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Petrobras registra lucro de R$ 59,8 bilhões no 4º tri de 2020, no último balanço sob gestão de Castello Branco

Bruno Rosa e João Sorima Neto
·6 minuto de leitura

RIO e SÃO PAULO -A Petrobras registrou lucro de R$ 59,890 bilhões no quatro trimestre do ano passado, informou a companhia em balanço financeiro divulgado há pouco, revertendo o prejuízo de R$ 22,057 bilhões do mesmo período do ano anterior. Em 2020, a estatal registrou lucro de R$ 7,1 bilhões, contrário à expectativa de prejuízo esperado pelos especialistas.

É o último resultado da empresa sob a direção de Roberto Castello Branco, que será substituído em março após interferência do presidente Jair Bolsonaro.

Em mensagem aos acionistas, Castello Branco diz que ele e sua gestão entregou as promessas."A produtividade está subindo, a companhia está focada em investir em ativos de classe mundial e possui uma grande carteira de ativos não prioritários à venda. Nós entregamos nossas promessas", disse.

Ele lembrou que o fluxo de caixa operacional alcançou US$ 28,9 bilhões, o maior dos últimos 10 anos, mesmo comparando com o período de preços de petróleo por volta de US$ 100 por barril, mais que o dobro do preço médio do ano passado, de US$ 42 o barril.

Ajudou nessa conta os US$ 24,1 bilhões arrecadados com a venda de ativos. Isso permitiu reduzir o endividamento: a dívida total passou de US$ 87,1 bilhões para US$ 75,5 bilhões no último ano.

Dividendos de R$ 10,3 bilhões

Em nota, a estatal disse que o Conselho de Administração aprovou remuneração aos acionistas sob a forma de dividendos no valor de R$ 10,3 bilhões, "equivalente a R$ 0,787446 por ação ordinária e preferencial em circulação, com base no resultado anual de 2020".

Esse valor é equivalente a 5% do capital social, aplicado tanto às ações preferenciais quanto ordinárias. Do

valor a ser pago, R$ 5,7 bilhões são referentes à destinação do resultado do exercício de 2020 e R$ 4,6 bilhões

são oriundos da conta de reserva de retenção de lucros, explicou a empresa.

A Petrobras informou que "o dividendo proposto, superior ao mínimo obrigatório, foi possibilitado pela forte geração de caixa alcançada pela companhia em 2020 e está alinhado ao compromisso de geração de valor para os acionistas", disse a estatal.

O balanço foi divulgado no início da noite desta quarta-feira, após o fechamento do mercado, em meio ao turbilhão provocado pelo anúncio abrupto da troca de comando da estatal.

Antes da divulgação, a média das opiniões dos analistas previa um lucro da petrolífera de R$ 4,8 bilhões nos últimos três meses de 2020, com receita de R$ 73,9 bilhões.

No mercado, a expectativa era de que os números da empresa reflietissem a retomada da economia no final do ano passado, embora efeitos da pandemia ainda devam estar refletidos no balanço. No ano, a estimativa era de um prejuízo superior a R$ 40 bilhões.

O resultado anual foi influenciado, sobretudo, pela baixa contábil de R$ 65,3 bilhões no primeiro trimestre de 2020, por conta da queda no valor do petróleo devido ao início da pandemia do coronavírus.

Esclarecimento sobre ter "muita coisa errada"

Nesta quarta-feira, houve outra reunião do conselho de administração da Petrobras. Um dos temas que ganhou força no encontro virtual foi a composição de um eventual novo conselho para a estatal.

A aposta dos integrantes é que a União proponha a recondução de oito dos 11 membros. Com a saída de Roberto Castello Branco, conforme decidido ontem, os outros sete membros que foram eleitos de forma conjunta, pelo sistema de voto múltiplo no ano passado, também saem.

- Seria péssimo mudar o Conselho. O governo deve reconduzir todos. Essa é a indicação - disse essa fonte que não quis se identificar.

Dos onze membros, estão garantidos apenas Rodrigo de Mesquita e Marcelo Mesquita de Siqueira Filho, ambos indicados por minoritários, e Rosangela Buzanelli Torres, representante dos funcionários.

A fonte também lembrou que os conselheiros pediram que a diretoria de Relações com Investidores da estatal peça esclarecimentos sobre ter "muita coisa errada” na empresa, segundo declarações públicas do presidente Jair Bolsonaro.

A iniciativa é normal para empresas listadas na Bolsa, segundo a fonte, que destacou o caso envolvendo a Eletrobrás nos últimos dias.

Os analistas do banco Thiago Duarte, Pedro Soares, Daniel Guardiola e Ricardo Cavalieri rebaixaram o rating das ações da empresa para neutro após o presidente Jair Bolsonaro anunciar, na última sexta-feira, que irá trocar Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna no comando da companhia.

Pilares abalados

Os analistas avaliam que não têm mais confiança que os pilares que vinham criando valor para a empresa estejam garantidos: aumento da produção sustentada pelo pré-sal, desalavancagem com venda de ativos e redução do risco político.

"Com os acontecimentos dos últimos dias culminando na decisão do acionista controlador de solicitar a substituição do presidente, não temos mais a confiança de que esses pilares permanecerão", escreveram em relatório a clientes.

O banco BTG trabalha com um cenário-base em que as mudanças com a nova equipe de gestão não serão muito dramáticas, embora veja uma situação delicada caso os preços domésticos de combustível precisem continuar subindo para acompanhar a alta do petróleo no mercado internacional.

Para o economista Alexandre Espírito Santo, a forma como aconteceu o anúncio da troca de comando não é boa, e causou mal-estar entre os investidores estrangeiros. Mas nos últimos dias, o mercado exagerou, já que a empresa perdeu quase R$ 100 bilhões de valor em dois dias.

— Não houve nenhuma plataforma à pique. É uma perda de valor muito grande para uma empresa que não mudou da noite para o dia. Foi uma reação exagerada a uma troca de comando — diz.

O economista da Órama avalia que as perspectivas são boas para a Petrobras. No balanço, diz ele, será preciso observar como está o endividamento da empresa, que vinha caindo. Ele acredita que com o avanço da vacinação, a economia começa a retomar.

— Acredito que o petróleo deve se estabilizar em US$ 50 por barril. Não é ruim para a Petrobras. Para a empresa, também será importante que a nova gestão dê prosseguimento à venda de ativos. O endividamento também vinha sendo reduzido. Se isso acontecer, os resultados da Petrobras serão bons - diz Espírito Santo.

Ruptura com o mercado

O analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, afirma que a forma como o governo fez o anúncio da troca de comando na Petrobras, mostrando "que tem o controle", criou uma espécie de ruptura com o alinhamento que a companhia possuía junto ao mercado, algo que o presidente Roberto Castello Branco vinha construindo nos últimos dois anos.

— Dada a potência da ruptura, por mais gabaritado que seja o nome do general Silva e Luna, não acredito que o mercado dará o benefício da dúvida ao novo presidente, pelo menos num primeiro momento.

Arbetman afirma que Castello Branco tinha clara a necessidade da Petrobras em reduzir seu endividamento e aumentar o pagamento de dividendos “de forma a diminuir o hiato existente entre a companhia e seus pares globais.”