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Petrobras vê analistas cortarem recomendação para ações após Bolsonaro indicar CEO

·2 minuto de leitura

SÃO PAULO (Reuters) - Analistas de mercado rebaixaram suas recomendações para as ações da estatal Petrobras nos últimos dias, após o presidente Jair Bolsonaro ter anunciado na sexta-feira a indicação de um novo presidente-executivo para a companhia.

Bolsonaro disse que pretende nomear o general Joaquim Silva e Luna como novo CEO da Petrobras ao final do mandato do atual chefe da estatal, Roberto Castello Branco, em 20 de março. O movimento veio na sequência de reclamações do presidente sobre o executivo devido aos preços dos combustíveis.

A XP Investimentos cortou a recomendação para os papéis da Petrobras de "neutro" para "venda" no domingo, em relatório sob o título "Não há mais como defender".

O BTG Pactual rebaixou a recomendação para "neutra", enquanto o Bradesco reduziu para "underperform". O Credit Suisse baixou a recomendação para "underperform" e reduziu pela metade o preço-alvo para os papéis, de 16 para 8 reais, citando "muitas incertezas".

O indicado para a Petrobras, Silva e Luna, falou à Reuters no fim de semana em "buscar um equilíbrio" para a política de preços da estatal, citando interesses de acionistas, mercado e do "povo", devido ao impacto dos preços sobre a cadeia produtiva.

Analistas da XP ressaltaram a sinalização negativa com o anúncio de Bolsonaro sobre mudança no comando da companhia, mesmo ainda sem saber que novidades Silva e Luna trará.

"O que importa em nossa opinião é a mensagem que está sendo transmitida ao mercado: está se tornando cada vez mais difícil do ponto de vista político para a Petrobras implementar uma política de preços em que os preços dos combustíveis variam de acordo com as variações dos preços do câmbio e do barril de petróleo (principalmente no caso do diesel, dadas as pressões da categoria dos caminhoneiros)".

Analistas do Itaú BBA colocaram a recomendação para os papéis da estatal "sob revisão", citando uma sensação de "déjà vu" e apontando que "mais uma vez, o governo interveio" nas políticas da petroleira.

Em relatório, o time do Itaú BBA lembrou que a Lei das Estatais (13.303/2016) e o estatuto da Petrobras deveriam blindar a empresa de uso político, o que sujeita a empresa a riscos de processos caso suas operações sejam tocadas em desacordo com seus interesses econômicos.

"O novo estatuto foi aprovado no final de 2017, e seu potencial descumprimento poderia elevar riscos de litígio para a companhia e seus representantes."

Eles ainda calcularam que operar com preços dos combustíveis abaixo da paridade internacional poderia gerar fortes perdas para a Petrobras em 2021. Elas seriam de 1,8 bilhão de dólares caso as cotações ficassem 5% abaixo da paridade, e de 5,4 bilhões se houver descompasso de 15%, com impacto sobre a alavancagem, que aumentaria.

(Por Luciano Costa e Paula Laier)