PIB cresce 0,6% no terceiro trimestre, metade do previsto pelo governo

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Manuel Pérez Bella.

Rio de Janeiro, 30 nov (EFE).- A economia brasileira andou em marcha lenta no terceiro trimestre, com um exíguo crescimento de 0,6% que surpreendeu o governo, já que a crise internacional se estendeu da indústria para o setor de serviços.

O dado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre ficou em 0,6, metade do 1,2% previsto há uma semana pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que nesta sexta-feira expressou sua "surpresa" pelos péssimos resultados do setor bancário e o baixo nível de gastos realizado pelas administrações públicas.

O resultado mais preocupante foi a queda de 1,3% do segmento de serviços financeiros, o que contribuiu para a estagnação (0%) do conjunto do setor de serviços.

Segundo Mantega, o resultado do setor bancário se deve a uma queda pontual no volume de concessão de créditos.

Nos últimos meses o governo pressionou os bancos para que diminuam suas taxas bancárias, o que, somado à queda paulatina das taxas de juros, reduziu a rentabilidade que os bancos obtêm por meio dos empréstimos.

A queda dos créditos também segue o aumento da taxa de inadimplência, que chegou a 5,9%, e a queda da poupança para 15,6% do PIB, nível mais baixo desde 2001, dois indicadores que mostram que as famílias estão cada vez com menos dinheiro livre.

Mantega adiantou que o governo pretende anunciar na próxima semana medidas para fomentar as linhas de crédito voltadas a financiar o investimento.

À parte do setor bancário, o conjunto da economia terminou setembro com a taxa de crescimento anual mais baixa desde 2009, 0,9%, três décimos a menos que em julho.

Apesar do dado, o ministro avaliou a incipiente recuperação de alguns setores industriais estratégicos e assegurou que o conjunto da economia "está em processo de aceleração" no quarto trimestre.

O ministro comentou que a recuperação ocorreu nos setores que mais preocupavam o governo: a indústria de transformação e a agropecuária.

A indústria registrou uma alta moderada de 1,1%, em comparação com o dado negativo do trimestre anterior. O subsetor industrial que se comportou melhor foi a indústria de transformação, que se expandiu 1,5%.

Por outro lado, o setor de mineração continuou afundando em uma crise com uma baixa de 0,4%, devido principalmente à queda das exportações de ferro e de outras matérias-primas para a China, o maior cliente do Brasil.

A expansão do setor agrícola, da ordem de 2,5%, também foi inferior ao que os analistas haviam calculado, embora o governo tenha recebido bem o dado.

Do ponto de vista da demanda, a formação bruta de capital baixou 2%, dado que mostra que "o investimento demora mais a reagir em condições de crise", nas palavras de Mantega.

O setor público também não contribuiu para o crescimento, ao reduzir seu consumo em 0,1%, número para o qual "não há explicação", enquanto o consumo das famílias, principal motor de crescimento do país, se expandiu 0,9%.

O governo espera uma melhoria para o quarto trimestre e que a economia decole em 2013 devido, em parte, aos incentivos e às reduções tributárias que foram concedidos nos últimos meses e que ainda não tiveram um efeito pleno na atividade econômica.

Apesar da crise, o Brasil beira o pleno emprego, depois que alcançou em outubro uma taxa de desemprego de 5,3% da população ativa, segundo números oficiais que levaram em conta apenas os dados das seis maiores cidades do país. EFE

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