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‘PF’ está salgado? Entenda a alta dos alimentos

·4 minuto de leitura
‘PF’ está salgado? Entenda a alta dos alimentos
‘PF’ está salgado? Entenda a alta dos alimentos
  • Dos 10 produtos, sete tiveram altas expressivas: arroz subiu 37%; a carne, 32%; e o feijão preto,18%;

  • Escalada está sendo causada pelo aumento da demanda por alimentos durante a pandemia;

  • Redução na produção dos alimentos em razão da seca pode contribuir para elevar ainda mais;

Uma pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), vinculado à Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontou que os preços dos alimentos que compõem a cesta do prato feito do brasileiro dispararam. Dos 10 produtos, sete tiveram altas expressivas. Somente o arroz subiu 37%, a carne, 32%, e o feijão preto,18%, nos últimos 12 meses. Alimentos que poderiam ser substitutos na mesa também seguem em alta: o frango inteiro registrou reajuste de 22% e o ovo avançou 13%, no período. A variação média dos itens do prato feito chegou a 22,57%, conforme o levantamento.

De acordo com o pesquisador do FGV IBRE Matheus Peçanha, a escalada de preços está sendo causada pelo aumento da demanda por gêneros alimentícios durante a pandemia de Covid-19. Outra fonte de pressão inflacionária no prato brasileiro foi a escalada do câmbio no segundo semestre do ano passado, que estimulou as exportações, reduzindo a oferta interna, sobretudo no caso do arroz, do feijão e das carnes bovina e de frango.

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"O câmbio desfavorável leva ao crescimento das exportações, sobretudo dos cereais e das carnes, favorecendo a redução da oferta interna e pressionando os preços", avalia o pesquisador, que ressaltou ainda que a inflação dos itens do prato feito também é um reflexo das condições climáticas adversas, intensificadas com a estiagem e, mais recentemente, com as geadas. Assim, hortaliças e legumes, com suas lavouras de curto prazo, sofreram mais no período recente, levando a alface a um acúmulo de quase 9,74%, e o tomate a mais de 37%. “A estiagem também tem impactado os preços das carnes, reduzindo as pastagens do gado e encarecendo o milho e a soja, que servem de ração para os animais”, segundo Matheus Peçanha.

Quem está sentindo no bolso é a advogada Bárbara Vasconcelos, de 31 anos, que pedia prato feito em dois restaurantes e notou a disparada nos preços de diversas formas. Para a profissional, um deles primeiro elevou o valor cobrado pela quentinha, e depois deixou de oferecer a opção. Em outro restaurante, o local reduziu o tamanho da carne do ‘PF’, mas não aumentou o valor cobrado. "Antes, a proteína dava para comer no almoço, e guardar a quentinha para o jantar. Agora só é possível para comer no almoço", contou.

A jurista tenta driblar os efeitos dos aumentos nos preços dos alimentos em casa. "No supermercado, é uma senhora facada. O arroz e o feijão quase bateram R$ 10, e eles estão na alimentação de quase todo dia na minha casa. Em alguns momentos, substituímos pelo macarrão, mas a preferência é pelo arroz e feijão".

‘PF’ pesa nos restaurantes

Equilibrar o aumento dos custos com a margem de lucro e a qualidade do produto está sendo um desafio para comerciantes que trabalham com o famoso ‘PF’. O empresário Anderson Lima Martins, de 47 anos, que abriu uma empresa de refeições há 15 anos, contou que hoje oferece um prato feito, com sobremesa e guaraná natural, a R$ 18.

A disparada nos preços das carnes é o maior impacto para Anderson. Até as hortaliças estão pressionando o ‘PF’. Além disso, outros custos que fazem parte do negócio como o preço das embalagens que subiu nos cálculos dele 150% no último ano.

"Estamos fazendo o cálculo e vamos ter que repassar estes aumentos porque a margem de lucro já está muito apertada. A carne e o frango dispararam. Um quilo de frango que eu comprava a R$ 32, agora passou para R$ 49,90. A batata baroa está quase R$ 10 o quilo. Deixamos de comprar", falou Anderson Lima, dono do Manjericão.

Segundo o economista-chefe da Órama, Alexandre Espírito Santo, redução na produção dos alimentos em razão da seca pode contribuir para elevar ainda mais a inflação."Os grupos Alimentação e Bebidas e Transportes são os que mais pesam no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acima de 20% cada".

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