Mercado abrirá em 3 h 45 min

PIB do Brasil cresce 1,1% em 2019, diz IBGE

EDUARDO CUCOLO E NICOLA PAMPLONA
*ARQUIVO* MANAUS, AM, 05.08.2018 - Linha de montagem de motos na fábrica da Honda no distrito industrial da Zona Franca Manaus. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu 1,1% em 2019, primeiro ano do governo do presidente Jair Bolsonaro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (4) pelo IBGE.

Foi o terceiro ano seguido de fraco crescimento da economia brasileira. Em 2017 e em 2018, a primeira divulgação do PIB mostrou expansão de 1,1%. Posteriormente, os dados foram revisados para 1,3%. Em 2015 e 2016, houve queda no PIB.

O resultado é menos da metade do projetado inicialmente pelos economistas. Em dezembro de 2018, às vésperas da posse do presidente Jair Bolsonaro, analistas do mercado financeiro renovaram a aposta na retomada e projetaram crescimento de 2,55%.

A desaceleração do PIB de 2019 em relação a 2018 é explicada pela queda nos gastos governo, piora nas exportações e importações e crescimento menor do consumo e dos investimentos, segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Ela afirmou também que o PIB ainda está 3,1% abaixo do pico histórico, verificado no 1º trimestre de 2014, mas já se recuperou 5,4% em relação ao pior momento da recessão.

No fim de 2019, porém, a perspectiva já havia caído. A projeção dos principais analistas era de um PIB de 1,17%, segundo o Boletim Focus do Banco Central. Essa projeção havia caído levemente para 1,12% no boletim mais recente. Já analistas consultados pela agência Bloomberg esperavam, nos últimos dias, crescimento de 1,1% no ano e 0,5% no 4º trimestre em relação ao trimestre anterior.

O resultado veio também em linha com as projeções mais recentes do governo. Mas no início de 2019, alguns integrantes do governo chegaram a projetar uma alta de 2,9% no PIB do ano.

O IBGE também informou que, no quatro trimestre do ano passado, houve avanço de 0,5% em relação ao trimestre anterior e de 1,7% na comparação com o mesmo período de 2018. O PIB per capita ficou em R$ 34.533 uma alta de 0,3% no ano.

O PIB é uma medida da produção de bens e serviços em um país em um determinado período e o seu aumento é utilizado como sinônimo de crescimento da economia. Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 7,257 trilhões em 2019.

Para 2020, a estimativa é uma alta de 2,17%, segundo pesquisa do Banco Central divulgada na segunda-feira (2). O resultado ainda estará aquém da média de 3% registrada de 1996 a 2014.

Considerando o resultado de 2019 e a projeção para 2020, esse deve ser o resultado mais fraco para o desempenho da economia brasileira nos dois primeiros anos de um mandato presidencial, desde o início de Plano Real, com exceção do verificado em 2015 e 2016, quando a economia teve retração por dois anos seguidos.

Em dezembro de 2018, às vésperas da posse de Bolsonaro, as projeções apontavam para um crescimento da economia de cerca de 2,5% em 2019.

Fatores externos, como a guerra comercial entre China e EUA e a crise argentina, e internos, devido à instabilidade política gerada pelo Executivo, contribuíram para o resultado mais fraco. Também houve frustração em relação aos efeitos esperados com a aprovação da reforma da Previdência e a liberação de recursos do FGTS.

A redução da taxa básica de juros Selic para o seu mínimo histórico é uma das apostas para fomentar a atividade em 2020, mas os efeitos econômicos da epidemia de coronavírus e o efeito da instabilidade política no Brasil sobre a agenda de reformas aparecem como riscos para o crescimento neste ano.

Conforme análise recente divulgada pelo IBRE/FGV em seu Boletim Macro, os números do PIB mostraram que o consumo das famílias permanece como o principal combustível da recuperação no período pós-recessão, enquanto a carência de demanda no país concentra-se na falta de investimento.

Para o instituto, fatores como a falta de uma nova rodada de reformas econômicas no Brasil e as incertezas geradas pela epidemia de coronavírus podem frustrar, mais uma vez, as expectativas de retomada mais forte da economia brasileira.