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PF apura corrupção e lavagem de dinheiro em consórcio de limpeza urbana de SP

André Guilherme Vieira

A Operação Descarte investiga a simulação de fornecimento de matéria-prima, via emissão de notas fiscais frias, para o Consórcio Soma A Polícia Federal (PF) deflagrou a sétima fase da Operação Descarte, para apurar a simulação de fornecimento de matéria-prima, via emissão de notas fiscais frias, para o Consórcio Soma, que foi responsável por metade dos serviços de limpeza urbana (varrição) da cidade de São Paulo.

EBC

Vinte e uma equipes cumprem mandados de busca na capital paulista e nos municípios de Barueri, Santana de Parnaíba, Francisco Morato, Santos, São José do Rio Preto, além de Itajaí (SC), Brasília e Cidade Ocidental (GO).

Durante as investigações, foi identificado que um escritório de advocacia de São Paulo era responsável por gerenciar a emissão de notas fiscais frias de fornecimento de matéria-prima ou prestação de serviços, assim como a entrega de dinheiro vivo para o Consórcio Soma e outros clientes.

Além da obtenção de novas provas dos crimes já investigados, esta fase da investigação tem dois objetivos: buscar os elementos de prova de quem eram os responsáveis pelo fornecimento de dinheiro em espécie; e confirmar uma tentativa de obstrução das fiscalizações realizadas pela Receita Federal em 2017.

Já foram identificadas três pessoas responsáveis, segundo a PF, pela entrega do dinheiro para o escritório de advocacia repassar aos seus clientes. Eles indicavam as contas bancárias de empresas fictícias para as quais deveriam ser realizadas as transferências. Em seguida, devolviam o dinheiro em espécie, com a cobrança de uma taxa de 2% a 3% do montante por esse serviço.

Para a tentativa de obstrução das investigações, a PF diz que verificou que o grupo contatou pessoas supostamente com influência na Receita Federal em Brasília para tentar barrar as fiscalizações, mediante o pagamento de R$ 3 milhões de reais.

Metade do valor teria sido pago, segundo a investigação: parte para um escritório de advocacia no Distrito Federal. No entanto, apesar da apresentação de documentos internos e sigilosos da Receita Federal para os investigados, não teria havido sucesso na obstrução.

Além dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação tributária, a PF apura os crimes de violação de sigilo funcional, organização criminosa e embaraço à investigação de crime que envolva organização criminosa.