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Indústria e agro pesam e PIB do Brasil recua 0,1% no 2º trimestre

·5 minuto de leitura
Colheita de soja

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO (Reuters) - Desempenhos fracos da indústria e da agropecuária ofuscaram a força de serviços e a economia brasileira registrou leve queda no segundo trimestre deste ano, perdendo força em relação ao início de 2021 e estabilizando-se depois de três trimestres seguidos de crescimento.

Entre abril e junho, o Produto Interno Bruto brasileiro registrou queda de 0,1%, mostrando perda de força depois de uma expansão de 1,2% no primeiro trimestre.

A leitura divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) frustrou a expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,2%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2020, o PIB registrou alta de 12,4%, contra expectativa de crescimento de 12,8% nessa base de comparação. Essa é a maior taxa da série iniciada em 1996, devido à base baixa de comparação.

Com esse resultado, o PIB acumulou no primeiro semestre crescimento de 6,4% em relação ao mesmo período de 2020. A atividade econômica continua no patamar do fim de 2019 ao início de 2020, período pré-pandemia. Mas ainda está 3,2% abaixo do ponto mais alto, alcançado no primeiro trimestre de 2014.

Depois de um começo de ano cheio de incertezas, o Brasil seguiu vivendo no segundo trimestre restrições para controle da pandemia, que aos poucos foram sendo relaxadas.

Mas ao mesmo tempo o país passou a sofrer com um forte aumento da inflação, em meio à alta do dólar e dos preços das commodities no exterior, bem como dificuldades nas cadeias globais de suprimentos. Reajustes da gasolina e das contas de luz também pesaram nos bolsos dos consumidores, com o fantasma da escassez hídrica no radar.

"Cada vez mais os efeitos (da pandemia) vão se dissipando e as explicações (para esse resultado) vão sendo ampliadas para além dela, com juros, crédito, mercado de trabalho e inflação", avaliou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

SERVIÇOS

O destaque no período foi serviços, diante da reabertura da economia com o alívio nas medidas de contenção da Covid-19, depois de este ter sido o setor mais afetado pela pandemia.

No segundo trimestre, os Serviços apresentaram crescimento de 0,7% em relação aos três primeiros meses do ano, repetindo a taxa vista nos três primeiros meses do ano nessa base de comparação.

Os melhores resultados foram de informação e comunicação (+5,6%), outras atividades de serviços (+2,1%). O setor de serviços, entretanto, ainda está 0,9% abaixo do nível pré-pandemia.

Mas o número trimestral foi apagado pelas retrações de 0,2% na Indústria e de 2,8% da Agropecuária, que sofreu com questões climáticas e ainda teve a safra de café em bienalidade negativa.

No setor industrial, o peso veio das quedas de 2,2% nas indústrias de transformação em meio à falta de insumos e de 0,9% na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos com o aumento no custo de produção por conta da crise hídrica.

Essas retrações compensaram a alta de 5,3% nas indústrias extrativas e de 2,7% na construção.

Do lado das despesas, a Formação Bruta de Capital Fixo, uma medida de investimento, despencou 3,6% no segundo trimestre sobre o período anterior, depois de ter avançado 4,8% no primeiro.

As Despesas das Famílias ficaram estagnadas, ainda sob impacto dos efeitos da pandemia, e as do Governo aumentaram 0,7%.

“O consumo das famílias pesa mais de 60% no PIB. Apesar dos programas de auxílio do governo, do aumento do crédito a pessoas físicas e da melhora no mercado de trabalho, a massa salarial real vem caindo, afetada negativamente pelo aumento da inflação. Os juros também começaram a subir. Isso impacta o consumo das famílias”, explicou Palis.

Em relação ao setor externo, as Exportações de Bens e Serviços cresceram 9,4%%, a maior variação desde o primeiro trimestre de 2010, enquanto as importações diminuíram 0,6%.

SEGUNDO SEMESTRE

As preocupações com o avanço da vacinação no início do ano deram lugar aos temores em relação à inflação, carregando esse peso para o terceiro trimestre. Preocupado com esse cenário, o Banco Central vem elevando a taxa básica de juros, que saltou de 2,0% no início do ano para 5,25% na última reunião, no começo de agosto.

Para domar as pressões inflacionárias, o BC já apontou que a necessidade agora é de uma taxa básica de juros acima do patamar neutro, ou seja, em nível suficiente para desaquecer a economia.

Além da inflação persistente, turva o cenário para o segundo semestre a seca que afeta o abastecimento de energia elétrica e a agricultura --foi determinada na véspera a implementação da bandeira tarifária "escassez hídrica", que trará aumento adicional de 6,78% na tarifa média dos consumidores regulados.

A questão fiscal permanece ainda na lista de preocupações e ganhando mais um capítulo --os precatórios. A proposta de parcelamento dos pagamentos de precatórios, encaminhada pelo governo ao Congresso, eleva as dúvidas sobre a capacidade da União de honrar suas obrigações e respeitar o teto de gastos.

O cenário à frente ainda é marcado por aumento da tensão política, com ameaças feitas pelo presidente Jair Bolsonaro caso não fosse adotado o voto impresso, chegando a colocar em dúvida a realização das eleições do ano que vem, bem como os ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Ainda assim, o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, afirmou que a perspectiva para o PIB continua sendo de um crescimento acima de 5% no ano.

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