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PIB cresceu em 23 das 27 unidades da federação em 2017, aponta IBGE

Bruno Villas Bôas

As quatro maiores altas foram em Mato Grosso, Piauí, Rondônia e Maranhão O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu em 23 das 27 unidades da federação em 2017, na comparação ao ano anterior. As exceções foram Rio de Janeiro (queda de 1,6%), Sergipe (recuo de 1,1%), Paraíba (baixa de 0,1%) e Bahia (estável). Naquele ano, o PIB nacional cresceu 1,1% impulsionado pela agropecuária e o país deixou para trás a recessão.

Segundo as Contas Regionais 2017, divulgadas nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as quatro maiores altas do PIB foram em Estados fortemente ajudados pelo agronegócio: Mato Grosso (alta de 12,1%), Piauí (aumento de 7,7%), Rondônia (avanço de 5,4%) e Maranhão (crescimento de 5,3%).

“Os quatro maiores volumes tiveram influência da agropecuária, sobretudo os cultivos de milho, algodão e soja, e ainda na produção de leite em Rondônia. Apenas Mato Grosso e Rondônia apresentaram crescimento em volume na indústria”, avaliou o IBGE no relatório das Contas Regionais 2017.

Também avançaram acima da média nacional o PIB do Amazonas (alta de 5,2%), do Mato Grosso do Sul (aumento de 4,9%), Santa Catarina (avanço de 4%), Alagoas (crescimento de 3,3%), Pará (alta de 3,2%), Tocantins (avanço de 3,1%), Roraima (aumento de 2,4%), Goiás (crescimento de 2,3%), Pernambuco (alta de 2,1%), Paraná (aumento de 2%), Rio Grande do Sul (avanço de 1,8%), Amapá (alta de 1,7%), Minas Gerais (crescimento de 1,7%) e Ceará (avanço de 1,5%).

Outras unidades da federação tiveram crescimento do PIB abaixo da média nacional em 2017, como Rio Grande do Norte (alta de 0,5%), Espírito Santo (avanço de 0,5%), Distrito Federal (aumento de 0,3%), São Paulo (crescimento de 0,3%), Acre (alta de 0,2%). O PIB do Estado da Bahia ficou estável (0,0%) naquele ano, conforme os cálculos do IBGE.

O Rio de Janeiro teve o pior desempenho entre as 27 unidades da federação com a "ressaca" dos Jogos Olímpicos de 2016. Segundo a gerente de Contas Regionais do IBGE, Alessandra Poça, o resultado reflete a base de comparação mais elevada gerada pela Olimpíada, que demandou obras, serviços e movimentou o comércio fluminense em 2016.

O PIB da construção do Estado do Rio recuou 14,8% em 2017, na comparação ao ano anterior. O PIB de serviços apresentou queda de 1,5%. Essas atividades representam mais da metade da economia fluminense. Além dessa "ressaca", o agronegócio, que puxou a economia nacional, tem pouco peso no PIB do Rio de Janeiro. Mesmo com as Olimpíadas, o PIB do Estado do Rio já havia recuado 4,4% em 2016.

Economia de São Paulo voltou a crescer

O PIB de São Paulo cresceu em 2017, após três anos consecutivos de perdas. Apesar de positivo, o desempenho de São Paulo foi bastante inferior à média nacional naquele ano. Em 2017, o PIB nacional cresceu 1,1% na comparação ao ano anterior, impulsionado especialmente pelo desempenho da agropecuária, que registrou um ano safra recorde histórica.

De acordo com as Contas Regionais, o PIB de São Paulo foi limitado pelo fraco desempenho da construção (queda de 8,5%), atividade financeira, seguros e serviços relacionados (recuo de 3,3%) e serviços de informação e comunicação (retração de 1,4%). Segundo o IBGE, a queda da atividade financeira está relacionada à redução das operações de crédito.

“São Paulo é responsável por metade das atividades financeiras do país”, avaliou o IBGE, no relatório da pesquisa.

A economia paulista já havia apresentado retração de 1,4% em 2014, queda de 4,1% em 2015 e baixa de 3% em 2016. Desta forma, o Estado de São Paulo acumula queda de 6,8% do PIB no período de 2014 a 2017.

O PIB do Estado de São Paulo somou R$ 2,119 trilhões em 2017, o maior do país, respondendo por 32,2% do PIB nacional. É seguido por Rio de Janeiro (10,2% do PIB nacional), Minas Gerais (8,8%), Rio Grande do Sul (6,4%) e Paraná (6,4%). Os últimos do ranking são Amapá (0,2%), Acre (0,2%) e Roraima (0,2%), informou o IBGE.