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Economia da França vai demorar dois anos para se recuperar da pandemia

Sede do Banco da França, em Paris

O Produto Interno Bruto (PIB) da França deve cair quase 10% em 2020, devido à pandemia de COVID-19 e vai recuperar o nível prévio à crise em meados de 2022 - apontam as estimativas publicadas pelo Banco da França.

Marcado por um mês e meio de confinamento total para evitar a propagação do novo coronavírus, o segundo trimestre do ano registrará um retrocesso de 15% do PIB, afirma a instituição, acrescentando que, para 2020, a previsão é de uma queda de 10% do PIB.

Segundo o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas), o PIB caiu 5,3% no primeiro trimestre.

"A economia francesa está se recuperando rapidamente da queda brutal sofrida em março, mas não saímos em absoluto do túnel", disse o presidente do Banco da França, François Villeroy de Galhau, à rádio France Info.

A retomada da atividade econômica no terceiro trimestre não será suficiente para evitar uma recessão recorde do país.

O governo francês é mais pessimista do que o Banco Central e calcula que o PIB deve registrar queda de 11% este ano.

"Depois, 2021 e 2022 serão anos de recuperação progressiva", antecipa o Banco da França.

A instituição calcula que o PIB voltará a crescer 7% em 2021, e 4%, em 2022. O Banco tem como base a hipótese de que o novo coronavírus não desaparecerá, mas estará sob controle, e a economia se adaptará às novas normas sanitárias.

Apesar dessa forte recuperação, "o nível de atividade do final de 2019 será recuperado apenas em meados de 2022", acredita o Banco da França, explicando que a economia vai retomar o ritmo, partindo de um nível historicamente baixo.

O Banco da França comemora que as atividades estejam recuperando o ritmo em vários setores, depois do confinamento implementado no país em meados de março. A medida começou a ser flexibilizada no meio de maio.

As indústrias que permanecem fechadas são poucas, e a construção retomou o trabalho com "dinamismo", aponta a instituição em seu relatório.

No setor de serviços, porém, a situação é diferente. Hotelaria e restaurantes permanecem em um ritmo de semiconfinamento, por exemplo.

O Banco da França destaca que o elemento "crucial" para a retomada do crescimento será o consumo das famílias e, neste aspecto, é "provável que o aumento do desemprego e o contexto global de forte incerteza continuem pesando sobre as compras".

O desemprego deve superar a taxa de 10% da população ativa no fim de 2020.

Apesar do forte crescimento previsto para 2021, o desemprego será de 11,5% em meados de 2021. Em 2022, o índice deve recuar para 9,7%, completa o Banco da França.