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Petroleiros tentam barrar nomeação de Paes de Andrade na Petrobras

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 20.06.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) durante solenidade de lançamento do programa de recuperação da aprendizagem na educação, no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 20.06.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) durante solenidade de lançamento do programa de recuperação da aprendizagem na educação, no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Petroleiros tentam barrar a nomeação de Caio Paes de Andrade à presidência da Petrobras, alegando que o indicado do presidente Jair Bolsonaro (PL) não preenche os requisitos estabelecidos pela Lei das Estatais para ocupar o cargo.

Nesta sexta-feira (24), o comitê interno que analisa as indicações para cargos de chefia na estatal deve concluir parecer sobre Paes de Andrade, e a expectativa é que o conselho de administração se reúna no início da próxima semana para confirmar a nomeação.

Em carta ao comitê e membros do conselho, a Anapetro (Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras) e a FUP (Federação Única dos Petroleiros) fala em "inconsistências para a nomeação" e sugere que Paes de Andrade seja rejeitado.

"Caso o nome seja aprovado, [a Anapetro] buscará os meios legais, tanto nos órgãos de controle, como a Comissão de Valores Mobiliários, quanto no Poder Judiciário, para que a decisão seja revista", diz a associação.

Representante dos empregados da empresa no conselho de administração da Petrobras, a engenheira Rosângela Buzanelli também divulgou comunicado criticando a indicação.

"A única incursão profissional de Caio Paes de Andrade compatível com a função pretendida foi a participação de um ano e meio no conselho da PPSA, estatal brasileira que administra exploração de petróleo", ressalta.

Buzanelli e a associação citam artigos da lei das estatais que estabelecem experiência mínima de dez anos em empresas do setor de petróleo ou do mesmo porte da Petrobras, além de formação acadêmica compatível com o cargo.

Paes de Andrade é formado em comunicação social e fez carreira em uma empresa de investimentos em startups de tecnologia até assumir cargo no governo Bolsonaro. Ele ocupava uma secretaria no Ministério da Economia quando foi indicado para chefiar a Petrobras.

"O governo trata a Petrobras como uma empresa de fundo de quintal em total irresponsabilidade e falta de respeito aos acionistas e à importância da empresa para a sociedade brasileira", disse, em nota, o presidente da Anapetro, Mario Dal Zot.

As inconsistências no currículo foram questionadas também por investidores privados logo após a indicação, mas a resistência perdeu força nos últimos dias. Para representantes de minoritários, a nomeação reduz a instabilidade gerada na companhia após nova troca de comando.

Paes de Andrade vai substituir José Mauro Coelho, que foi demitido por Bolsonaro no fim de maio, mas só deixou o cargo nesta segunda (23) após forte pressão do governo e aliados, que ameaçaram com abertura de uma CPI e com mudanças na Lei das Estatais.

O mercado questiona a proposta de mudança na lei, que pode enfraquecer mecanismos criados após a Operação Lava Jato para aumentar a blindagem das estatais contra interferências políticas. A proposta é patrocinada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP).

Os petroleiros, por sua vez, veem na nomeação de Paes de Andrade um movimento no sentido da privatização da Petrobras, que tem apoio nos ministérios de Minas e Energia e da Economia. A categoria promete greve nacional caso o processo avance.

"Os impactos financeiros negativos dessas trocas constantes e a tentativa de nomeação de pessoas não capacitadas, como parece ser o caso, demonstram que o governo quer interferir na gestão da empresa para depreciar ainda mais seus ativos colocados à venda", diz Dal Zot.

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