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Petrobras saca US$ 8 bi com bancos para enfrentar crise do coronavírus

NICOLA PAMPLONA
*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO, RJ, 21.01.2020 Fachada da Petrobras no centro do Rio de Janeiro. (Foto: Lucas Tavares/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Diante da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, a Petrobras decidiu sacar US$ 8 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões) de linhas de crédito contratadas nos últimos anos. A companhia anunciou também o adiamento do processo de venda das refinarias.

A estatal sofre com a queda abrupta das cotações do petróleo provocada pelas medidas de isolamento social adotadas em diversos países. Na quarta (18), a cotação do Brent, negociada em Londres, atingiu o menor nível desde 2003.

Para enfrentar a crise, a companhia anunciou nesta sexta (20) que recorrerá a recursos de linhas de crédito compromissadas, tipo de contrato que lhe garante saques de empréstimo quando for necessário.

Nos últimos anos, a estatal fechou uma série desses contratos, em uma estratégia para reduzir o volume de dinheiro que mantinha em caixa. As linhas de crédito compromissado funcionariam como uma espécie de colchão pata necessidades.

"O desembolso é consistente com a estratégia de reforçar a liquidez da companhia, a fim de se resguardar dentro do contexto atual da crise, em função da pandemia de coronavírus e do choque de preços do petróleo", disse, em nota, a empresa.

Na nota, a companhia diz que está avaliando outras medidas para reforçar o fluxo de caixa, como a redução adicional de custos e otimizações do capital de giro. Em 2019, compromissos com o pagamento de bônus de assinatura de áreas do pré-sal contribuíram para reduzir em 44,7% o caixa da estatal.

Ao fim do ano, a Petrobras tinha R$ 29,7 bilhões em seu caixa. No balanço, o presidente da companhia, Roberto Castello Branco, afirmou que as linhas de crédito compromissadas, no valor total de US$ 9 bilhões, levaram a empresa a diminuir a meta de caixa mínimo para US$ 5,5 bilhões.

A Petrobras vem dizendo que consegue sobreviver por um ano com os preços no patamar atual, mas analistas já preveem impactos da crise no processo de venda de ativos e esperam alterações na projeção de investimentos da empresa.

Nesta sexta, a estatal informou também que vai adiar o prazo para entrega de propostas pelas suas refinarias, a principal frente do programa de desinvestimentos da companhia no momento.

A decisão, diz a empresa, ocorre "em função das medidas de prevenção ao coronavírus", que dificultam visitas de potenciais compradores às unidades.

São oito unidades à venda, em processos anunciados em junho de 2019. A meta da estatal era manter apenas as unidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, transferindo ao setor privado três refinarias no Sul, três no Nordeste, uma no Amazonas e uma em Minas Gerais.

O mercado já esperava algum atraso no processo de venda de ativos após o recrudescimento da crise global, que derrubou os preços do petróleo e traz incertezas sobre o valor futuro de ativos do setor.

Na nota distribuída nesta sexta (20), a companhia diz que reforça seu engajamento com o projeto de venda das refinarias e de suas respectivas estruturas logísticas, conforme previso em seu plano de negócios.