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Petroleiras pedem manutenção de mistura de biodiesel em 10%; produtores contestam

·2 minuto de leitura
Posto de gasolina no Rio

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), que representa petroleiras no Brasil, juntamente com outras entidades pediram ao governo que mantenha a mistura obrigatória de biodiesel no diesel vendido nos postos em 10%, alegando que percentuais maiores não se mostraram eficientes, o que foi contestado por produtores.

A previsão atual é que a mistura obrigatória a ser considerada no 81º leilão de biodiesel, em 6 de agosto, seja elevada a 12%, após uma redução temporária nos dois certames anteriores, quando os altos preços da soja deram impulso à cotação do produto derivado da oleaginosa.

Embora represente uma elevação frente aos leilões 79 e 80, a mistura fixada para as contratações que atenderão ao bimestre setembro-outubro ainda fica abaixo da marca inicialmente estipulada para este ano, de 13% --percentual que produtores de biodiesel defendem que seja retomado ainda este ano.

"Contudo, os testes realizados não confirmaram a viabilidade da utilização de teores até B15. A maioria dos relatórios apresentados pelas montadoras evidenciou preocupações quanto ao aumento do teor de biodiesel no diesel", disseram as entidades, em um comunicado à imprensa nesta sexta-feira.

"As decisões de elevação do teor compulsório têm ocorrido sem levar em conta os citados problemas."

Segundo essas entidades, teores elevados de biodiesel, atualmente, provocam congelamento do produto, formação de borras em motores, paradas repentinas de caminhões, entupimentos de filtros, deterioração precoce de peças metálicas de motores dos setores agrícola e de transporte, dentre outros.

"Recomendamos a manutenção do teor de biocombustíveis no diesel em 10% até que se alterem as suas especificações e sejam realizados testes para comprovar a viabilidade técnica e a segurança para a utilização de teores mais elevados", afirmaram.

Além do IBP, assinaram o comunicado a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores(Anfavea), a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a Confederação Nacional do Transporte (CNT), dentre outros.

DEFESA DOS PRODUTORES

Procurados, os produtores de biodiesel afirmaram que as entidades lançaram "suspeitas" contra a mistura de biodiesel "sem apresentar fontes de dados concretos e sem sustentação em estudos referenciais indicados".

Em nota, a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) afirmou que não há documentos que comprovam relação do biodiesel com os problemas citados pelas entidades.

Além disso, destacaram que, desde a criação do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, foram realizados amplos estudos, testes e ensaios pelos Ministérios de Ciência e Tecnologia e de Minas e Energia, garantindo que o biodiesel chegasse ao mercado com alto padrão de qualidade.

"A Aprobio esclarece que nenhum dano a máquinas e motores foi comprovado pela ação direta ou indireta da utilização do biodiesel nas misturas já aprovadas pelos fabricantes de motores e equipamentos e pelo Ministério de Minas e Energia (MME)", afirmou, apontando documentos para consulta.

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