundo semestre a perspectiva de desaceleração da economia, com um ciclo de investimentos e de consumo positivos se contrapondo à política monetária restritiva.

Temores de recessão que chegaram a surgir mais cedo no ano se dissiparam, com uma economia que mostra força do consumo em meio a estímulos do governo e também à melhora do mercado de trabalho. A percepção é de que a atividade perde força sim no segundo semestre, mas não tanto quando se achava antes.

"Espera-se sim uma desaceleração (da economia) com a taxa Selic em patamar restritivo, espera-se uma taxa de crescimento do consumo menor, mas não se espera mais queda do PIB", avaliou Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter.

"Não prevejo recessão para o começo do próximo ano", acrescentou ela, que calcula resultados perto da estabilidade da economia para os próximos trimestres, com o ano de 2022 fechando com uma expansão de 2,6%, de 2,3% estimados antes.

No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve alta de 1,2% na comparação com os três meses anteriores, após crescimento revisado para cima de 1,1% entre janeiro e março, no que foi o quarto trimestre seguido de taxas positivas.

O resultado foi melhor do que a expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,9%, impulsionado pela recuperação do setor de serviços e pelo aumento do consumo das famílias e dos investimentos.

As condições financeiras mais apertadas devem continuar pesando sobre a força econômica nos próximos meses, mas tendem a ser mitigadas pela melhora do mercado de trabalho e medidas de auxílio do governo, adiando os impactos mais significativos do intenso aperto da política monetária, que tirou a taxa básica de juros da mínima de 2% para os atuais 13,75%.

Se no início do ano a economia foi favorecida pela liberação de saques extraordinários do FGTS, antecipação do 13º de aposentados e pensionistas e o Auxílio Brasil, a partir de agora devem apresentar efeito a redução da tributação sobre setores como combustíveis e comunicações, além do aumento do valor do auxílio para 600 reais e os benefícios para taxistas e para compra de gás.

"(O resultado do PIB de) hoje mostra que os auxílios do primeiro semestre funcionaram", disse Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, destacando a turbinada dos benefícios a partir de agosto.

"Isso vai se reverter em consumo. Talvez o quarto trimestre seja mais fraco, mas ainda assim com a economia crescendo", completou ela, que calcula crescimento do PIB de 2,6% em 2022, mas agora com viés de alta.

Vitoria destaca ainda o resultado forte do lado de investimentos. A Formação Bruta de Capital Fixo apresentou alta de 4,8% no segundo trimestre, após contração de 3,0% de janeiro a março.

"O investimento na economia está acontecendo, mais puxado pelo setor privado. Esse ciclo de investimento é mais longo, por isso devemos ter taxas do crescimento maiores do que se esperava", disse ela, calculando agora um PIB potencial de 2,5%, contra 1,5% antes.

Outro contraponto aos efeitos da Selic é a geração de empregos e redução da taxa de desemprego, que atingiu no trimestre encerrado em julho o menor nível desde 2015, o que ajuda a manter o patamar de consumo no segundo semestre.

FISCAL X POLÍTICA MONETÁRIA

O país vive um ambiente de políticas monetária e fiscal em direções opostas --enquanto a primeira busca arrefecer a economia com juros elevados, a segunda dá sustentação à demanda no curto prazo.

A avaliação é que a política monetária está sim em patamar restritivo, o que vai impor uma desaceleração econômica, mas não a ponto de causar recessão.

"Será que a taxa de juros está realmente batendo na atividade? Essa é a pergunta que fica", disse Raone Costa, economista-chefe da Alphatree Capital. Para ele, a economia pode chegar a crescer 3,0% este ano, número revisado de 2,6% antes, caindo a 1,0% em 2023, embora essa perspectiva tenha viés de alta.

A grande dúvida é como o cenário de atividade mais aquecida do que se estimava vai impactar as próximas decisões de política monetária do Banco Central, que vinha indicando que o ciclo de aperto poderia ter chegado ao fim.

"Se houver consumo no segundo semestre, o BC pode manter a taxa elevada por mais tempo. Não vejo a inflação saindo de controle, mas é ponto de atenção sim", disse Vitoria.

Já o cenário para 2023, após a eleição presidencial, depende muito da questão de manutenção dos benefícios, principalmente o Auxílio Brasil em 600 reais como prometem os dois candidatos na frente nas pesquisas --o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Se os 600 (reais) forem mantidos como foi prometido, vai ter consumo estimulado ano que vem", disse Veronese.

"O BC está sinalizando que os juros vão ficar elevados por muito tempo. O próximo movimento só não será de queda se houver novas medidas de estímulo ou recuperação mais rápida do mercado de trabalho", completou.