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PGR descarta citação a procurador do Paraná em delação

André Guilherme Vieira
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Investigação aberta com base em trecho do acordo de colaboração premiada do doleiro Dario Messer foi arquivada A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu arquivar uma investigação e descartar um trecho de um acordo de colaboração premiada que trata de supostas propinas pagas pelo doleiro Dario Messer ao procurador regional da República Januário Paludo, integrante da força-tarefa da Operação Lava-Jato no Ministério Público Federal (MPF) do Paraná. No trecho rejeitado como prova pela PGR, Messer diz que Paludo recebia pagamento a título de “taxa de proteção mensal”. Para a PGR, não foram encontrados quaisquer indícios de que a afirmação do doleiro seja um fato. O doleiro afirmou ter destinado US$ 50 mil por mês a Paludo entre 2005 e 2013 em troca de uma suposta proteção do Ministério Público Federal do Paraná. Segundo a versão de Messer, o repasse mensal durante o período de oito anos teria o propósito de impedir que a Lava-Jato de Curitiba desse prosseguimento a investigações sobre atos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que o envolvessem. Na delação de Messer, no entanto, não fica claro como os supostos pagamentos teriam sido viabilizados. De maneira genérica, Messer apenas aponta que seus operadores intermediariam a suposta propina. Conhecido como “doleiro dos doleiros” pela capilaridade e volume da rede de mercado paralelo de câmbio que controlava, Messer assinou acordo de colaboração em agosto com os investigadores da força-tarefa da Lava-Jato no Rio de Janeiro. O contrato envolveu o pagamento de R$ 1 bilhão pelo doleiro a título de multa. Esse acordo já foi validado juridicamente (homologado) pelas 2ª e 7ª Varas da Justiça Federal do Rio de Janeiro. O esquema investigado a partir da Operação Câmbio, Desligo, que promoveu um cerco às atividades de câmbio paralelo no Brasil a partir de 2017, envolve cerca de R$ 1,6 bilhão em ativos decorrentes de lavagem de dinheiro a partir do Paraguai, afirmam os investigadores. A PGR também já havia arquivado, em junho, uma apuração preliminar iniciada no final do ano passado que tratava dessa mesma suspeita de suborno que acabou não confirmada. Esse procedimento estava sob tutela do subprocurador-geral da República Onofre Martins. A investigação foi iniciada depois que a Polícia Federal interceptou uma mensagem do doleiro com menção a supostos pagamentos que se destinariam a Paludo. A existência dessa mensagem foi revelada pelo portal UOL em novembro de 2019. Se Messer inventou o suposto pagamento de propinas ao procurador com objetivo de embaraçar as investigações e levou uma falsa informação aos autos de seu acordo de colaboração, poderá, em tese, sofrer sanção por esse ato. A procuradoria da República do Rio de Janeiro não comenta o caso. Procurada, a PGR informou que não se manifesta sobre informações que envolvam acordos de colaboração premiada. O procurador Januário Paludo tem negado reiteradamente que as declarações de Messer sejam verdadeiras. Conhecido como "doleiro dos doleiros", Dario Messer fechou acordo de colaboração com a Lava-Jato e aceitou devolver R$ 1 bilhão Divulgação